Ir para o conteúdo principal
Mundo•5 min de leitura

Entenda o que são e como funcionam as midterms nos EUA

Disputa mudou a distribuição do poder em Washington e enfraqueceu Trump.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Eleitores preenchem cédulas em cabines de votação nos Estados Unidos
Fonte da imagem: The New York Times

Receba notícias gratuitamente em seu email

Próximo envio em
00h
46m
09s

Donald Trump perdeu a maioria do Congresso após as eleições legislativas desta terça-feira (3).

No Senado, o Partido Democrata conseguiu ganhar 7 cadeiras até o momento e aparece com 54 parlamentares. Para ser maioria são necessários 50 assentos.

O cenário se repetiu na Câmara, onde o partido elegeu 228 representantes até o momento, a maioria é formada por 218. Isso representou um aumento de 25 cadeiras.

O resultado muda a relação de forças em Washington ao menos pelos próximos dois anos. Entenda como funcionam as midterms.

  • Que tal receber notícias todos os dias em seu E-mail? Clique aqui e receba de graça o Resumo BP.

O que são as midterms?

Nos Estados Unidos, as eleições que decidem a composição do Congresso acontecem a cada dois anos.

Sempre que caem no meio do mandato do presidente, são chamadas de midterms, ou “eleições de meio de mandato”.

O resultado define qual partido controla o Congresso e, portanto, quão fácil será para o presidente aprovar seus planos.

O Congresso americano tem duas casas. A Câmara dos Representantes, com 435 deputados, e o Senado, com 100 senadores, dois por estado.

Nas midterms, todos os 435 deputados voltam às urnas e, no Senado, só um terço das cadeiras é renovado.

A disputa não para no Congresso. Neste ano, 36 estados escolheram governador e mais de 6 mil cadeiras de assembleias estaduais foram a voto.

Além disso, os eleitores decidiram 146 plebiscitos sobre temas como aborto, impostos e mapas eleitorais.

Como é a eleição?

O país é dividido em 435 distritos, e cada um elege um único deputado. Cada distrito tem, em média, cerca de 761 mil habitantes.

Ganha quem tiver mais votos, mesmo sem chegar à metade, e, na maior parte do país, não há segundo turno.

Controla a Câmara o partido que somar 218 cadeiras, não importa quantos votos teve no total.

Em 2012, os democratas tiveram mais de 1,5 milhão de votos a mais no país, mas os republicanos ficaram com a maioria.

[LEAD] BOX BUC

Candidatos passam por eleições primárias

Antes da eleição geral, quase todo candidato passa por uma primária. Nos EUA, os partidos não montam listas, o eleitor escolhe o candidato de cada partido.

Até o início do século XX, essa escolha era feita em convenções controladas por caciques partidários, um sistema fácil de corromper.

Em 1903, o Wisconsin entregou a decisão aos eleitores, e a ideia se espalhou pelo país.

Hoje, a primária muitas vezes é a eleição que realmente decide. Foi o que aconteceu no Texas, de maioria republicana.

Em maio, o senador John Cornyn, há quase 24 anos no cargo, perdeu a primária para Ken Paxton e ficou fora da eleição sem enfrentar nenhum democrata.

Quem vota e quem organiza

Nos EUA, o voto não é obrigatório, e o cidadão precisa se registrar como eleitor antes de votar.

Nas midterms, a participação despenca. Nas eleições presidenciais de 2020 e 2024, votaram 66% e 64% dos eleitores. Na midterm de 2014, apenas 37%.

Não existe um órgão nacional que organize as eleições. A Constituição deixou com cada estado a hora, o lugar e a forma de votar, e quem conta os votos são os condados.

Por isso, as regras mudam de um estado para o outro. No Missouri, as urnas abrem às 6h; no vizinho Kansas, às 7h.

No Kansas, qualquer eleitor pode votar pelo correio; no Missouri, só quem se encaixa em um dos seis motivos previstos em lei.

Como cada estado conta no seu ritmo, uma disputa apertada pode levar dias para ser definida.

Por que o presidente costuma perder

Desde 1934, houve 23 midterms. Em 20 delas, o partido do presidente perdeu cadeiras na Câmara, com uma perda média de 27 deputados.

Só cresceu três vezes: com Franklin Roosevelt, em 1934, Bill Clinton, em 1998, e George W. Bush, em 2002.

Uma explicação está em quem vai votar. Parte do eleitorado que elegeu o presidente só saiu de casa por causa dele e prefere se abster dois anos depois.

Já quem está insatisfeito com o governo tem uma tendência a comparecer mais na votação.

[LEAD] BOX BUC
[LEAD] BOX BUC