A defesa da instituição diz manter operações regulares e afirma compromisso com transparência e solidez financeira.

A Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar um suposto esquema de fraudes na gestão do Banco Digimais. A instituição financeira é ligada a Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.
A suspeita central é que a situação real do banco teria sido escondida por meio de manobras contábeis.
A operação foi chamada de Miragem e contou com mais de 50 policiais federais que cumprem nove mandados na missão de busca e apreensão em São Paulo.
Também foi autorizada a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do bloqueio e sequestro de bens que podem chegar a R$670,3 milhões.
Edir Macedo aparece entre os investigados por ser proprietário do banco. Como ele mora no exterior, a PF não pediu mandado de busca e apreensão contra o bispo neste momento.
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A investigação se baseia em relatórios do Banco Central. De acordo com a Polícia Federal, esses documentos apontaram graves irregularidades na condução dos negócios pelos administradores da instituição.
Para a PF, o esquema teria envolvido a manipulação sistemática de balanços e resultados contábeis para ocultar a real situação econômico-financeira do Digimais e apresentar ao mercado e aos órgãos de controle uma imagem de solvência.
Na prática, o banco pareceria mais saudável do que realmente estava.
As apurações também indicam que essas manobras teriam permitido a supervalorização de ativos e a geração artificial de receitas na casa das centenas de milhões de reais.
Outro ponto investigado é a possível realização de operações financeiras ilegais em benefício da empresa controladora do banco.
A PF também apura se houve falsificação ou manipulação de dados inseridos em sistemas oficiais usados pelo Banco Central para fiscalizar o mercado financeiro.
O Digimais teria adotado práticas financeiras consideradas temerárias, comparadas por investigadores às do extinto Banco Master.
Os investigados podem responder, conforme a responsabilidade de cada um, por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, como:
gestão fraudulenta;
inserção de dados falsos em demonstrativos contábeis;
realização de operações de crédito proibidas pela legislação.
O Digimais nasceu em 1981, em Porto Alegre, com o nome Banco Renner. No início, atuava como financeira e depois expandiu suas operações para crédito direto ao consumidor, especialmente no financiamento de veículos.
Edir Macedo se tornou acionista minoritário em 2009. Anos depois, em 2020, assumiu o controle integral da instituição, que passou a operar como banco digital sob o nome Digimais.
Atualmente, o banco atua no mercado de crédito, com destaque para financiamento de automóveis, além de produtos voltados ao varejo, como CDBs e fundos de investimento distribuídos por terceiros.
A instituição já vinha enfrentando dificuldades. Em janeiro de 2025, uma tentativa de venda para o grupo BlueBank não foi concluída. Em abril de 2026, o BTG Pactual anunciou acordo para adquirir o controle acionário do banco, mas a conclusão ainda depende de etapas regulatórias.
Em nota, o Digimais afirmou que “mantém suas operações regulares, conduzindo sua estratégia de negócios com responsabilidade, disciplina e foco na perenidade das operações”.
A instituição também disse que mantém “compromisso inabalável com a transparência, a solidez financeira e a prestação de informações consistentes a todos os seus clientes, parceiros e públicos de interesse”.
Edir Macedo é um dos principais líderes evangélicos do Brasil e representa uma das fases mais marcantes do crescimento protestante no país.
Sua Igreja se insere na chamada terceira onda do protestantismo brasileiro, marcada pela expansão de denominações neopentecostais, pela presença na mídia, pela atuação nas comunidades e pela entrada cada vez mais forte no debate público.
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