Ir para o conteúdo principal
História•5 min de leitura

Conheça 5 brasileiros que quase ganharam o Prêmio Nobel

Um cientista nascido no país chegou a ganhar, mas ele teve sua cidadania retirada.

Por
Redação Brasil Paralelo
•Publicado em
Medalha do prêmio Nobel.
Fonte da imagem: CNN Brasil

Receba notícias gratuitamente em seu email

Próximo envio em
20h
12m
41s

Cerca de 29 brasileiros já receberam nomeações para o Prêmio Nobel entre 1901 e 1971. 

Os dados foram disponibilizados pela Fundação Alfred Nobel, que mantém os indicados em segredo por meia década. 

No entanto, nenhum dos sete brasileiros que receberam essas indicações acabou laureado. 

Conheça a história de 5 brasileiros que foram indicados.

Adolpho Lutz 

Suiços do Brasil - Adolpho Lutz
Foto de Adolfo Lutz. Imagem: Suíços no Brasil.

Nascido no Rio de Janeiro em 1855, Adolpho Lutz foi um dos maiores sanitaristas da história do Brasil e um pioneiro da medicina tropical. 

Ele passou um período no exterior, estudando em cidades como Leipzig, Estrasburgo, Praga, Viena, Londres e Paris. 

Sua curiosidade científica o trouxe de volta ao Brasil em 1892, onde se estabeleceu em São Paulo e passou a investigar epidemias. 

Ele não apenas assumiu a direção do Instituto Bacteriológico, mas também confirmou o papel do mosquito Aedes aegypti na transmissão da febre amarela.

O médico chegou a usar a si mesmo como cobaia em experimentos, sendo picado por mosquitos para provar a relação entre o inseto e a doença. 

Sua dedicação o levou a expedições por todo o país, pesquisando doenças como cólera, peste bubônica, febre tifoide, malária e hanseníase. 

Apesar de sua importante contribuição para a saúde pública, Adolpho Lutz não foi premiado pelo Nobel de Medicina em 1938, ano em que concorreu.

O prêmio daquele foi concedido ao fisiologista belga Corneille Jean François Heymans.

Antônio Cardoso Fontes 

Antonio Cardoso Fontes | Portal Fiocruz
Foto de Antônio Cardoso Fontes. Imagem: Fundação Oswaldo Cruz.

Nascido em Petrópolis (RJ), em 1879, Antônio Cardoso Fontes foi aluno de Oswaldo Cruz, dedicando sua vida à medicina e à saúde pública.

Ele se aprofundou no estudo do bacilo (Mycobacterium tuberculosis), bactéria responsável pela tuberculose.

Sua atuação também foi essencial nas campanhas de erradicação da febre amarela e da peste bubônica no início do século XX.

Além disso, ele ajudou a fundar a Faculdade de Ciências Médicas do Rio de Janeiro (UERJ), da qual foi o primeiro diretor. 

Ele foi indicado ao Nobel de Medicina em 1934, mas perdeu para o trio George Hoyt Whipple, George Richards Minot e William Parry Murphy, que estudavam anemia perniciosa.

Carlos Chagas

Doença de Chagas: um feito inédito da ciência brasileira - Casa de Oswaldo  Cruz
Foto de Carlos Chagas. Imagem: Fiocruz

Ele foi a primeira e única pessoa a descrever completamente uma doença infecciosa em todo o seu ciclo. 

Em 1909, ele detalhou não apenas o causador da doença de chagas, o Trypanosoma cruzi, mas também identificou o inseto que transmite e todas as manifestações da enfermidade. 

Além dessa descoberta, Chagas liderou a primeira campanha bem-sucedida do país contra a malária em 1905 e reorganizou todo o sistema sanitário brasileiro, como diretor-geral de Saúde Pública.

Chagas foi indicado duas vezes ao Prêmio Nobel de Medicina, em 1913 e 1921 , mas nunca foi laureado. 

César Lattes 

Quem foi César Lattes? Conheça a história do físico brasileiro | CNN Brasil
Foto de César Lattes. Imagem: CNN Brasil

Nascido em Curitiba (PR) em 1924, César Lattes foi um dos físicos brasileiros mais importantes do século XX. 

Aos 19 anos, ingressou na USP e se tornou aluno do professor ucraniano Gleb Wataghin. 

Sua maior façanha aconteceu em 1947, quando desvendou uma nova partícula subatômica conhecida como méson pi (píon). 

Essa partícula é responsável por unir prótons e nêutrons, explicando como se forma o núcleo do átomo.

A descoberta, publicada na prestigiada revista Nature, é considerada fundamental para a compreensão do núcleo do átomo e inaugurou um novo campo de estudos na física.

O Prêmio Nobel de Física de 1950 foi concedido a Cecil Frank Powell, chefe do laboratório onde Lattes trabalhava. 

O brasileiro não foi laureado, porque até 1960, a regra do Comitê do Nobel era premiar apenas o líder da equipe de pesquisa e não todos os seus integrantes.

Apesar de não ter o Nobel, Lattes se tornou um nome importante para a ciência brasileira, atuando na criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e do IMPA Instituto de Matemática Pura e Aplicada. 

  • Clique aqui e entenda as origens do programa nuclear brasileiro com a matéria “O Brasil tem bomba atômica? Conheça a história do programa nuclear brasileiro”

A plataforma Lattes, que reúne currículos acadêmicos de pesquisadores, é uma homenagem à sua contribuição.

[LEAD] Cobertura eleições

Manoel Dias de Abreu

Manuel Dias de Abreu – Wikipédia, a enciclopédia livre
Foto de Manoel Dias de Abreu. Imagem: Wikipédia.

Nascido em São Paulo em 1891, o médico radiologista Manoel Dias de Abreu foi o criador da abreugrafia, um método para diagnosticar tuberculose no pulmão. 

Atuando no Rio de Janeiro em meio a uma epidemia da doença, ele percebeu que as pessoas só procuravam tratamento em fases já avançadas.

Sua invenção, uma técnica de radiografia, permitia o diagnóstico precoce e em massa da tuberculose de forma rápida e barata. 

A abreugrafia se tornou um pré-requisito para ingresso em escolas, alistamentos e empregos, sendo essencial para reduzir os casos fatais da doença. 

Pelo seu invento, Manoel de Abreu foi indicado três vezes ao Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia, em 1946, 1951 e 1953. No entanto, nunca ganhou.

O único brasileiro que ganhou perdeu a cidadania

Peter Brian Medawar nasceu na cidade de Petrópolis, em 1915, filho de um brasileiro de origem libanesa e uma britânica.

Aos 13 anos de idade, Medawar se mudou para o Reino Unido, onde estudou com sua irmã na Marlborough College. 

Em 1935, ele se formou em zoologia no Magdalen College, da Universidade de Oxford e fez doutorado na mesma universidade, focando em áreas relacionadas à biologia e patologia.

Durante a Segunda Guerra Mundial ele começou a estudar a rejeição de implantes usados no tratamento de queimaduras.

Suas pesquisas o levaram a investigar o sistema imunológico, descobrindo como era possível fazer o corpo deixar de rejeitar os transplantes.

Os estudos foram responsáveis pelo desenvolvimento do soro antilinfocitário, usado para controlar a rejeição pós transplante.

Apesar de ter nascido no Brasil, é considerado um cientista britânico, porque perdeu a cidadania ao não se alistar para as forças armadas aos 18 anos.

Na época, o governo considerava que uma pessoa não poderia ser considerada cidadã se não comparecesse ao alistamento militar.

O jornalismo da Brasil Paralelo existe graças aos nossos membros

Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa. 

Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos. 

Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo. 

Clique aqui

[LEAD] Cobertura eleições
[LEAD] Cobertura eleições