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Mulher que foi barriga de aluguel se recusa a abortar e é processada por pais

Candidato ainda em condenações em outros dois processos diferentes.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
MxKenia West e Nausheen Gilkar e Omar Ahmed
Fonte da imagem: Reprodução

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O casal californiano Nausheen Gilkar e Omar Ahmed tentava ter um filho, mas não conseguia

Depois de oito tentativas frustradas de fertilização in vitro e de uma histerectomia, eles recorreram à enfermeira do Alasca McKenna West para atuar como barriga de aluguel

Parecia que a família se preparava para receber o bebê tão esperado. No entanto, durante a gestação, um diagnóstico mudou completamente o rumo da história

A gravidez seguiu normalmente até a 20ª semana, quando exames identificaram que o bebê apresentava síndrome da hipoplasia do ventrículo esquerdo, uma grave malformação cardíaca congênita

Apesar de poder ser letal, médicos informaram que havia possibilidade de tratamento por meio de cirurgias realizadas logo após o nascimento.

Os pais biológicos pediram a interrupção da gravidez, enquanto West se recusou a abortar a criança e decidiu lutar para que ela tivesse acesso ao tratamento médico. 

  • A Brasil Paralelo investigou a fundo os principais argumentos contra e a favor da prática no documentário Duas Vidas. Assista completo abaixo:

Enfermeira quebrou contrato para salvar bebê

O contrato de barriga de aluguel previa uma cláusula que permitia aos pais solicitar um aborto caso fossem identificadas "anomalias fetais". 

A enfermeira afirma que chegou a questionar essa cláusula antes da assinatura, mas recebeu da agência responsável a informação de que isso não mudaria.

"Eu sabia que não queria passar por um aborto. Eu não queria que a vida desse bebê fosse interrompida precocemente", afirmou West.

Enfermeira especializada em cardiologia, West disse acreditar que a criança tinha chance de sobreviver caso com o tratamento adequado.

"Como enfermeira de cardiologia, eu sabia que essa criancinha tinha grandes chances de sobreviver se recebesse o tratamento necessário."

West escolheu levar a gestação para o Texas, onde o Hospital Infantil de Dallas, que tem histórico de sucesso em procedimentos nesse tipo de cardiopatia.

Segundo ela, o casal deixou de pagar as despesas da gravidez após sua decisão de não interromper a gestação.

O menino nasceu em 12 de agosto e recebeu da enfermeira o nome de Gabriel. Os pais biológicos o chamam de Rumi.

Pouco depois do parto, o recém-nascido passou por sua primeira cirurgia cardíaca e permanece internado no Texas, recebendo tratamento.

Segundo West, ela pôde permanecer com o bebê por apenas cerca de um minuto antes que o casal assumisse sua custódia física.

"Nenhuma mulher deveria ser forçada a matar o bebê em seu ventre. Mais importante ainda, toda criança merece uma chance de viver", escreveu a enfermeira em artigo de opinião.

Ela afirma que não busca criar a criança, mas apenas garantir que o bebê continue recebendo o tratamento necessário.

"Só estou pedindo que eles se comprometam a fornecer o tratamento vital de que ele precisa."

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O caso entrou na Justiça.

O procurador-geral do Texas, Ken Paxton, obteve uma ordem judicial para impedir que o bebê fosse retirado do estado.

Esse mesmo documento determina que os hospitais fornecessem os cuidados médicos considerados essenciais à sua sobrevivência.

Ao mesmo tempo, West passou a enfrentar restrições judiciais que a impedem de manter contato com a criança enquanto a disputa sobre os direitos parentais continua.

Já os pais biológicos sustentam que sempre buscaram o melhor para o filho.

Após o nascimento, Rumi passou por diversos exames e pela cirurgia de Norwood, procedimento utilizado em casos de hipoplasia do ventrículo esquerdo

Segundo informações apresentadas em audiência, o bebê permanece em estado crítico e deverá seguir internado na UTI por pelo menos mais um mês.

Enquanto isso, West tenta obter a guarda da criança e sustenta que decidiu levar a gravidez adiante porque acreditava que o bebê merecia a oportunidade de viver.

"Eu sabia que ele merecia ser protegido e que merecia uma chance."

Pais querem indenização pelo filho ter nascido 

Além da disputa pela guarda, os pais biológicos moveram uma ação contra West alegando quebra do contrato de barriga de aluguel

Segundo o processo, ela teria descumprido a cláusula que previa a interrupção da gestação em caso de anomalias fetais.

Eles pedem indenização superior a cerca de R$500 mil. O valor aumentou em uma ação de aproximadamente R$1 milhão, incluindo devolução de valores pagos e indenizações.

O aborto é uim dos temas mais sensíveis debatidos no mundo, porém a discussão parece girar em torn de slogans e frases de efeito.

A Brasil Paralelo investigou a fundo os principais argumentos contra e a favor da prática no documentário Duas Vidas. Assista completo abaixo:

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