Magistrado americano cobrou explicações do governo sobre quem inseriu a informação no sistema migratório.

Um registro dentro do sistema de imigração dos Estados Unidos ajudou a colocar Filipe Martins na prisão. Agora, a Justiça americana diz que esse registro era falso.
O caso envolve o ex-assessor internacional de Jair Bolsonaro e uma das decisões mais sensíveis do inquérito da chamada trama golpista.
Em 2024, o ministro Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva de Martins com base na premissa de que ele teria viajado para os Estados Unidos no fim de 2022 e não retornado ao Brasil.
A suspeita era de que, se ele havia deixado o país, poderia estar tentando fugir da Justiça.
Mas, segundo o juiz federal americano Gregory Presnell, o dado migratório usado nesse contexto não era verdadeiro.
A conclusão aparece em uma audiência realizada nos Estados Unidos. A transcrição foi obtida pela Folha de S.Paulo.
Presnell afirmou que houve um “registro falso” nos sistemas da Patrulha de Fronteira americana e que o governo dos EUA reconheceu a falsidade e a gravidade do episódio.
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Filipe Martins moveu uma ação contra órgãos do governo americano com base na Lei de Liberdade de Informação dos Estados Unidos.
O objetivo é descobrir quem criou o registro que indicava sua entrada no país em 30 de outubro de 2022, data em que Bolsonaro viajou para Orlando no avião presidencial.
A defesa de Martins sempre negou que ele estivesse nos Estados Unidos.
Para sustentar a versão, apresentou documentos indicando que ele permaneceu no Brasil, incluindo confirmação da Latam de que o ex-assessor fez um voo doméstico no dia seguinte à suposta viagem internacional.
Mesmo depois do pedido de soltura feito pela Procuradoria-Geral da República, Martins permaneceu preso preventivamente por quase seis meses.
Em outubro do ano passado, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA já havia admitido que Martins não entrou no país na data apontada pelo registro.
A novidade agora é o tom do juiz americano.
Presnell criticou a resistência do governo dos EUA em entregar documentos sobre o caso e classificou os argumentos para manter as informações sob sigilo como “sem sentido” e “absurdos”.
Ao final, determinou que a agência americana forneça documentos capazes de identificar quem esteve envolvido na criação do registro.
Até agora, não há decisão pública apontando o responsável.
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