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Quem foi Platão? Explicamos sua vida, obra e filosofia

Redação Brasil Paralelo
Redação Brasil Paralelo

Ainda hoje é importante saber quem foi Platão, porque a influência de sua filosofia permanece viva na cultura Ocidental. Suas ideias e seu legado sobre a vida de Sócrates influenciou nomes como Agostinho de Hipona. Sua alegoria da caverna continua a ser interpretada e permanece atual.

É um dos filósofos mais conhecidos e estudados, principalmente por ter se dedicado a publicar os Diálogos de seu mestre, Sócrates. Mas não só isso, ele também foi o responsável pela imortalização de citações de outros filósofos da Grécia Antiga, entre os quais se destacam Parmênides, Heráclito e Pitágoras.

Muitos dos escritos destes filósofos se perderam, e Platão foi fundamental para termos acesso ao que ensinavam. Aristóteles também foi responsável por conhecermos a filosofia de muitos deles, já que ele escrevia o que eles defendiam a fim de refutá-los.

Além de conhecer quem foi Platão, assista também aos documentários que já produzimos. A Brasil Paralelo tem a missão de resgatar os bons valores, ideias e sentimentos no coração de todos os brasileiros. Conheça o nosso trabalho.

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Biografia de Platão — A vida e a obra

Quem foi Platão? Foi um filósofo grego, discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles. Está entre os principais filósofos gregos, cuja influência inspirou toda a Civilização Ocidental.

Em sua obra, destacam-se a Teoria das Ideias ou Teoria das Formas e sua filosofia política no livro “A República”, no qual se encontra o mito da caverna.

Quem quiser saber quem era Platão pode não saber que seu nome verdadeiro era Arístocles. Ele foi apelidado de Platão por causa de suas costas e ombros largos.

Nasceu em Atenas em 428 a.C. e morreu em 347 a.C. Sua família era politicamente influente na Grécia, pois eram descendentes de Sólon, um dos maiores legisladores que já existiu.

Como a família detinha posses, ele foi um jovem aristocrata que pôde dedicar-se aos estudos. Sua formação envolveu leitura, escrita, música, pintura, poesia, ginástica e filosofia, entre outras.

Ele seguia Sócrates e prestava atenção em todos os seus Diálogos. Tinha capacidade de escrever e tomava notas.

Diferentemente de seu mestre, Platão deixou Atenas diversas vezes. Viajou para Megara, onde estudou geometria; foi ao Egito, onde aprendeu astronomia; aprendeu mais sobre matemática em Cirene, na África; e até mesmo o sul da Itália conheceu, tendo estudado em Crotona, onde reuniu-se com discípulos de Pitágoras.

Desde jovem interessou-se pela política, mas com o tempo acabou decepcionando-se com Atenas. Com a morte de Sócrates, ele preferiu dedicar-se à filosofia do que à carreira política.

Ele vivenciou inclusive o período em que o regime democrático ateniense se tornou uma tirania oligárquica no mesmo modelo de Esparta. Foi a Tirania dos 30, instalada quando Atenas perdeu a Guerra do Peloponeso para Esparta.

Falando em tirania, entenda como foi a Ditadura Militar no Brasil assistindo ao nosso documentário sobre o período: 1964 – O Brasil entre Armas e Livros.

A Academia Platônica

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Quando retornou à sua cidade natal, onze anos após a morte de seu mentor, fundou a Academia de Atenas em 388 a.C. para ensinar filosofia, ciências, matemática e geometria.

Havia exigências para entrar na Academia de Platão, por exemplo, os jovens deveriam ter boa condição física e conhecimento de geometria. O próprio Platão participou dos jogos Olímpicos como lutador.

Sua escola era diferente daquelas que existiam, que eram de retórica e oratória. As famílias abastadas colocavam seus filhos para aprenderem a se expressar melhor e defender em praça pública seus interesses. A cidade estava se desenvolvendo rapidamente e demandava dos jovens muita eloquência e habilidade de argumentação.

Muitos sofistas eram professores de oratória. Górgias, por exemplo, era um sofista que dizia que a verdade não existia e que se existisse não poderia ser conhecida. Em suas aulas, ensinava como convencer qualquer pessoa de qualquer coisa. Nisto, vemos porque Sócrates e Platão não gostavam dos sofistas.

Ele também combateu os vícios mostrados nos deuses da mitologia grega. Saiba mais sobre isso em nosso artigo sobre a importância do mito nos dias de hoje.

Platão queria estruturar a filosofia de uma forma diferente e dar respostas mais elaboradas, formando disciplinas.

Ele respondeu, por exemplo, as seguintes perguntas:

  • Como conhecemos?
  • O que é a alma humana e como ela se estrutura?
  • O que é ser bom e o que é o bem?
  • Qual é o sistema político ideal?

Era um continuador de Sócrates, mas não apenas perguntava. Ele buscou responder. Há Diálogos em que Platão apresenta um Sócrates que responde e não apenas questiona.

  • Além de escrever sobre quem foi Platão, também escrevemos sobre quem foi Sócrates. Leia o artigo que já escrevemos sobre ele.

Giovanni Reale foi um famoso filósofo italiano que dedicou-se a estudar o ensino da Academia Platônica, porque escrevia textos sobre a parte didática das disciplinas. A Carta Sétima de Platão contém um trecho no qual ele diz que existem coisas sobre as quais não podia escrever.

Ele ensinava coisas sobre as quais não escrevia. Os livros didáticos de sua Academia foram perdidos, restando apenas os livros escritos para divulgação. Sua Academia contrariava Górgias e Isócrates, também muito famoso na época.

Nas escolas desses sofistas, a Filosofia vinha primeiro e a oratória era a mais importante, porque envolvia falar e construir discursos. A Filosofia era instrumento do bem falar.

Platão fez o contrário, exigindo o amadurecimento antes do aprendizado da Filosofia, a principal entre as disciplinas.

Ele criou um sistema de ensino no qual primeiro o jovem precisava ser bom em educação física e geometria. Na sequência, aprendia-se a oratória, a escrita, a literatura. Enfim, ensinava-se a Filosofia.

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O método dialético

Ao retratar os Diálogos de Sócrates, ele introduziu na Filosofia o método dialético, isto é, o diálogo, perguntas e respostas, questionamentos em busca da verdade.

Seus personagens tratam de diversos temas da vida humana, seja na esfera pública ou privada.

Alguns dos principais temas abordados foram:

  • Alma humana;
  • Arte;
  • Medicina;
  • Sofrimento;
  • Prazer;
  • Política;
  • Justiça;
  • Religião;
  • Vício;
  • Virtude;
  • Castigo;
  • Natureza humana;
  • Sexualidade;
  • Amor;
  • Sabedoria.

Platão foi um filósofo muito consistente, filosofando de forma sistemática e rigorosa no exame dos assuntos. Usava o método dialético em assuntos políticos, metafísicos, éticos e epistemológicos. Certamente, ele está entre os mais importantes da Antiguidade Clássica.

Alguns de seus alunos se destacam, como Críton e Xenofontes, mas o principal foi Aristóteles, filósofo que retomou a Filosofia de seus antecessores, argumentou contra o que via de errado e propôs correções. Sem dúvidas, um intelectual imortalizado.

Mesmo tendo aprendido muito com Platão, resolveu seguir caminhos diferentes do mestre e também discordou dele. Em nossos artigos sobre Aristóteles, detalharemos mais sobre isto.

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Principais ideias e características da filosofia de Platão

Para entender melhor quem foi Platão, precisamos entender vários aspectos de sua filosofia. Explicaremos, separadamente, como a dialética, o racionalismo, o realismo e o idealismo estão presentes em sua concepção de mundo, mas saiba que tudo isso faz parte do mesmo sistema explicativo.

A seguir, perceba como tudo isso será necessário para compreender a Teoria das Formas e o Mundo das Ideias.

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Dialética

Este é o nome da técnica para alcançar uma conclusão a partir do diálogo, do debate entre ideias divergentes. A partir de um debate, alcançava-se um entendimento que resolvia as questões iniciais, geradoras da discussão.

Racionalismo

Para ele, o raciocínio é uma forma de se chegar a conclusões, utilizando a operação mental discursiva pelo caminho da lógica. O método dialético facilitava o uso da razão, para perceber o que fazia sentido e o que não fazia.

A partir de premissas, estruturando o pensamento, seria possível alcançar um entendimento que não existia antes do diálogo.

Realismo

Isto significa que Platão acredita na existência de ideias universais, que são as formas ideais. Por que o nome realismo? Porque ele defendia que as ideias perfeitas existiam realmente.

Sócrates buscava por definições, conceitos. Platão dizia que a ideia de brancura (ser da cor branca), por exemplo, existia de fato.

No diálogo Mênon, ele defendia que antes de nascermos, já teríamos visto as ideias em si mesmas, as ideias reais. Aqueles que já viram muitas ideias conseguem reconhecê-las mais facilmente neste mundo.

Idealismo

Isto significa que a verdadeira realidade não está neste mundo, sendo alcançada somente pela razão com a abstração. Segundo Platão, todas as coisas possuíam uma forma pura, livre de aparências. Estas ideias das coisas, seriam universais, puras e perfeitas, representando a essência.

Trata-se de um conhecimento inteligível, alcançado somente com a razão e não com os sentidos, fonte de obtenção do conhecimento sensível.

“Este objeto que estou vendo agora tem tendência para assemelhar-se a um outro ser, mas, por defeitos, não consegue ser tal como o ser em questão, e lhe é, pelo contrário, inferior”.

Alcançando-se estas formas puras, alcançava-se um conhecimento verdadeiro da coisa em si mesma. Ele enfatizou isto porque ensinava que o conhecimento obtido a partir dos sentidos, o conhecimento apenas da parte material das coisas, era enganoso.

Teoria das Ideias de Platão ou Teoria das Formas

Sua teoria das ideias também pode ser dita como Teoria das Formas. Basicamente, ensinou que o que vemos possui uma essência e suas características acidentais.

Uma cadeira pode ser de madeira ou de ferro, ter três ou quatro pernas, mas continuará sendo uma cadeira. A cor, o material de que é composta, sua aparência… tudo isso é um acidente. O que faz com que a reconheçamos como cadeira é sua essência, o que permanece independentemente de suas características externas, visíveis.

Esta essência é a forma.

Assim, quando falamos de ideias em Platão, estamos falando do verdadeiro ser de cada coisa, de sua essência, isto é, aquilo que dá o formato. Por isso, a forma.

Para mais formações acesse a página de documentários da Brasil Paralelo.

Mundo das Ideias de Platão

Você conhece as ideias que falamos acima? Para Platão, elas existiam em algum lugar, já que tudo o que víamos era reflexo delas. Este seria um Mundo das Ideias, uma instância metafísica, não material, alcançada apenas com o uso da razão.

Nele, teria de haver exemplares perfeitos e completos de tudo o que vemos na realidade.

Neste mundo, estariam as ideias primordiais. Como já vimos, as formas perfeitas e imortais. As coisas que vemos na realidade desta vida são apenas sombras imperfeitas do que realmente existe no Mundo das Ideias.

Para alcançá-lo é preciso usar a razão e não os cinco sentidos do corpo.

Por exemplo, vemos vários cães diferentes, altos, baixos, magros, gordos, marrons, pretos, beges, etc. No Mundo das Ideias está a ideia de cão perfeito, sem características específicas.

Ele chamaria isto de “a caninidade”. Só reconhecemos um cão no mundo porque ele tem a qualidade da “caninidade” em menor ou maior grau.

Mas nenhum cão físico é perfeito. O que está representado idealmente no Mundo das Ideias, sim, sendo o cão por excelência.

Para alcançar uma ideia em si mesma, universal e não material, é preciso abstrair-se da aparência física e alcançar um conceito, uma definição imutável.

Dualismo

Para ele, havia duas substâncias, uma irredutível à outra. Platão separava a figura deste mundo físico, da figura do mundo abstrato – das ideias. O lugar onde se encontram estas formas perfeitas é o Mundo das Ideias.

Segundo ensinou, nosso mundo é o mundo sensível, diferente do Mundo das Formas. Nesta realidade, temos as coisas materiais, que são cópias do que existe na abstração do Mundo das Ideias.

O mundo sensível é imperfeito e mortal. Aqui, as coisas estão sempre mudando, por isso é possível haver falhas, o que não acontece na realidade abstrata, que é imutável.

Principais obras de Platão

Como responder quem foi Platão sem falar de suas obras? Seu estilo predominante era o diálogo. Os textos acontecem na forma de conversa, principalmente entre dois personagens.

O personagem principal de seus diálogos era Sócrates, de onde vem a maior parte dos ensinamentos que temos dele.

Os diálogos se baseiam em temas principais, como a discussão sobre o que é o amor, o que é a justiça, e afins. Conforme o raciocínio flui, pode haver desdobramentos e outros temas surgirem.

Um dos destaques vai para a “Apologia a Sócrates”, na qual ele descreve como Sócrates defendeu-se frente ao tribunal ateniense que injustamente o condenou à morte.

Há 35 Diálogos conhecidos, que costumam ter o nome do principal interlocutor que conversa com Sócrates. São compreendidos entre 4 períodos diferentes. Vamos expor os principais.

Diálogos Socráticos ou Diálogos da Juventude

  • Apologia de Sócrates: Trata-se da narrativa dos últimos momentos de Sócrates, tendo sido escrita logo após sua morte. A obra retrata a acusação que ele sofreu de corromper a juventude ateniense entre outras, e como ele foi julgado e sentenciado à pena de morte. Platão defendeu a inocência do mestre e seus ensinamentos.
  • Láques, ou Da coragem: Grandes nomes que serviam de exemplo de coragem aos gregos eram os heróis homéricos Ulisses e Aquiles. Platão apresenta a coragem em uma roupagem da razão, como uma ação moralmente equilibrada, justa e ética.
  • Cármides, ou Da Sabedoria: Neste diálogo a sabedoria é apresentada como o norte moderador da vida cotidiana.

Diálogos de Transição

  • Hípias menor: Discussão sobre a verdade, a mentira e o caráter.
  • Hípias maior: Discussão sobre as questões estéticas, sobre o que é o belo e o foco está nas artes.
  • Górgias: Nele, vemos o sofista Górgias, um dos maiores professores de oratória e retórica, debatendo-o com Sócrates.
  • Protágoras: O principal sofista helênico foi Protágoras, e é justamente ele quem dialoga com Sócrates, que expõe as farsas dos sofistas.
  • A República (Livro I): Apesar de sua posterior conclusão, vemos aqui a apresentação do que Platão considera o modelo ideal de política no governo da pólis.

Diálogos da Maturidade

  • Fédon: Diálogo no qual Platão expõe sua concepção de alma e outros assuntos que tocam a questão metafísica do homem.
  • O Banquete: Figurando entre os mais conhecidos, este diálogo discute o bem e o amor ideal.
  • A República (Livros II a X): Nestes livros, Platão continua suas considerações sobre política. Certamente, é a principal e mais conhecida obra. Ainda abordaremos mais detalhes sobre ela em uma seção dedicada a este assunto.

Diálogos da Velhice

  • Parmênides: O foco deste diálogo é a epistemologia, cujo foco é o conhecimento das formas e da essência das coisas.
  • Teeteto: Neste, o tema principal é o conhecimento científico e a própria ciência.
  • O Sofista: Mais uma vez, torna-se evidente a condenação à arte sofística.
  • Timeu: A abordagem principal volta-se para a natureza e sua constituição.

Este panorama geral das obras é importantíssimo para compreender quem foi Platão, acompanhando suas fases e seus temas.

Para mais conteúdo de formação, seja em filosofia, história ou política, assista aos nossos documentários.

A República

Este livro é tão importante para entender quais são as principais ideias de Platão que merece um comentário à parte. Além disso, entender resumidamente o que ele ensinou nesta obra é também uma forma de compreender quem foi Platão.

A República” é uma composição de 10 livros, como se fossem 10 capítulos. Pode-se dizer que ela funda a filosofia política ocidental.

Estes livros são considerados a primeira utopia política do Ocidente. É chamada utopia porque significa uma descrição do que seria uma sociedade ideal e não a descrição de uma cidade real.

É uma imaginação de como as coisas seriam melhores caso algumas condições fossem atendidas.

A estrutura de diálogo também está presente nesta obra e Sócrates é o personagem principal. A questão mais discutida é: Qual é o modelo ideal de governo?

Nos livros iniciais as questões são abertas, mas depois são feitas alegorias e dadas explicações. Assim, a tradição interpretou que era Platão falando através do personagem Sócrates nestes casos.

Platão desenvolve a ideia de governo perfeito baseando-se no idealismo e na busca pela verdade em si mesma, imutável.

O governo do rei filósofo

Em sua busca por um Estado ideal, elaborou um verdadeiro tratado sobre teoria política, com características democráticas e monárquicas, afinal, haveria um rei. O governo absoluto da cidade deveria ser concedido a um filósofo.

Ou um filósofo deveria ser rei, ou um rei deveria ser filósofo para a melhor condução da cidade. Afinal, só assim se teria um governante que enxergasse as coisas como são, pois o filósofo é aquele que consegue ver além do mundo sensível, ver as coisas como elas são.

“Enquanto os filósofos não forem reis, ou os reis não tiverem o poder da filosofia, as cidades jamais deixarão de sofrer”.

Por isso, ele entende de justiça, lei, virtudes, bem, coragem e tudo o mais. Com estas qualidades e habilidades, ele seria o mais sábio para governar.

A divisão da sociedade na República

Ao falar de política e da forma de governo da pólis, a cidade, Platão distinguia uma hierarquia com três degraus. Uma possível analogia é feita tendo a alma como referência. Platão ensinou que três tipos de caráter moldam a alma de uma pessoa.

Cada cargo na cidade relacionava-se a um desses caráteres e se isso fosse seguido, haveria harmonia na pólis.

Platão explica que a sociedade ideal deveria ter três tipos de camadas, com base nos três tipos de caráter da alma humana:

  1. Caráter concupiscível: Ligado à liberdade, aos desejos e aos trabalhos braçais, mecânicos.

Aqui está presente a primeira camada. As pessoas aqui seriam aquelas presas ao corpo e seriam encarregadas da distribuição de gêneros alimentícios para a comunidade, além de utensílios. São os agricultores, artífices e comerciantes.

  1. Caráter irascível: Ligado aos impulsos da ira, aos trabalhos militares.

Aqui está a segunda camada. Os presentes aqui são mais propensos a serem soldados e administradores. Platão considerava ideal que as crianças percebidas com caráter irascível fossem treinadas desde pequenas para a defesa da cidade. Inclusive, ele sugeriu que não conhecessem seus pais, para que pudessem defender a todos com a mesma bravura e disposição.

“Não eduques as crianças nas várias disciplinas recorrendo à força, mas como se fosse um jogo, para que também possas observar melhor qual a disposição natural de cada uma”.
  1. Caráter racional: Ligado ao uso do intelecto, ao senso de justiça e à capacidade de governar bem, logo, à política. Os melhores representantes neste caso, seriam os filósofos.

Aqui está presente a terceira camada. Nela encontram-se os filósofos governantes. Esta é a camada superior e mais capacitada, na qual se alcançou o melhor uso da razão. A estes deveria ser dado o poder político.

Você se lembra que foi dito que alguns, antes de nascer, viram as ideias? Alguns têm mais facilidade para se lembrar, outros não. Alguns não gostavam da Filosofia, então precisavam exercer outras atividades.

As almas que adquiriram mais compreensões de virtude, dever e sacrifício poderiam se dedicar ao corpo militar e administrativo.

O Mito da Caverna

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Entender o Mito da Caverna também é necessário para quem quer entender quem foi Platão, pois nesta alegoria sua filosofia está sintetizada.

Comecemos pela descrição que Platão faz da caverna. Em sua analogia, imaginou uma caverna, na qual havia prisioneiros acorrentados. Eles estavam ali desde sempre e nunca tinham saído.

Imaginemos a abertura da caverna. Estes prisioneiros estavam de costas e não conseguiam ver o que havia do lado de fora, apenas olhavam para a parede de pedra desta grande caverna.

Outro elemento presente atrás daqueles acorrentados, sobre uma colina, era uma tocha de fogo que brilhava e iluminava a parede. Assim, quando algo passava fora da caverna e em frente à luz, uma sombra era projetada sobre a parede.

Eles viam as sombras e como nunca tinham visto os objetos em si mesmos, pensavam que a projeção que viam era a realidade.

Contudo, um deles se libertou das correntes e saiu da caverna. Ele viu as coisas como elas realmente eram. Inicialmente foi difícil por causa do sol, mas sua vista acostumou-se e ele entendeu que passara a vida vendo sombras, apenas aspectos imperfeitos do real, do verdadeiro.

O que ele fez? Voltou para dizer aos companheiros o que havia acontecido, mas para sua surpresa, eles não acreditaram e ainda o atacaram quando ele tentou libertá-los. Sair das trevas era um processo doloroso e eles não o queriam.

O que percebemos aqui?

Que esta analogia é a representação deste mundo. Somos os prisioneiros e a realidade que vemos através dos sentidos é apenas uma sombra, um aspecto imperfeito. Os filósofos, com o uso da razão, alcançam o entendimento das ideias universais, assim como o prisioneiro que escapou.

Deste mundo, temos de escapar das aparências e ser capazes de ver intelectualmente como as coisas são em si mesmas. Não são todos que querem, porque a busca pela verdade é dolorosa como sair da caverna e ser impactado pelo sol pela primeira vez.

Doxa e Aleteia

Doxa, para os gregos, é uma opinião não pautada na verdade. Não há certeza sobre o que se diz, é uma especulação. A caverna é o domínio dessa opinião, dessa dúvida, pois não há certeza sobre o que é real.

Quando se alcança a certeza por meio da Filosofia, chega-se à verdade, ou seja, a aleteia.

Santo Agostinho e Platão

Santo Agostinho, um dos filósofos e teólogos mais importante da história da cristandade, resgatou muitos aspectos da filosofia de Platão em sua teologia cristã.

Para ele, onde quer que a verdade estivesse, poderia ser encontrada e acolhida pelos cristãos, mesmo entre os gregos que eram pagãos.

Por exemplo, ao discutir o problema do mal, ele resgata a filosofia de Platão e dos neoplatônicos para formar uma sólida concepção de que o mal é uma ausência, e não um ente com ser em si. Isto significa que o mal é o que acontece quando o bem não está presente.

Ao abordarmos Santo Agostinho em um de nossos artigos, explicaremos melhor sua ideia sobre o mal e tantas outras.

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