Defesa do senador classificou a investigação como tentativa de "cercear a liberdade de expressão e o livre exercício do mandato parlamentar".

O ministro Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal ouça o senador Flávio Bolsonaro em até 10 dias. Ele é investigado por calúnia contra o presidente Lula.
A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Paulo Gonet quer ouvir o senador antes de decidir se denuncia Flávio ou pede o arquivamento do inquérito.
Tudo começou em 3 de janeiro deste ano, no mesmo dia em que o ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro foi capturado pelos EUA.
Flávio publicou no X uma mensagem associando imagens de Lula às de Maduro, afirmando que o presidente brasileiro "será delatado".
Na sequência, listou uma série de crimes: "tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas".
A Polícia Federal concluiu que, ao unir a fala sobre a delação à lista de crimes, o senador atribuiu falsamente essas condutas a Lula. Segundo a corporação, não há dúvidas sobre a autoria da publicação.
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Mesmo com essa conclusão, a PGR avaliou ser necessário ouvir Flávio antes de decidir os próximos passos.
Segundo Gonet, essa etapa é especialmente relevante porque a lei prevê a possibilidade de retratação nos crimes de calúnia e difamação.
Nesses casos, quem se retrata antes da sentença pode ficar isento de pena, e, quando a ofensa foi divulgada por algum meio de comunicação, a retratação pode ser feita pelo mesmo canal usado na publicação original.
O inquérito foi aberto por Moraes em abril, atendendo a um pedido da própria PF, com parecer favorável da PGR.
Na época, a defesa de Flávio classificou a investigação como uma "tentativa clara de cercear a liberdade de expressão e o livre exercício do mandato parlamentar".
Durante a investigação, a defesa do senador pediu a oitiva de nove pessoas, entre elas o próprio Lula, o senador Sérgio Moro, o ex-deputado Deltan Dallagnol, o marqueteiro João Santana, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado e um procurador dos Estados Unidos.
Moraes negou todos os pedidos, afirmando que as diligências solicitadas representariam uma tentativa de "direcionamento" e "interferência" no inquérito, já que não cabe ao investigado pautar a atividade investigativa.
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