Betty Friedan - o feminismo se encontra com o marxismo

Redação Brasil Paralelo
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2/5/2022
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Betty Friedan era uma dona de casa normal dos Estados Unidos dos anos 60. Limpava a casa, cozinhava, cuidava dos filhos, se encontrava com as amigas. Em 1963, ainda casada e sendo dona de casa, Friedan publica o livro A Mística Feminina, causando grandes efeitos sociais, primeiro nos EUA, depois no mundo.

A publicação e o grande sucesso do livro levaram Friedan a se tornar uma das mais importantes militantes feministas do século XX.

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Quem foi Betty Friedan? Biografia

Betty Friedan foi jornalista e uma famosa militante feminista nos EUA. As publicações de Betty nos anos 60 lhe renderam o título de mãe do movimento feminista moderno. O livro A Mística Feminina tornou-se um best seller, e um dos principais guias das feministas de 2ª onda.

Friedan foi presidente de um dos principais grupos feministas do país desde a fundação da instituição, o National Organization for Women (Organização Nacional das Mulheres). O grupo teve a participação de outra feminista importante: Kate Millett, criadora da “bíblia feminista”.

Betty Friedan nasceu no dia 4 de fevereiro de 1921, em Peoria, no estado de Illinois. Seu pai era um imigrante russo, e sua mãe era uma imigrante húngara. Ambos trabalhavam, seu pai era joalheiro e sua mãe, jornalista.

A influência da mãe foi forte, levando Betty a seguir a mesma profissão em sua vida adulta. Antes de ser dona de casa, a juventude de Betty foi agitada. 

Primeiro ela começou a fazer faculdade de psicologia na Califórnia, em 1942, porém, devido ao interesse em política, Betty Friedan decidiu largar o curso para ser jornalista em Nova York.

No início de sua carreira como jornalista, Betty se aprofundou nos estudos sobre política. Foi nessa época que Friedan teve contato com o marxismo, doutrina que aderiu e utilizou para seus estudos feministas.

Em seus anos como jornalista na Federated Press, ela era frequentemente convidada para participar de reuniões de sindicatos trabalhistas. Nesse período, ela já era uma feminista-marxista convicta, .

O feminismo de 1ª onda já estava presente nas principais capitais dos EUA, tendo influenciado Betty. Ela passou a militar por mais direitos para as mulheres que trabalhavam em fábricas.

Em 1947, Betty casou-se com Carl Friedan, o publicitário que lhe deu o famoso sobrenome. Em 1956, Betty decidiu tornar-se dona de casa. Ela passou a trabalhar como jornalista apenas de casa, escrevendo artigos para algumas revistas femininas.

Foi nesse momento que Betty começou o trabalho para realizar sua principal obra, A Mística Feminina. Em uma reunião com amigas antigas da escola, ela escutou comentários negativos de grande parte das conhecidas que tornaram-se donas de casa. Muitas estavam insatisfeitas com suas vidas.

Betty resolveu ir atrás de donas de casa para perguntar como elas se sentiam com a vida que estavam levando em seus lares. Sua pesquisa durou anos, até o ano de 1963, quando condensou seus estudos em seu famoso livro.

Logo após o lançamento de A Mística Feminina, Betty Friedan tornou-se a principal líder feminista do país do momento. Ela abandonou a vida de dona de casa e voltou à sua antiga militância. Em 1966, fundou o grupo NOW (Organização Nacional das Mulheres) com mais duas amigas, Pauli Murray e Aileen Hernandez.

Nesse período, Betty divorciou-se de seu esposo, Carl Friedan, com quem teve 3 filhos.

A decisão que Betty tomou, e manteve firme até o final de sua vida, foi militar em prol de seus ideais. Ela organizou protestos, palestras, livros e muitas outros ações para defender o movimentosua ideologia feminista.

  • Recomendação de artigo: a palavra ideologia, mesmo sendo moderna, já está muito desgastada no senso comum, mas o seu significado original designa muito mais que um conjunto de ideias. Entenda o verdadeiro significado político e filosófico das ideologias

Conflitos com o ex-marido

No ano 2000, o ex-esposo de Betty veio à tona para denunciar atitudes ocultas da líder feminista. Ele disse não aguentar mais as acusações que ela havia feito contra ele durante o início de sua militância.

Quando Betty começou a militar publicamente, após o lançamento de seu livro, ela acusou o esposo de a agredir frequentemente. Ela disse em rede nacional que tinha que usar maquiagem constantemente para esconder os ferimentos.

Segundo Carl, era ela quem o agredia. Ele criou um site para contar seu lado da história. Suas falas repercutiram por todo o mundo, ganhando matérias no Washington Post, New York Times, e em outras mídias dos EUA e do Brasil.

O New York Post emitiu um pedido de desculpas a Carl, admitindo que, quando divulgaram os relatos de Betty, o jornal não buscou ouvir o lado da história do ex-esposo.

Após Carl ter feito as declarações em sua defesa, Betty recuou e disse que ele não o agredia, que os dois possuíam “temperamentos quentes” e tinham algumas discussões pesadas. Suas declarações foram feitas em entrevista ao programa Good Morning America.

Ele afirmou que seu temperamento era histérico e forte, que tentava controlá-la, mas ela era muito agitada. Em suas declarações, Carl afirmou que Betty tentou até mesmo esfaqueá-lo. Ele encerrou a entrevista dizendo não aceitar o falso rótulo de agressor, e que sua ex-esposa escreveu “um monte de mentiras”.

O temperamento quente de Betty Friedan foi exposto quando ela ofendeu gravemente a ativista conservadora, Phyllis Schlafly. 

Quando Schlafly disse para Betty, em um encontro público, que a razão pela qual havia tão poucas mulheres no Congresso era por que elas não estavam dispostas a fazer campanha, pois estavam mais interessadas em ter filhos, Friedan revidou chamando-a de “traidora do seu sexo, uma tia Tom ” e dizendo: “Eu gostaria de queimá-lo na fogueira”.

“Uncle Tom” é uma ofensa grave nos EUA. A expressão servia para designar um escravo que trabalhava contra os outros escravos, pois estava querendo agradar o seu “dono”.

Um jornal da época registrou a ofensa de Betty Friedan. 

A Face Oculta do Feminismo

Devido a vasta influência do feminismo e os grandes mistérios que ainda circundam a história do movimento, a Brasil Paralelo elaborou o documentário A Face Oculta do Feminismo.

O feminismo possui um vasto histórico de ações e diversas estratégias elaboradas cautelosamente. Não foi um movimento espontâneo da sociedade.

Grande parte da população não sabe quais são as intenções reais dos autores e grupos que buscam disseminar essa ideologia.

Para mostrar o que está além do que se vê, de uma forma robusta e de fácil compreensão, a Brasil Paralelo investigou a fundo o tema e todos os efeitos gerados na sociedade através dos anos. 

Nosso novo documentário, exclusivo para assinantes, vai mostrar o lado oculto do feminismo, aquele que não querem que você descubra.

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O que Betty defendia?

Betty Friedan defendia: aborto, salários igualitários, oportunidades iguais para homens e mulheres. Essas eram as principais posições da fundadora e primeira presidente da Organização Nacional para as Mulheres.

O slogan mais famoso de Betty, escrito em seu livro, era: o problema sem nome. Ela dizia que as mulheres donas de casa tinham um sentimento de frustração mas não sabiam dizer o que era.

Em A Mística Feminina, ela diz que as empresas dos EUA se aproveitavam da frustração das mulheres e criavam produtos machistas para preencher seus vazios existenciais.

Betty utilizava de argumentos marxistas para defender essa tese. Segundo ela, existia uma luta de classes entre homens e mulheres. Era necessário que as mulheres se levantassem contra essa estrutura para alcançar a igualdade.

  • Veja mais: entenda como é o pensamento de Karl Marx, base para muitas feministas como Betty Friedan, Kate Millett e Simone de Beauvoir.

Em sua ávida luta pelo aborto, Betty Friedan fundou, em 1969, a Associação Nacional Para Repelir as Leis Anti-Aborto. A associação ainda está ativa, tendo mudado o nome para NARAL Pro-choice America.

Com o desenvolvimeto do movimento feminista, Betty passou a ser muito criticada por grupos feministas mais alinhados ao progressimo moral. Segundo o site “womenshistory.com”, esses grupos afirmavam que Betty estava muito alinhada com os burgueses.

Na década de 70, o movimento feminista se alinhou com o movimento anti-racismo e com o movimento gay, lançando as bases para a 3ª onda feminista, a ideologia de gênero. Betty não estava alinhada com esse pensamento, ela até mesmo chamou as lésbicas de “uma ameaça” para o feminismo.

  • Entenda como a ideologia de gênero pode ser considerada a 3ª onda do movimento feminista, leia o artigo “O Que é Feminismo”.

Sua liderança foi sendo prejudicada, abrindo mais espaço para Kate Millett e outras feministas alinhadas com pautas LGBT, por exemplo. Elas defendiam os primórdios do que seriam as “mulheres trans” e defendiam as lésbicas como uma das principais pautas do movimento, diferente de Friedan.

Betty morreu aos 85 anos, em 2006, devido a um problema cardíaco.

Frases de Betty Friedan

Betty Friedan
Betty Friedan falando com suas companheiras militantes.

Certas frases de Kate Millett marcaram a cultura moderna, influenciando muitas mulheres e estabelecendo-se como parte da cultura pop. As principais frases de Millett são:

  • “É mais fácil viver através de outra pessoa do que se completar. A liberdade para liderar e planejar a sua própria vida é assustadora se você nunca a enfrentou antes. É assustador quando uma mulher finalmente percebe que não existe uma resposta para a pergunta “quem sou eu”, exceto a voz dentro de si mesma.” (livro A Mística Feminina, capítulo 14);
  • “O envelhecimento não é juventude perdida, mas um novo estágio de oportunidade e força.”;
  • “Você pode ter tudo, mas não tudo ao mesmo tempo.”;
  • “Mas não será a morada confortável um campo de concentração? As mulheres que vivem segundo a mística feminina não se terão encarcerado nas estreitas paredes do lar? Aprenderam a adaptar-se ao seu papel biológico, tornaram-se dependentes, passivas, infantis, renunciaram a uma personalidade adulta para viver ao nível mais baixo dos objetos e alimentos. O trabalho que executam não exige capacidade adulta; é infindável, monótono, não-compensador.” (livro A Mística Feminina, capítulo XII);
  • “A única maneira de uma mulher, assim como um homem, encontrar-se, conhecer-se como pessoa, é através do trabalho criativo próprio. Não há outro caminho.” ( frase do livro A Mística Feminina).

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