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Caso Mariana Ferrer volta à Justiça após decisão unânime do STF

Supremo anulou a audiência em que Mariana foi ouvida e determinou que o processo seja retomado com outro juiz e outro promotor.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
André Aranha e Mariana Ferrer
Fonte da imagem: Reprodução

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Em 2018, uma das festas mais exclusivas de Florianópolis terminou em um dos casos judiciais mais discutidos do país.

Mariana Ferrer diz que foi levada para uma área reservada da festa e que, ali, foi estuprada. O empresário André de Camargo Aranha sempre negou o crime e acabou absolvido por falta de provas.

O caso ganhou visibilidade e acabou dando nome a uma lei e também criou o termo “estupro culposo”.

Anos depois, por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou a audiência de instrução em que Mariana foi ouvida e todos os atos processuais que vieram depois dela.

Com isso, ficam sem efeito a sentença e a decisão que haviam absolvido o empresário da acusação de estupro de vulnerável.

O processo agora volta para a primeira instância, em Santa Catarina, e deverá ser retomado a partir da fase de instrução. O novo andamento será feito com outro juiz e outro integrante do Ministério Público.

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A decisão não significa condenação de André Aranha.

O que o STF decidiu foi que uma etapa central do processo foi conduzida de forma irregular e precisa ser refeita.

A história ganhou repercussão nacional em 2020, quando imagens da audiência vieram a público. No vídeo, Mariana aparece sendo questionada de forma agressiva pela defesa do acusado.

O relator, Alexandre de Moraes, afirmou que Mariana foi humilhada e submetida a tratamento cruel durante o ato. Para ele, o depoimento não poderia ser usado como prova válida.

“Não há nenhuma dúvida de que houve total desrespeito aos direitos fundamentais da vítima. Houve revitimização, tratamento cruel e desumano. É vergonhoso a forma como a vítima foi tratada durante a audiência”.

O ministro também apontou falha na atuação do juiz e do Ministério Público, que não intervieram para conter os abusos.

Luiz Fux seguiu a mesma linha e fez uma crítica direta à condução da audiência.

“Vi uma cena que nunca imaginei na minha vida. Um magistrado assistir passivamente a agressão de uma pessoa que foi vítima”.

Além de decidir sobre o caso concreto, o STF fixou uma regra para situações semelhantes. A Corte definiu que provas produzidas em processos de crimes sexuais com desrespeito à dignidade, honra, intimidade ou integridade psicológica da vítima podem ser anuladas.

As audiências em casos desse tipo também deverão ser gravadas, com concordância da vítima e preservação do sigilo.

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Defesa de André Aranha pede que a absolvição fosse mantida

A defesa de André Aranha havia pedido a manutenção da absolvição. O argumento foi que o conjunto de provas do processo não permitia sustentar a denúncia.

Com a decisão do STF, o caso não se encerra. Ele volta ao início da fase de produção de provas.

O caso Mariana Ferrer envolve muitos detalhes, versões, decisões judiciais e consequências públicas.

O episódio do Investigação Paralela sobre o tema aprofunda os bastidores do processo, explica a origem da expressão “estupro culposo” e mostra como o caso mudou a legislação brasileira.

Clique aqui e assista ao Investigação Paralela sobre o caso Mariana Ferrer.

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