Decisão do ministro deverá facilitar investigação de ativos no exterior.

Um dos maiores esquemas de fraude financeira na história do Brasil pode ganhar um novo capítulo fora do país.
O ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master, autorizou a Polícia Federal a utilizar mecanismos de cooperação internacional.
A medida abre caminho para que autoridades brasileiras solicitem apoio de outros países para localizar bens, rastrear recursos financeiros e reunir provas que estejam no exterior.
A autorização foi concedida após um pedido da Polícia Federal, que recebeu parecer favorável da PGR.
A cooperação internacional poderá ajudar a mapear bens e ativos ligados a operações destinadas a desviar recursos do conglomerado Banco Master.
Entre os patrimônios que despertam o interesse dos investigadores está um iate avaliado em cerca de R$500 milhões.
O veículo teria sido negociado por Daniel Vorcaro antes de sua primeira prisão, ocorrida em novembro do ano passado.
Caso informações sobre esse ou outros ativos sejam localizadas em outros países, elas poderão fundamentar futuros pedidos judiciais de bloqueio, apreensão ou até repatriação de recursos.
A decisão não significa que buscas internacionais já tenham começado, nem determina o bloqueio imediato de contas bancárias, imóveis ou outros bens fora do Brasil.
O despacho funciona como uma autorização prévia, permitindo que a Polícia Federal acione os canais de cooperação com mais facilidade.
Entre os instrumentos que poderão ser utilizados está o Tratado de Assistência Jurídica Mútua em Matéria Penal (MLAT).
O acordo permite a troca formal de informações, documentos e provas entre autoridades de diferentes países em investigações criminais.
Se houver necessidade, os pedidos serão encaminhados por meio do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O departamento atua como intermediário entre o Brasil e autoridades estrangeiras em solicitações para obtenção de provas, localização de patrimônio e eventual recuperação de ativos.
Esse tipo de procedimento é comum em investigações envolvendo lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Ao conceder previamente a autorização, o STF busca evitar que provas obtidas no exterior sejam posteriormente contestadas por questões processuais.
“A maior fraude bancária na história do Brasil”, foi assim que Fernando Haddad classificou o caso do Banco Master.
Agora, policiais e jornalistas estão revelando que o Vorcaro mantinha uma ampla rede de contatos com alguns dos nomes mais poderosos do Brasil.
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