Gilbert Keith Chesterton foi um escritor e ensaísta inglês do final do século XIX e início do século XX. Sua obra intelectual é imensa; aborda assuntos que vão do amor humano a tratados de teologia e filosofia. Nesse artigo, foram selecionadas frases de Chesterton que são imperdíveis para começar a conhecer o autor.
Algum dos temas abordados são o sistema educacional, o governo e o culto ao progresso. Veja como seus pensamentos continuam relevantes para os atuais problemas do mundo.
Gilbert Keith Chesterton é um dos maiores nomes da literatura inglesa. Ele foi escritor literário, poeta, filósofo, teólogo e jornalista.
Nasceu no dia 29 de maio de 1874, em Kensington, Londres. Estudou no Saint Paul’s College, mas destacava-se negativamente como aluno, apesar do intelecto aguçado.
Chesterton mostrou-se fortemente inclinado às letras. Criou um clube de debates literários com seus amigos, criou uma revista e logo começou a publicar suas primeiras obras literárias.
Casou-se com Frances Blogg, em 1901. O casal foi criado em berço anglicano, mas converteram-se ao catolicismo. Chesterton em 1922 e Frances, em 1926.
Chesterton trabalhava como jornalista e literato, escrevendo artigos, colunas e livros. Seus textos eram constantemente requisitados.
Chesterton escrevia e publicava em jornais, como:
Daily News;
Illustrated London News;
The New Witness.
Junto de seu amigo Hillaire Belloc, Chesterton criou uma teoria econômica baseada nos princípios evangélicos e nos ensinamentos papais, especialmente na encíclica do Papa Leão XIII, Rerum Novarum.
No dia 17 de setembro de 1926, Chesterton e Belloc criaram a Liga Distributista.
Em 1914, Chesterton ficou gravemente doente. Durante uma conferência, passou mal e teve de ser levado para sua casa.
Chesterton recobrou a saúde na véspera da Páscoa do mesmo ano. Outro duro golpe para Chesterton foi a morte de seu irmão Cecil, ocorrida no dia 6 de dezembro de 1918.
Chesterton faleceu aos 62 anos, no dia 14 de junho de 1936, em sua casa, localizada na cidade de Beaconsfield, em Buckinghamshire, Inglaterra.
Seu legado intelectual é enorme. Escreveu livros, contos, poemas, proferiu palestras e foi reconhecido ao redor do mundo.
Gilbert Keith Chesterton.
Principais obras
Em 1926 Chesterton e seu irmão fundaram a revista G. K. Weekly. Contava com artigos de várias temáticas, mas o preferido de Chesterton era o distributismo, corrente econômica que ele teorizara.
Neste periódico, George Orwell, o escritor de A Revolução dos Bichos (1945) e 1984 (1949), publicou seu primeiro artigo, em 1928.
Chesterton ganhou destaque como intelectual na Inglaterra e em outros países. Seu talento literário foi reconhecido. Ao longo de sua vida, escreveu mais de:
80 livros;
4000 artigos;
além de ter proferido dezenas de conferências.
As conferências ocorreram inclusive no exterior. Estados Unidos, Itália, Palestina, Canadá e Polônia foram países que receberam o escritor.
Suas obras de maior destaque foram:
Santo Tomás de Aquino, 1933;
São Francisco de Assis, 1923;
Ortodoxia, 1908;
a série de contos policiais do Padre Brown;
O que há de errado com o mundo? 1910;
Hereges, 1905;
O Homem Eterno, 1925.
Algumas de suas principais frases destas obras foram citadas. É impressionante como suas ideias continuam sendo atuais.
O sistema educacional
Chesterton via com maus olhos as transformações que o Estado vinha promovendo na educação de seu tempo:
“O propósito da Educação Compulsória é o de negar às pessoas comuns seu senso comum”. — ILN, 09/07/29;
“Apesar de as autoridades acadêmicas se orgulharem de conduzir tudo por meio da Avaliação, elas raramente cedem ao que as pessoas religiosas descrevem como Auto-Avaliação. A conseqüência disso é que o Estado moderno tem educado seus cidadãos numa série de modas transitórias”.Nash’s Pall Mall Magazine, abril, 1935.
Problemas da modernidade
No seu tempo, movimentos como o feminismo e o ambientalismo estavam surgindo e apresentando suas primeiras ideias:
“Eu daria à mulher não mais direitos, porém mais privilégios. Em vez de mandá-la procurar aquela liberdade que, notoriamente, prevalece em bancos e fábricas, eu, especialmente, projetaria uma casa em que ela pudesse ser livre”, em O que há de errado com o Mundo;
“Onde quer que haja adoração de animais, ali existirá sacrifício humano”, em Os Usos da Diversidade, p. 3.
Religião, moral e virtude
Chesterton converteu-se ao catolicismo, em 1922. Assim como outros cristãos de seu tempo, olhava com desconfiança as mudanças que a modernidade promoveu na moral e nos costumes.
“A maior parte da liberdade moderna tem sua raiz no medo. Não é que somos tão corajosos para nos submeter às leis; é que, ao contrário, somos muito tímidos para nos submeter às responsabilidades”, em O que há de errado com o mundo;
“O amor falso termina em acomodamento e filosofia comum; mas o amor real sempre terminou em sangue derramado”, em Ortodoxia;
"Quando um homem deixa de acreditar em Deus, ele não passa a acreditar em nada - passa a acreditar em qualquer coisa";
“Uma coisa morta pode seguir a correnteza, mas somente uma coisa viva pode contrariá-la”, em O Homem Eterno;
“Há grandes homens que fazem com que todos se sintam pequenos. Mas o verdadeiro grande homem é aquele que faz com que todos se sintam grandes”, no Prólogo ao Pickwick’s Papers, de Charles Dickens;
“Haveria muito menos desgraça se as pessoas não idealizassem o pecado e se posassem como pecadores”, em A Inocência do Padre Brown;
“Os homens não discordam muito nas coisas que eles consideram más; eles discordam, enormemente, sobre que males eles considerarão desculpáveis”, ILN, 10/23/09;
“O verdadeiro soldado luta não porque ele odeia o que está a sua frente, mas porque ele ama o que está atrás”, ILN, 01/14/11.
Governo e política
Chesterton defendeu princípios conservadores na política. Tudo isso se reflete nas suas impressões do governo e da sociedade da época:
“É um bom sinal para uma nação quando as coisas estão sendo feitas imperfeitamente. Isso mostra que todo o povo as está fazendo. E é um mau sinal quando as coisas estão sendo feitas muito bem, pois, isso mostra que somente uns poucos experts e excêntricos as estão fazendo e que a nação está sendo um mero espectador”, em Patriotismo e Esporte, Todas as Coisas Consideradas;
“Todo o mundo moderno se dividiu em conservadores e progressistas. O negócio dos progressistas é continuar cometendo erros. O negócio dos conservadores é prevenir que os erros sejam corrigidos”, ILN, 04/19/24;
“Se você tentar, atualmente, uma discussão real com um jornal de posição política oposta à sua, você não terá nenhuma resposta, exceto jargão ou silêncio”, em O Novo Nome, Utopia dos Usurários e outros ensaios;
“Você nunca terá uma revolução para estabelecer uma democracia. Você deve ter uma democracia para ter uma revolução”, em Tremendas Trivialidades;
“Quando um político está na oposição ele é um expert nos meios para determinados fins; quando é situação, ele é um expert nos obstáculos”, ILN, 04/06/18;
“Uma vez que se abole Deus, o governo se torna Deus”, Palestra Cristandade, em Dublin.
Culto ao progresso
Chesterton não enxergava o progresso na acepção política como algo necessariamente com algo positivo.
“O progresso deve significar que estamos sempre mudando o mundo para adequá-lo à nossa visão, ao invés de sempre mudarmos a nossa visão”, em Ortodoxia;
“Minha atitude perante o progresso passou do antagonismo ao tédio. Parei, há muito tempo, de discutir com as pessoas que preferem quinta-feira à quarta-feira porque é quinta-feira”, em New York Times Magazine, 02/11/23;
“Os homens inventam novos ideais porque não ousam tentar os velhos ideais. Eles olham à frente com entusiasmo, porque eles temem olhar para trás”, em O que há de errado com o mundo.
"É verdade que eu sou antiquado, muito do que eu amo foi destruído ou exilado".
Outros temas:
“A verdade é sagrada; e se você diz a verdade muito frequentemente, ninguém acreditará”, ILN, 02/24/06;
“Uma cidade moderna é feia não porque ela é uma cidade, mas porque ela não é suficientemente uma cidade, porque é uma selva, porque é confusa e anárquica, surgindo com a energia egoística e materialista”, em The Way to the Stars, Lunacy and Letters.
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