Política5 min de leitura

Um dos principais jornais do mundo diz que EUA podem voltar a sancionar Moraes

Caso envolve operação autorizada pelo ministro contra fonte de jornalista que publicou reportagens sobre Flávio Dino e familiares no Maranhão.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
governo Trump poderá fazer novas sanções contra Moraes
Fonte da imagem: Reprodução

Receba notícias gratuitamente em seu email

De acordo com o jornal britânico Financial Times, Alexandre de Moraes voltou ao radar do governo Donald Trump. Os Estados Unidos discutem a possibilidade de aplicar novas sanções contra o ministro.

Ainda não há decisão tomada nem prazo para que uma eventual medida seja anunciada.

O ponto que chamou a atenção dos americanos, segundo o jornal, foi uma investigação que abriu novo debate sobre liberdade de imprensa no Brasil.

Na semana passada, Moraes autorizou uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão apontado como uma das fontes do jornalista Luís Pablo.

O jornalista havia publicado reportagens sobre o uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão pelo ministro Flávio Dino e familiares.

Em março, Luís Pablo já havia sido alvo de busca e apreensão. A Polícia Federal apreendeu celulares, notebook e outros dispositivos do jornalista.

Depois da análise desse material, investigadores apontaram Cutrim como a pessoa que teria repassado imagens e informações obtidas em sistemas de acesso restrito.

Com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, Moraes autorizou novas buscas.

  • Que tal receber notícias todos os dias em seu WhatsApp? Clique aqui e entre para o canal oficial da Brasil Paralelo. 

Entidades veem risco ao sigilo de fonte

O caso provocou reação de entidades brasileiras e internacionais de defesa da liberdade de imprensa, como Article 19, Repórteres Sem Fronteiras e Sociedade Interamericana de Imprensa.

Para essas organizações, a identificação da suposta fonte a partir de equipamentos apreendidos de um jornalista levanta dúvidas sobre a proteção constitucional das fontes jornalísticas.

Moraes sustenta que as informações teriam sido obtidas e divulgadas ilegalmente e que a publicação poderia colocar em risco a segurança da família de Flávio Dino.

Aliados de Dino afirmam que o carro particular do ministro era seguido e negam uso irregular de veículos oficiais.

Luís Pablo nega ter seguido carros de Dino ou de familiares e afirma que a denúncia sobre o uso de carro oficial é verdadeira.

[LEAD] Enéas

Moraes já foi alvo da Lei Magnitsky

Essa não é a primeira vez que Moraes entra na mira dos EUA. Em julho de 2025, o ministro foi incluído na lista de sancionados pela Lei Magnitsky, mecanismo usado pelos Estados Unidos contra estrangeiros acusados de corrupção ou graves violações de direitos humanos.

Na época, o governo americano acusou Moraes de promover censura, detenções arbitrárias e processos politizados. A punição restringia movimentações financeiras do ministro e de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

As sanções foram retiradas em dezembro de 2025, após uma aproximação diplomática entre Trump e Lula.

Agora, segundo o Financial Times, a possibilidade voltou a ser discutida.

A eventual retomada das sanções ocorre em meio a uma nova fase de tensão entre Brasil e Estados Unidos. Washington anunciou tarifas contra produtos brasileiros, enquanto o governo Lula iniciou um processo de reciprocidade econômica contra os americanos.

Por enquanto, a informação central é esta: os EUA voltaram a discutir medidas contra Moraes, mas nenhuma nova sanção foi anunciada.

Entenda o que é a Lei Magnitsky Global e como ela foi criada com o especial da Brasil Paralelo. Assista completo abaixo:

[LEAD] Enéas
[LEAD] Enéas