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Segurança pública•5 min de leitura

Tráfico e lavagem de dinheiro: entenda o pedido de condenação contra Renato Cariani

Pena pode chegar a 51 anos. Influenciador diz que sua empresa foi vítima de uma quadrilha que desviava produtos químicos

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
O influenciador Renato Cariani
Fonte da imagem: Reprodução

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22h
55m
19s

Conhecido como um dos influenciadores mais famosos do país no mundo do fisiculturismo, Renato Cariani é alvo de um pedido de condenação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por:

  • associação para o tráfico;

  • tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas;

  • lavagem de dinheiro.

Somadas, as penas podem variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão em regime fechado, além de multas.

Mesmo em caso de condenação total, o limite de cumprimento de pena no Brasil é de 40 anos.

Cariani responde ao processo em liberdade e nega as acusações, afirmando que sua empresa foi apenas vítima de desvios feitos por uma quadrilha.

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O pedido do Ministério Público

O MP-SP apresentou suas alegações finais na quarta-feira (21). É a última manifestação da acusação no processo, feita depois da produção de provas e antes da sentença.

Além de Cariani, a promotoria pede a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes.

Segundo o MP, Fábio vendia os produtos químicos e era o elo entre a empresa e os compradores ligados ao tráfico.

Já Rodrigo seria responsável por movimentar o dinheiro, “realizando depósitos em espécie e promovendo operações para dar aparência de licitude ao produto dos crimes”.

O MP pediu ainda a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani, e de Andréia Domingues Ferreira, que também haviam sido citadas na investigação.

Como funcionava o suposto esquema

Cariani é sócio da Anidrol Produtos para Laboratórios, empresa de Diadema, na Grande São Paulo, autorizada a vender produtos químicos.

Segundo a acusação, entre 2014 e 2020, a empresa emitiu notas fiscais falsas simulando vendas para grandes farmacêuticas, entre elas a AstraZeneca.

No entanto, os produtos eram desviados para o tráfico, que os usava no refino e na adulteração de cocaína e crack.

Laranjas faziam depósitos em dinheiro vivo, como se fossem funcionários das farmacêuticas.

Os investigadores apontam que foram desviadas 12 toneladas de produtos químicos, como acetona, éter etílico e ácido clorídrico.

Com esse material, é possível produzir mais de 15 toneladas de cocaína e crack.

Para o Gaeco, grupo do MP que combate o crime organizado, Cariani simulou pedidos fictícios para justificar os desvios. Segundo a denúncia:

“Renato autorizou a separação e a retirada fora do expediente, em 26/02/2018, de produtos faturados à empresa ASTRAZENECA (100 litros de éter etílico e 50 kg de cloridrato de lidocaína). [...] Ele forneceu à Polícia Federal comprovantes de retirada com placas, documentos e habilitações falsos, que ele próprio declarou estarem ‘arquivados’”.

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A relação com um policial

Mensagens do celular de Cariani indicam, segundo o Gaeco, uma relação próxima com o policial civil André Dziuba, que trabalhava na fiscalização de produtos químicos usados no refino de drogas.

De acordo com os promotores, Cariani recebia informações sobre fiscalizações e chegava a sugerir empresas que poderiam ser fiscalizadas.

Para o Gaeco, isso mostra que ele agia para “proteger a associação para o tráfico, como também para prejudicar eventuais concorrentes”.

Os promotores também afirmam que o influenciador sabia como os produtos eram usados:

“As conversas revelam que Renato tinha absoluta ciência do emprego dos insumos químicos no preparo de droga. Em 11/04/2019, consultado pelo policial civil sobre o controle de determinada substância, respondeu que ela era ‘utilizada para aumentar o rendimento da cocaína’”.

Cariani diz que a empresa foi vítima

Na quarta-feira (28), Cariani se manifestou nas redes sociais. Ele afirmou que sua empresa foi vítima de uma quadrilha que desviou os produtos químicos:

“[O Ministério Público] denunciou a mim e outras pessoas, e aí cabe à Justiça, ao meu advogado, provar, como nós vamos provar que nós fomos vítimas. Eu tenho bons advogados, trouxe todo o material necessário, provas, documentos e tudo pra provar que eu e a minha sócia fomos vítimas como empresários”.

“Você sabe a minha vida, o que eu gero de impostos, jamais me envolveria nisso pra ganhar [...] R$ 1,5 milhão”.

O MP, porém, afirma que cerca de R$ 2,4 milhões foram incorporados ao caixa das empresas.

O advogado de Cariani, Aldo Romani Netto, disse que o pedido de condenação “não representa nenhuma surpresa”:

“Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa. O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes”.

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