Aliados de Zelensky são acusados de desviar US$100 milhões

Uma investigação de 15 meses conduzida por agências anticorrupção da Ucrânia revelou um esquema que desviou cerca de US$100 milhões (R$533 milhões) da empresa estatal de energia nuclear do país, a Energoatom.
O caso expôs aliados próximos do presidente Volodymyr Zelensky e já está sendo considerado o maior escândalo político desde o início da invasão russa.
A operação, batizada de “Midas”, foi conduzida pelo Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) e pela Procuradoria Anticorrupção Especial (SAP).
As descobertas incluem áudios secretos, registros bancários e documentos que detalham como contratos públicos eram manipulados para gerar propinas de até 15% para pessoas ligadas ao escalão do governo.
Segundo os investigadores, empresas privadas pagavam propinas para obter contratos com a Energoatom.
O dinheiro era distribuído por uma rede informal de supervisores, que operavam de forma paralela ao Estado, lavando os recursos por meio de escritórios e transações secretas em Kiev.
O líder da organização, de acordo com o NABU, é Timur Mindich, empresário e ex-sócio de Zelensky na produtora Kvartal 95.
Ele teria coordenado o desvio de recursos e a construção de mansões com dinheiro ilícito. Mindich fugiu do país antes de ser preso e está sob investigação.
O esquema incluía o uso de codinomes como "Che Guevara", "Professor" e "Carlson", para evitar identificação.
Um dos envolvidos chegou a ser gravado por uma escuta se queixando de dores nas costas por carregar sacolas cheias de dinheiro.
Cinco envolvidos já foram presos. Além da Energoatom, os investigadores agora apuram um segundo esquema de corrupção ligado à compra superfaturada de coletes à prova de balas do tipo chinês pelo Ministério da Defesa.
O ex-ministro Rustem Umerov, atual secretário do Conselho de Segurança, nega irregularidades.
A operação continua em andamento e pode durar até um ano. Autoridades europeias já demonstraram apoio às investigações e deixaram claro que futuras ajudas estarão condicionadas à adoção de reformas e punições aos responsáveis.
A Brasil Paralelo já havia falado sobre acusações de corrupção no governo Zelensky em um especial do programa Face Oculta. Clique aqui para assistir completo sem pagar nada.
Entre os principais nomes apontados pelos investigadores como envolvidos no caso estão:
O presidente Zelensky afirma não ter envolvimento direto com o esquema e tem apoiado publicamente as investigações. Ele determinou a saída dos ministros envolvidos e prometeu punições:
“Está extremamente difícil para todos na Ucrânia neste momento. Enfrentando quedas de energia, ataques russos, perdas. É absolutamente anormal que ainda haja alguns esquemas no setor de energia… Agora todos nós precisamos proteger a Ucrânia.”
Zelensky, porém, enfrenta pressão crescente. Parlamentares da oposição exigem um novo governo de unidade nacional e questionam a proximidade do presidente com os envolvidos.
O chefe de gabinete presidencial, Andrii Yermak, é alvo de críticas, embora não tenha sido acusado formalmente.
As denúncias chegaram em um momento delicado. Com metade do país sem energia por causa dos ataques russos, o desvio de verbas do setor energético soou como uma afronta à população.
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