Caso envolve operação autorizada pelo ministro contra fonte de jornalista que publicou reportagens sobre Flávio Dino e familiares no Maranhão.

De acordo com o jornal britânico Financial Times, Alexandre de Moraes voltou ao radar do governo Donald Trump. Os Estados Unidos discutem a possibilidade de aplicar novas sanções contra o ministro.
Ainda não há decisão tomada nem prazo para que uma eventual medida seja anunciada.
O ponto que chamou a atenção dos americanos, segundo o jornal, foi uma investigação que abriu novo debate sobre liberdade de imprensa no Brasil.
Na semana passada, Moraes autorizou uma operação de busca e apreensão contra Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo do Maranhão apontado como uma das fontes do jornalista Luís Pablo.
O jornalista havia publicado reportagens sobre o uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão pelo ministro Flávio Dino e familiares.
Em março, Luís Pablo já havia sido alvo de busca e apreensão. A Polícia Federal apreendeu celulares, notebook e outros dispositivos do jornalista.
Depois da análise desse material, investigadores apontaram Cutrim como a pessoa que teria repassado imagens e informações obtidas em sistemas de acesso restrito.
Com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, Moraes autorizou novas buscas.
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O caso provocou reação de entidades brasileiras e internacionais de defesa da liberdade de imprensa, como Article 19, Repórteres Sem Fronteiras e Sociedade Interamericana de Imprensa.
Para essas organizações, a identificação da suposta fonte a partir de equipamentos apreendidos de um jornalista levanta dúvidas sobre a proteção constitucional das fontes jornalísticas.
Moraes sustenta que as informações teriam sido obtidas e divulgadas ilegalmente e que a publicação poderia colocar em risco a segurança da família de Flávio Dino.
Aliados de Dino afirmam que o carro particular do ministro era seguido e negam uso irregular de veículos oficiais.
Luís Pablo nega ter seguido carros de Dino ou de familiares e afirma que a denúncia sobre o uso de carro oficial é verdadeira.
Essa não é a primeira vez que Moraes entra na mira dos EUA. Em julho de 2025, o ministro foi incluído na lista de sancionados pela Lei Magnitsky, mecanismo usado pelos Estados Unidos contra estrangeiros acusados de corrupção ou graves violações de direitos humanos.
Na época, o governo americano acusou Moraes de promover censura, detenções arbitrárias e processos politizados. A punição restringia movimentações financeiras do ministro e de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
As sanções foram retiradas em dezembro de 2025, após uma aproximação diplomática entre Trump e Lula.
Agora, segundo o Financial Times, a possibilidade voltou a ser discutida.
A eventual retomada das sanções ocorre em meio a uma nova fase de tensão entre Brasil e Estados Unidos. Washington anunciou tarifas contra produtos brasileiros, enquanto o governo Lula iniciou um processo de reciprocidade econômica contra os americanos.
Por enquanto, a informação central é esta: os EUA voltaram a discutir medidas contra Moraes, mas nenhuma nova sanção foi anunciada.
Entenda o que é a Lei Magnitsky Global e como ela foi criada com o especial da Brasil Paralelo. Assista completo abaixo: