Cristianismo tem perdido espaço na Alemanha, fazendo muitas igrejas serem abandonadas ou virarem espaços de lazer.

Em meio a uma queda no número de fiéis, uma tendência está avançando por toda a Alemanha. Católicos e protestantes estão dividindo igrejas e espaços de culto.
O compartilhamento de igrejas entre diferentes confissões cristãs não é uma novidade para o país e conta com precedentes históricos.
Existem atualmente 65 das chamadas “igrejas simultâneas”, templos utilizados por católicos e protestantes.
Em alguns desses casos antigos, o uso compartilhado era determinado por autoridades seculares.
Havia regras específicas sobre os horários e até sobre quem poderia utilizar cada parte do templo.
Hoje, a lógica é diferente. A prática reaparece principalmente diante de uma mudança demográfica, uma grande queda no número de fiéis e clérigos.
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Na década de 1990, o número de cristãos no país chegava a 57 milhões, atualmente caiu para 37 milhões. As estimativas apontam que o número descerá para 23 milhões até 2060, segundo o jornal DW.
O número de igrejas também tem caído. Todos os anos, dezenas são abandonadas, demolidas ou adaptadas para outras finalidades.
Em alguns casos, os altares tem dado espaço para baladas, bares e até mesmo paredes de escalada.
As igrejas estão cada vez mais vazias na Alemanha e enfrentam dificuldades para se sustentar.
Manter um templo no país custa em média €26,5 mil por ano, o equivalente a R$165,6 mil, sem contar o valor de reformas.
A pesquisadora do Instituto de História da Arte da Universidade de Colônia, Stefanie Lieb, disse que as igrejas precisam ter outras atividades para se manter no futuro:
"No futuro, de cada dez igrejas, quatro ou cinco não serão mais usadas somente como espaço de culto", afirmou em entrevista para a emissora WDR.
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Um fator que pode impactar na queda no número de fieis é a taxa sobre religiosos cobrada pelo Estado alemão.
Ao se registrarem no país, as pessoas precisam declarar se seguem alguma religião. A taxa para católicos e protestantes é de cerca de volta de 8% a 9% do valor total imposto de renda.
O imposto é recolhido automaticamente e destinado para a manutenção de religiões oficialmente reconhecidas pelo Estado.
O governo recebe uma parte da taxa que pode variar entre 2% e 4,5% do total. Segundo o portal Alemanha Cast, o restante vai diretamente para a igreja.
Entre 2002 e 2012 mais de 2 milhões de pessoas mudaram seu registro para deixar de pagar a taxa, afirma uma reportagem de O Globo.
Na época, a Convenção dos bispos alemães chegou a negar os sacramentos para os fiéis que mudaram seus registros na busca de evitar o tributo.
Pessoas que professam algumas religiões, como a igreja Ortodoxa e o Islã, não são obrigadas a arcar com esse tributo.