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Educação•5 min de leitura

Seu filho pergunta demais durante a história? Talvez você não deva pedir silêncio

Pesquisas sobre leitura compartilhada indicam que a criança pode aprender mais quando deixa de ser apenas ouvinte.

Por
Gabriel Costa
•Publicado em
Pai lendo para o filho
Fonte da imagem: Gerado por IA

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22h
20m
32s

O pai abre o livro. A história começa. Duas páginas depois, vem a primeira pergunta:

“Por que ele fez isso?”

Mais uma página.

“Ele está com medo?”

Depois aparece outra.

“E se ele tivesse ido para o outro lado?”

Para quem só queria chegar ao fim da história antes da hora de dormir, tantas interrupções podem cansar.

Mas elas também podem indicar que a criança deixou de apenas ouvir e começou a participar.

Há décadas, pesquisadores estudam uma prática conhecida como leitura compartilhada ou dialogada. Nela, o adulto lê, mas também conversa sobre o que está acontecendo.

O Guia de Literacia Familiar, publicado pelo Ministério da Educação, recomenda esse tipo de interação antes, durante e depois da leitura. A ideia é simples. A criança não precisa ficar apenas escutando.

O que muda quando a criança participa?

Uma revisão publicada na revista Child Development reuniu 19 estudos experimentais com 2.594 crianças de 1 a 6 anos.

As intervenções que ensinavam adultos a compartilhar livros produziram efeitos positivos, embora modestos, sobre a linguagem das crianças.

Outro levantamento analisou 38 estudos e 2.455 crianças. Entre os fatores ligados à aprendizagem de novas palavras estava justamente a forma dialogada de ler.

Isso não significa transformar cada página em um interrogatório.

Um estudo com 150 crianças mostrou que ensinar novas técnicas aos responsáveis mudou a maneira como eles liam, mas não trouxe vantagem adicional sobre famílias que já praticavam uma leitura compartilhada ativa.

O ponto parece estar menos na quantidade de perguntas e mais na participação da criança.

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Algumas perguntas abrem mais espaço para a história

“Você entendeu?” pode terminar com um simples “sim”.

Outras perguntas fazem a criança voltar para a cena.

  • O que você acha que vai acontecer?

  • Por que ele fez isso?

  • Como você acha que ele está se sentindo?

  • O que você faria no lugar dele?

  • Consegue contar essa parte com suas palavras?

O guia do MEC recomenda perguntas desse tipo. Elas trabalham previsão, sentimentos, decisões e a capacidade de recontar aquilo que acabou de acontecer.

Essa ideia também aparece na coleção Pindorama, do Clubinho do Livro Brasil Paralelo.

As histórias colocam personagens diante de escolhas, desafios e consequências. Entre os recursos pensados para acompanhar a leitura estão perguntas para conversar em família. 

Em uma pesquisa feita durante o desenvolvimento do projeto, esse recurso teve 92,7% de aceitação entre os participantes.

A história, portanto, não precisa acabar quando chega o ponto final.

Às vezes, a parte mais interessante começa justamente quando a criança fecha o livro e pergunta:

“Mas por quê?”

A coleção Pindorama já está em pré-venda e inaugura o Clubinho do Livro Brasil Paralelo.

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