Saúde5 min de leitura

Brasileiro cria plataforma que ajuda a tratar câncer na cabeça e ganha prêmio internacional

Tecnologia usa ultrassom guiado por inteligência artificial para abrir barreira que dificulta o tratamento de doenças cerebrais

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Dr. Victor Menezes
Fonte da imagem: Arquivo Victor Menezes

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Um estudo desenvolveu um sistema de inteligência artificial capaz de prever o momento em que um tratamento no cérebro pode se tornar perigoso, antes que o dano aconteça.

Entre os autores da pesquisa está o brasileiro Victor Menezes, doutorando em bioengenharia na Georgia Institute of Technology, nos Estados Unidos.

Victor ficou em primeiro lugar entre quase 100 trabalhos apresentados ao Congresso anual de Biópsia Líquida.

O trabalho foi publicado na revista Advanced Science e, em janeiro, também foi escolhido o artigo do ano no programa de Bioengenharia da instituição.

Descoberta enfrenta o principal obstáculo do tratamento

Para entender a descoberta, é preciso primeiro conhecer o obstáculo que ela ataca: a barreira hematoencefálica.

Essa é uma camada extremamente fina que protege o cérebro de substâncias estranhas, mas que também impede a entrada da maioria dos remédios e ferramentas de diagnóstico.

É por causa dela que tratar ou identificar doenças cerebrais, como tumores, costuma ser tão difícil.

Uma forma de contornar esse obstáculo é usar ultrassom combinado com microbolhas de gás, que abrem pequenas passagens temporárias na barreira.

O problema é o controle: pouco ultrassom não tem efeito algum, mas ultrassom em excesso faz as bolhas colapsarem e pode danificar o tecido cerebral.

Foi nesse ponto que a equipe fez os maiores avanços

Eles criaram um sistema que monitora, em tempo real, os sinais sonoros emitidos pelas microbolhas durante o tratamento e ajusta o ultrassom antes que o risco apareça, em vez de reagir depois que o problema já ocorreu.

Para chegar a esse resultado, o modelo de inteligência artificial foi treinado com mais de 54 mil conjuntos de dados coletados em experimentos com ultrassom.

Isso permitiu ao sistema reconhecer padrões sonoros que antecipam o comportamento das bolhas antes que ele se torne prejudicial.

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Descoberta amplia a janela de segurança do tratamento

Segundo Menezes, torna-se possível administrar terapias mais avançadas no cérebro. Isso inclui tratamentos genéticos que hoje não conseguem atravessar a barreira ou que exigiriam doses arriscadas demais para chegar até ela.

A tecnologia também abre outra possibilidade. O sistema consegue liberar pequenos marcadores de doenças cerebrais na corrente sanguínea com mais segurança.

Isso significa que o diagnóstico de câncer no cérebro poderia, no futuro, ser feito por meio de um exame de sangue, sem depender de procedimentos invasivos.

O estudo já foi testado com sucesso em camundongos e ratos, etapa considerada essencial antes de qualquer avanço para uso em humanos. Segundo os pesquisadores, os próximos passos envolvem adaptar e validar o sistema para testes em pessoas.

Para o neurocirurgião Graeme Woodworth, da Universidade de Maryland, também autor do artigo, a pesquisa deve influenciar diretamente o uso clínico futuro do ultrassom focalizado.

Se confirmada em humanos, a tecnologia pode mudar a forma como médicos acompanham pacientes com doenças cerebrais, reduzindo a necessidade de exames de ressonância magnética frequentes e tornando o monitoramento mais acessível.

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