Partido tenta reconstruir diálogo com evangélicos em meio à disputa por um dos grupos mais importantes da eleição de 2026.

O PT decidiu falar diretamente com um público que se tornou decisivo na política brasileira: os evangélicos.
Em carta divulgada nesta segunda-feira, durante o IV Encontro Nacional de Evangélicos do PT, em Brasília, o partido defendeu a liberdade religiosa, criticou o uso político da fé e afirmou que a religião não deve ser usada para dividir a população.
O documento surge em um momento em que o partido tenta ampliar o diálogo com evangélicos, grupo no qual Lula enfrenta resistência há anos.
A carta afirma que os evangélicos não formam um bloco político único e que cada fiel deve ter liberdade para construir suas próprias posições dentro das igrejas.
Segundo o texto, a fé não deve ser usada para manipular disputas eleitorais nem para obter vantagens financeiras.
“Manifestamos preocupação com a disseminação de notícias falsas, discursos de ódio e tentativas de manipulação da fé para fins políticos ou econômicos. O Evangelho nos chama à verdade, à honestidade e à responsabilidade. A religião não deve ser utilizada para dividir o povo brasileiro, mas para promover esperança, solidariedade e compromisso com o bem comum”, diz um trecho da carta.
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O documento também trata da relação entre o PT e as igrejas evangélicas. A carta afirma que os governos petistas mantiveram postura de respeito à liberdade religiosa.
Como exemplos, cita o reconhecimento da música gospel como cultura e patrimônio nacional e a criação de datas comemorativas voltadas ao público evangélico.
A mensagem busca aproximar o partido de um eleitorado que, nos últimos anos, se mostrou mais resistente a Lula e mais próximo de candidaturas de direita.
Nas eleições recentes, temas como aborto, família, liberdade religiosa e costumes passaram a ter peso central na disputa por votos evangélicos.
O PT tenta responder a esse cenário afirmando que a religião deve permanecer livre, sem ser capturada por projetos políticos.
O texto menciona a eleição de 2026 e defende a presença de evangélicos no debate sobre os rumos do país.
Os participantes do encontro manifestaram apoio à continuidade do projeto político liderado por Lula. Ao mesmo tempo, afirmaram que esse posicionamento não deve ser confundido com uso eleitoral da religião.
Esse é o ponto mais delicado da carta.
O PT critica a instrumentalização da fé na política, mas o documento também faz parte de um esforço do próprio partido para ampliar influência em um segmento religioso decisivo.
A diferença que o texto tenta estabelecer é entre participação política de evangélicos, considerada legítima, e uso da religião como ferramenta de manipulação eleitoral.
A carta mostra que a relação entre política e religião continuará no centro da eleição de 2026.
Para entender por que os evangélicos se tornaram um dos grupos mais importantes da vida pública brasileira, a Brasil Paralelo lançará o documentário O Brasil Evangélico.
A produção mostra a história, a cosmovisão e o impacto cultural de um movimento que molda a vida de 47 milhões de brasileiros e passou a ocupar papel decisivo também na política nacional.
O Brasil Evangélico estreia em breve na Brasil Paralelo.
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