Mensagens mostram que um homem ligado a Vorcaro conseguia buscar informações em sistemas internos. A PF ainda investiga como esse acesso foi obtido.

Daniel Vorcaro teria conseguido acesso a informações que deveriam estar restritas ao Ministério Público Federal.
É o que aponta um relatório da Polícia Federal que veio a público após a queda do sigilo do caso Master.
Segundo a investigação, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, enviava ao ex-banqueiro documentos retirados de sistemas internos do MPF.
Em uma conversa de junho de 2024, Mourão ofereceu uma lista de nomes e disse que Vorcaro poderia incluir outros para buscar processos sigilosos.
Quando perguntou quais documentos o banqueiro queria receber, ouviu a resposta:
“Todos, obviamente.”
No dia seguinte, Mourão afirmou estar com “acesso total e ilimitado” aos sistemas do órgão.
Mourão disse ter feito uma busca pelos termos “BRB AND MASTER”. Vorcaro respondeu:
“Quero tudo. Atenção total.”
A PF encontrou registros dessas consultas em contas funcionais de servidores do MPF.
Em uma delas, uma busca pelo CPF de Vorcaro encontrou 15 procedimentos. Onze estavam sob sigilo.
Ainda não está claro como o grupo conseguiu usar essas contas. A própria PF afirma que precisa descobrir se os servidores fizeram as buscas, entregaram suas senhas ou tiveram as credenciais usadas sem saber. O relatório não atribui participação consciente a eles.
Que tal receber notícias todos os dias em seu WhatsApp? Clique aqui e entre para o canal oficial da Brasil Paralelo.
Em janeiro de 2025, Vorcaro enviou a Mourão a imagem de um helicóptero que havia sobrevoado sua casa na Bahia.
Dias depois, Mourão apresentou um ofício atribuído ao MPF que pedia à empresa aérea o nome do contratante, os trajetos e a lista de passageiros.
O documento estava marcado como “urgente” e “sigiloso”, mas não tinha assinatura. A PF afirma que a resposta da empresa indica que o pedido chegou a ser enviado.
Para os investigadores, o grupo acessava de forma recorrente informações sigilosas de órgãos públicos.
Agora, falta descobrir quem abriu essa porta.
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.