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Dia de Nossa Senhora do Carmo: fiéis celebram com procissões e missas pelo Brasil

Guerreiros cansados de guerra deram origem a uma devoção que hoje reúne multidões pelo Brasil.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Teto da Igreja da Ordem Terceira do Carmo de São Paulo
Fonte da imagem: Reprodução

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Tudo começou com um grupo de ex-combatentes cansados de guerra, refugiados numa montanha no Oriente Médio. Mais de 800 anos depois, essa história ainda enche igrejas em todo o Brasil.

Nesta quinta-feira, fiéis católicos celebram o Dia de Nossa Senhora do Carmo, tida como protetora do Recife e uma das devoções mais tradicionais do país.

As celebrações reúnem milhares de pessoas tanto na capital pernambucana quanto em São Paulo, e neste ano marcam uma data redonda: os 775 anos da aparição que originou o principal símbolo dessa devoção.

Para entender a origem dessa tradição, é preciso voltar ao Monte Carmelo, uma região montanhosa em Israel cujo nome, aliás, significa "jardim".

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Ex-guerreiros passaram a viver na região e viraram monges

Foi neste monte, ainda no fim do século XII, que um grupo de ex-guerreiros decidiu se estabelecer.

Eles haviam lutado nas Cruzadas, as guerras religiosas travadas entre cristãos e muçulmanos pelo controle de Jerusalém e de outras regiões consideradas sagradas.

Cansados da violência desses conflitos, resolveram deixar as armas de lado e buscar uma vida mais dedicada à religião.

No Monte Carmelo, encontraram um lugar já ligado, segundo a tradição bíblica, ao profeta Elias.

Inspirados por essa história, construíram uma capela dedicada à Virgem Maria e passaram a viver ao redor dela, em pequenas habitações isoladas.

Escolheram Elias como referência de vida e, ao mesmo tempo, consagraram-se à virgem Maria, chamando-a de "Senhora" do lugar, um título comum na época para designar quem protegia determinado território.

Assim nasceram os chamados Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.

Por volta de 1209, o grupo pediu ao bispo de Jerusalém uma regra formal de vida religiosa. Em 1226, essa nova ordem foi oficialmente reconhecida pelo papa Honório III.

Perseguições fizeram os monges deixarem o local

Anos depois, perseguições na região forçaram parte dos monges a deixar o local. Alguns se refugiaram na Sicília, em Creta e na Itália. Outros seguiram até a Inglaterra, onde fundaram um novo mosteiro.

Foi lá, segundo a tradição católica, que aconteceu o episódio que deu origem ao símbolo mais conhecido da devoção.

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Aparição da Virgem Maria a um monge inglês

Na noite de 16 de julho de 1251, exatos 775 anos antes deste dia, a ordem enfrentava um momento difícil, incluindo perseguições e resistência em alguns lugares onde tentava se estabelecer.

Foi nesse contexto que o então superior geral dos carmelitas, Simão Stock, teria pedido ajuda em suas preces.

Segundo o relato católico, a Virgem Maria apareceu a ele durante essa oração. Ela teria entregado a Simão um pedaço de tecido chamado escapulário, uma peça usada sobre os ombros como parte do hábito religioso, e prometido que protegeria quem o usasse com fé.

Foi esse episódio que deu origem à data comemorada até hoje pela Igreja Católica como o Dia de Nossa Senhora do Carmo.

Para o frei Thiago Borges, responsável pela província carmelitana fluminense, a data deste ano carrega um peso simbólico adicional por marcar essa data redonda.

"Este ano, a festa se reveste de um significado especial porque celebramos os 775 anos do Escapulário de Nossa Senhora".

Segundo ele, o escapulário representa tanto um sinal de proteção quanto uma forma de aproximação com os ensinamentos cristãos

 "Eu creio que hoje, ao celebrar a Festa do Carmo e se revestir do escapulário, nós estamos participando da Escola de Maria para aperfeiçoar melhor o nosso seguimento a Cristo", disse o frei.

Para os católicos, existem pessoas que se tornam dignas de imitação: são os chamados santos.

É justamente para resgatar essas histórias que a Brasil Paralelo criou a série "A Vida dos Santos".

A produção acompanha personagens que enfrentaram perseguições e decisões extremas, mostrando por que essas trajetórias continuam sendo lembradas séculos depois.

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