Segurança pública5 min de leitura

Programa de vigilância de São Paulo vira destaque em uma das revistas mais respeitadas do mundo

The Economist analisa o Smart Sampa e discute tanto seus resultados quanto os riscos.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Câmeras do programa Smart Sampa
Fonte da imagem: Divulgação

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O Smart Sampa, programa de monitoramento por câmeras da cidade de São Paulo, virou tema de uma reportagem publicada pela revista britânica The Economist nesta quarta-feira (8).

O texto usa como ponto de partida um painel instalado no centro histórico da capital paulista, conhecido como "Prisômetro". O aparelho exibe em tempo real o número de prisões atribuídas ao sistema.

A publicação afirma que o programa tem como objetivo mostrar aos criminosos, de forma visível, que eles estão sendo vigiados.

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50 mil câmeras espalhadas pela cidade

O Smart Sampa foi implementado em 2024 e hoje conta com 50 mil câmeras espalhadas pela cidade, sendo 30 mil delas vindas de redes privadas, câmeras de prédios, shoppings e empresas conectadas ao sistema público.

A tecnologia usa reconhecimento facial para identificar pessoas com mandado de prisão em aberto, localizar desaparecidos e auxiliar investigações policiais. A previsão é que o número de câmeras dobre até 2028, chegando a 100 mil.

Segundo a reportagem, São Paulo não está sozinha nesse movimento. Pesquisadores do projeto O Panóptico, ligado ao Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), identificaram 560 projetos ativos de reconhecimento facial espalhados por mais de 20 estados brasileiros.

Juntos, eles monitoram cerca de 99 milhões de pessoas, mais de 47% da população do país.

O governo de São Paulo apresenta o programa como um sucesso. Segundo dados oficiais, mais de 3 mil foragidos já foram presos após serem identificados pelo sistema, e as câmeras ajudaram a flagrar quase 6 mil pessoas cometendo crimes.

Mas a reportagem também dá espaço a especialistas que questionam a eficácia e a imparcialidade da tecnologia. Um dos pontos levantados é a precisão do reconhecimento facial entre diferentes grupos étnicos. Segundo dados citados pela Agência Brasil, cerca de 80% das prisões injustas ligadas a sistemas de reconhecimento facial no Rio de Janeiro envolveram pessoas negras.

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Criminalidade já vinha caindo antes do programa

Outro ponto citado pela reportagem é que a queda na criminalidade em São Paulo já vinha acontecendo antes da expansão dessas tecnologias.

Roubos na cidade atingiram, em 2025, o menor patamar em 25 anos, e a taxa de homicídios já está entre as mais baixas da América Latina para uma cidade do porte de São Paulo.

A revista também menciona o custo do programa: o Smart Sampa exige, hoje, ao menos R$118 milhões por ano para funcionar.

Apesar dos apontamentos, a reportagem aponta que o uso do reconhecimento facial tem apoio amplo entre diferentes posições políticas no Brasil, e que a discussão sobre segurança pública deve ganhar ainda mais espaço com a proximidade das eleições gerais de outubro.

A Brasil Paralelo investigou a crise de segurança brasileira em uma das maiores produções sobre o tema, a série Entre Lobos.

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