Investigação aponta que banco de Edir Macedo investiu em papéis sem valor iguais aos usados pelo Master
Defesa do banco Digimais diz que deixou a operação em 2025, mas dados enviados pela CVM ao Senado apontam outra situação.

Um investimento de R$271,4 milhões aproximou o Digimais, banco controlado pelo grupo de Edir Macedo, de uma estrutura já conhecida no caso Master.
O dinheiro foi aplicado, por meio do fundo Betel, em antigos papéis do Besc, banco de Santa Catarina incorporado pelo Banco do Brasil em 2008.
Hoje, esses documentos têm apenas valor histórico.
Mesmo assim, papéis desse tipo já apareceram no caso Master sendo registrados por valores milionários para aumentar artificialmente os ativos de fundos.
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O fundo tinha R$ 271 milhões nesses papéis
Segundo dados da CVM enviados ao Senado e obtidos pela Folha de S. Paulo, o Digimais era o único investidor do fundo Betel até janeiro deste ano.
Todo o dinheiro do fundo, R$271,4 milhões, estava aplicado nesses documentos. O valor representa cerca de 82% do patrimônio líquido do banco, que era de R$331 milhões.
Há uma divergência.
O Digimais afirma que saiu do fundo em outubro de 2025. Os dados da CVM, porém, indicavam que o banco ainda aparecia como único cotista meses depois.
Questionado, o banco manteve sua versão e não informou quanto teria recebido pela saída.
O Betel era administrado pela Reag, mesma gestora que apareceu em operações ligadas ao Banco Master e foi liquidada pelo Banco Central em janeiro.
Digimais também é investigado
A Polícia Federal já investiga suspeitas de que o Digimais tenha alterado informações financeiras para parecer mais sólido diante dos órgãos de controle.
A apuração envolve suspeitas de gestão fraudulenta e inserção de dados falsos em relatórios.
O banco afirma que está colaborando com as autoridades.
A situação financeira também preocupa.
No primeiro semestre, o Digimais registrou prejuízo de R$581,4 milhões e terminou junho com um indicador de capital abaixo do mínimo exigido pelo Banco Central.
A nova descoberta cria mais uma semelhança com o caso Master: papéis praticamente sem valor aparecendo dentro de fundos por cifras milionárias.
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