Por que a beleza importa?
A beleza conecta o ser humano com algo imaterial. É possível ter utilidade sem ter beleza, mas quando ela está presente, atos, ritos, símbolos, ações, enfim, as atividades humanas ganham todas um significado a mais. Vinculada ao que é Bom e Verdadeiro, a Beleza é agradável aos olhos e se conecta ao transcendente.
Há um ditado popular que diz o seguinte: “A beleza está nos olhos de quem vê”. Mas se ela realmente está nos olhos de quem vê, como a humanidade tem visto o mundo?
O conceito e as formas da beleza mudaram durante a história. Mas nada foi tão impactante e drástico como a mudança que ela sofreu na modernidade. O último século relativizou a ideia de beleza.
- Um dos conceitos clássicos que foi derrubado pela modernidade é a ideia de poética na arte. Entenda este conceito aristotélico.
Nas artes, músicas, arquitetura, urbanismo, perdeu-se a preocupação com a beleza. O que ficou muitas vezes são formas utilitaristas ou chocantes.
Cidades que parecem verdadeiros mares de concreto. Sem forma, sem cor e, no fim, sem beleza. Intervenções artísticas que não comunicam uma mensagem bela e concreta, que chocam os espectadores.
Para o filósofo contemporâneo Sir Roger Scruton:
“Em qualquer tempo, entre 1750 e 1930, se se pedisse a qualquer pessoa educada para descrever o objetivo da poesia, da arte e da música, eles teriam respondido: a beleza. E se você perguntasse o motivo disto, aprenderia que a beleza é um valor tão importante quanto a verdade e a bondade.
Então, no século XX, a beleza deixou de ser importante. A arte, gradativamente, se focou em perturbar e quebrar tabus morais. Não era beleza, mas originalidade, atingida por quaisquer meios e a qualquer custo moral, que ganhava os prêmios.
Não somente a arte fez um culto à feiura, como a arquitetura se tornou desalmada e estéril. E não foi somente o nosso entorno físico que se tornou feio: nossa linguagem, música e maneiras, estão ficando cada vez mais rudes, auto centradas e ofensivas, como se a beleza e o bom gosto não tivessem lugar em nossas vidas.
Uma palavra é escrita em letras garrafais em todas estas coisas feias, e a palavra é: EGOÍSMO. ‘Meus lucros’, ‘meus desejos’, ‘meus prazeres’. E a arte não tem o que dizer em resposta, apenas: ‘Sim, faça isso’
Penso que estamos perdendo a beleza e existe o perigo de que, com isso, percamos o sentido da vida”.
Este trecho foi retirado de seu documentário “Por que a Beleza Importa”. Para Scruton, a beleza é objetiva, concreta e leva o espectador ao bem.
Aos poucos, o desafio e o desejo de revolucionar, produziu chocantes espetáculos. Diante de todo este cenário, uma pergunta perdura:
Para que serve a arte?
Para uns, a arte serve para chocar, escandalizar e romper todas as fronteiras do pensamento humano. Enquanto outros acreditam que a arte toca no íntimo da alma humana, servindo de ponte entre Deus e o homem.
E afinal, para que serve a arte?
- Não perca a próxima produção da Brasil Paralelo, O Fim da Beleza. Decidimos investigar os novos conceitos de beleza que apareceram no campo do urbanismo, da arquitetura, das artes e do comportamento. Além disso, revelaremos como, desde o iluminismo, temos nos afastado das ideias e dos valores que sustentam nossa história e nossa civilização. Assista gratuitamente.
Dentro do conceito clássico de arte, há uma divisão em sete categorias.
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Os tipos de arte
Em 1923, Ricciotto Canudo, um intelectual italiano, publicou o “Manifesto das Sete Artes”. Este foi o ponto mais importante para definir quais são as sete artes clássicas: as principais artes do belo.
- As artes do belo estão intimamente ligadas aos conceitos de tradição e cultura ocidental.
Antes da publicação do manifesto, diversos filósofos haviam já debatido sobre o tema, sem encontrar consenso.
A lista ainda é discutida, já que deixou de fora outras artes famosas e importantes. Alguns exemplos são: o teatro, a fotografia e o ilusionismo.
Canudo defendeu o cinema como uma das artes mais importantes e adicionou-a na lista das artes antigas feita pelo filósofo Hegel.
O argumento em defesa da concepção de Ricciotto e da linha classicista alega que, as artes não inscritas na lista, são na verdade junções das sete artes clássicas. O teatro, por exemplo, seria a combinação entre literatura, gravura, dança, música e pintura.
Embora o debate continue, a definição de Ricciotto é a mais famosa e a mais utilizada pelos intelectuais e artistas. Ele dividiu as artes do belo da seguinte maneira:
- Arquitetura;
- Escultura;
- Pintura;
- Música;
- Dança;
- Literatura;
- Cinema.
Atualmente, a ordem que possui maior consenso entre os estudiosos é diferente. O documentário “A Primeira Arte”, da Brasil Paralelo, explica uma das razões.
Devido à descoberta de que o ser humano, desde antes do nascimento, possui conexão com sons, melodias, e até mesmo músicas, a música foi posta em primeiro lugar.
A audição é o primeiro dos sentidos a se desenvolver por completo.
Dessa maneira, a ordem mais utilizada para listar as sete artes nos dias de hoje é a seguinte:
- Música;
- Dança;
- Pintura;
- Escultura;
- Arquitetura;
- Literatura;
- Cinema.
“Se qualquer coisa pode ser considerada arte, então a arte deixa de ter relevância”. Roger Scruton
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