Guerreiros cansados de guerra deram origem a uma devoção que hoje reúne multidões pelo Brasil.

Tudo começou com um grupo de ex-combatentes cansados de guerra, refugiados numa montanha no Oriente Médio. Mais de 800 anos depois, essa história ainda enche igrejas em todo o Brasil.
Nesta quinta-feira, fiéis católicos celebram o Dia de Nossa Senhora do Carmo, tida como protetora do Recife e uma das devoções mais tradicionais do país.
As celebrações reúnem milhares de pessoas tanto na capital pernambucana quanto em São Paulo, e neste ano marcam uma data redonda: os 775 anos da aparição que originou o principal símbolo dessa devoção.
Para entender a origem dessa tradição, é preciso voltar ao Monte Carmelo, uma região montanhosa em Israel cujo nome, aliás, significa "jardim".
Que tal receber notícias todos os dias em seu WhatsApp? Clique aqui e entre para o canal oficial da Brasil Paralelo.
Foi neste monte, ainda no fim do século XII, que um grupo de ex-guerreiros decidiu se estabelecer.
Eles haviam lutado nas Cruzadas, as guerras religiosas travadas entre cristãos e muçulmanos pelo controle de Jerusalém e de outras regiões consideradas sagradas.
Cansados da violência desses conflitos, resolveram deixar as armas de lado e buscar uma vida mais dedicada à religião.
No Monte Carmelo, encontraram um lugar já ligado, segundo a tradição bíblica, ao profeta Elias.
Inspirados por essa história, construíram uma capela dedicada à Virgem Maria e passaram a viver ao redor dela, em pequenas habitações isoladas.
Escolheram Elias como referência de vida e, ao mesmo tempo, consagraram-se à virgem Maria, chamando-a de "Senhora" do lugar, um título comum na época para designar quem protegia determinado território.
Assim nasceram os chamados Irmãos da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.
Por volta de 1209, o grupo pediu ao bispo de Jerusalém uma regra formal de vida religiosa. Em 1226, essa nova ordem foi oficialmente reconhecida pelo papa Honório III.
Anos depois, perseguições na região forçaram parte dos monges a deixar o local. Alguns se refugiaram na Sicília, em Creta e na Itália. Outros seguiram até a Inglaterra, onde fundaram um novo mosteiro.
Foi lá, segundo a tradição católica, que aconteceu o episódio que deu origem ao símbolo mais conhecido da devoção.
Que tal receber notícias todos os dias em seu E-mail? Clique aqui e receba de graça o Resumo BP.
Na noite de 16 de julho de 1251, exatos 775 anos antes deste dia, a ordem enfrentava um momento difícil, incluindo perseguições e resistência em alguns lugares onde tentava se estabelecer.
Foi nesse contexto que o então superior geral dos carmelitas, Simão Stock, teria pedido ajuda em suas preces.
Segundo o relato católico, a Virgem Maria apareceu a ele durante essa oração. Ela teria entregado a Simão um pedaço de tecido chamado escapulário, uma peça usada sobre os ombros como parte do hábito religioso, e prometido que protegeria quem o usasse com fé.
Foi esse episódio que deu origem à data comemorada até hoje pela Igreja Católica como o Dia de Nossa Senhora do Carmo.
Para o frei Thiago Borges, responsável pela província carmelitana fluminense, a data deste ano carrega um peso simbólico adicional por marcar essa data redonda.
"Este ano, a festa se reveste de um significado especial porque celebramos os 775 anos do Escapulário de Nossa Senhora".
Segundo ele, o escapulário representa tanto um sinal de proteção quanto uma forma de aproximação com os ensinamentos cristãos
"Eu creio que hoje, ao celebrar a Festa do Carmo e se revestir do escapulário, nós estamos participando da Escola de Maria para aperfeiçoar melhor o nosso seguimento a Cristo", disse o frei.
Para os católicos, existem pessoas que se tornam dignas de imitação: são os chamados santos.
É justamente para resgatar essas histórias que a Brasil Paralelo criou a série "A Vida dos Santos".
A produção acompanha personagens que enfrentaram perseguições e decisões extremas, mostrando por que essas trajetórias continuam sendo lembradas séculos depois.
Clique aqui e garanta seu acesso por apenas R$10,90 mensais.
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.