The Economist analisa o Smart Sampa e discute tanto seus resultados quanto os riscos.

O Smart Sampa, programa de monitoramento por câmeras da cidade de São Paulo, virou tema de uma reportagem publicada pela revista britânica The Economist nesta quarta-feira (8).
O texto usa como ponto de partida um painel instalado no centro histórico da capital paulista, conhecido como "Prisômetro". O aparelho exibe em tempo real o número de prisões atribuídas ao sistema.
A publicação afirma que o programa tem como objetivo mostrar aos criminosos, de forma visível, que eles estão sendo vigiados.
Que tal receber notícias todos os dias em seu WhatsApp? Clique aqui e entre para o canal oficial da Brasil Paralelo.
O Smart Sampa foi implementado em 2024 e hoje conta com 50 mil câmeras espalhadas pela cidade, sendo 30 mil delas vindas de redes privadas, câmeras de prédios, shoppings e empresas conectadas ao sistema público.
A tecnologia usa reconhecimento facial para identificar pessoas com mandado de prisão em aberto, localizar desaparecidos e auxiliar investigações policiais. A previsão é que o número de câmeras dobre até 2028, chegando a 100 mil.
Segundo a reportagem, São Paulo não está sozinha nesse movimento. Pesquisadores do projeto O Panóptico, ligado ao Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), identificaram 560 projetos ativos de reconhecimento facial espalhados por mais de 20 estados brasileiros.
Juntos, eles monitoram cerca de 99 milhões de pessoas, mais de 47% da população do país.
O governo de São Paulo apresenta o programa como um sucesso. Segundo dados oficiais, mais de 3 mil foragidos já foram presos após serem identificados pelo sistema, e as câmeras ajudaram a flagrar quase 6 mil pessoas cometendo crimes.
Mas a reportagem também dá espaço a especialistas que questionam a eficácia e a imparcialidade da tecnologia. Um dos pontos levantados é a precisão do reconhecimento facial entre diferentes grupos étnicos. Segundo dados citados pela Agência Brasil, cerca de 80% das prisões injustas ligadas a sistemas de reconhecimento facial no Rio de Janeiro envolveram pessoas negras.
Outro ponto citado pela reportagem é que a queda na criminalidade em São Paulo já vinha acontecendo antes da expansão dessas tecnologias.
Roubos na cidade atingiram, em 2025, o menor patamar em 25 anos, e a taxa de homicídios já está entre as mais baixas da América Latina para uma cidade do porte de São Paulo.
A revista também menciona o custo do programa: o Smart Sampa exige, hoje, ao menos R$118 milhões por ano para funcionar.
Apesar dos apontamentos, a reportagem aponta que o uso do reconhecimento facial tem apoio amplo entre diferentes posições políticas no Brasil, e que a discussão sobre segurança pública deve ganhar ainda mais espaço com a proximidade das eleições gerais de outubro.
A Brasil Paralelo investigou a crise de segurança brasileira em uma das maiores produções sobre o tema, a série Entre Lobos.
Para ter acesso, assine a Brasil Paralelo por apenas R$10,90 mensais.
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.