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Educação•5 min de leitura

Trauma de Felca alerta pais: como a presença dos pais pode proteger as crianças contra os efeitos do bullying

Influenciador revelou que sofreu agressões durante anos. Pesquisa com mais de 300 mil estudantes mostra como a presença dos pais pode ajudar crianças que enfrentam violência na escola.

Por
Gabriel Costa
•Publicado em
O influenciador Felca diante de um microfone
Fonte da imagem: —

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Quando terminou o ensino médio, Felca desistiu de entrar na faculdade. Depois de anos sofrendo bullying, a ideia de voltar a uma sala de aula era insuportável.

O influenciador contou sua história em um vídeo publicado nesta terça-feira (20), Dia Mundial de Combate ao Bullying.

As agressões começaram aos 12 anos. Em um dos episódios, cinco colegas maiores o espancaram no banheiro da escola. Ele ficou sozinho, chorando, antes de conseguir voltar para a sala.

As consequências continuaram muito depois do fim das aulas.

Hoje, Felca enfrenta fobia social e revelou que chegou a recorrer ao álcool para conseguir gravar vídeos e participar de eventos.

O relato levanta uma preocupação para pais e educadores. Como perceber que uma criança está sofrendo antes que o problema se agrave?

O que muda quando uma criança sabe que pode contar com os pais

Em 2019, pesquisadores da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, analisaram informações de 301 mil estudantes de 615 escolas.

O estudo, publicado na revista School Psychology, identificou uma relação entre o envolvimento dos pais e a saúde mental dos adolescentes.

Alunos que percebiam seus pais como presentes na vida escolar apresentavam menos problemas emocionais e menos pensamentos e comportamentos suicidas.

O estudo não comprova que a presença dos pais impeça o bullying. Mas aponta que o envolvimento familiar está associado a melhores condições emocionais.

E existe um detalhe importante. O que conta é também a maneira como os filhos percebem essa presença.

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A confiança começa antes da adolescência

Uma criança que encontra espaço para contar pequenas dificuldades aos cinco anos pode se sentir mais segura para compartilhar problemas maiores na adolescência.

Essa confiança é construída na rotina.

O programa Conta pra Mim, lançado pelo Ministério da Educação em 2019, incentiva os pais a conversar e ler com os filhos desde a primeira infância.

Uma das práticas recomendadas é a leitura dialogada, em que o adulto faz perguntas, escuta as respostas e conversa sobre o que os personagens vivem, estimulando o diálogo entre pais e filhos.

Dez minutos de leitura podem se tornar um momento diário de atenção exclusiva.

Ao conversar sobre um personagem que enfrenta o medo ou uma injustiça, os pais também encontram oportunidades para ouvir o que a criança sente.

Um hábito que começa em casa

Essa aproximação também está entre as propostas do Clubinho do Livro da Brasil Paralelo.

A coleção Pindorama apresenta aventuras ilustradas sobre personagens e acontecimentos da história do Brasil, trabalhando virtudes como coragem, amizade e responsabilidade.

A proposta é incentivar momentos de leitura compartilhada entre pais e filhos.

Nenhum livro substitui o cuidado dos adultos ou a responsabilidade da escola diante do bullying.

Mas uma conversa construída todos os dias pode ajudar a criança a reconhecer que, quando algo estiver errado, existe alguém disposto a escutá-la.

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