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Por que o diploma de engenharia não garante mais o engenheiro?

Universitários afirmam que faltam motivos para continuar na profissão.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
s estudantes de engenharia, dois homens e uma mulher, debruçados sobre uma mesa branca com plantas técnicas e um notebook aberto. Eles vestem coletes e capacetes de proteção laranjas, segurando réguas e canetas enquanto analisam os gráficos.
Fonte da imagem: Divulgação

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Em uma conversa na Universidade de São Paulo, uma estudante resumiu o dilema de uma geração de engenheiros: "Eu gosto do curso, mas todo mundo diz que o melhor é atuar no mercado financeiro".

Essa frase expõe um problema estrutural. O Brasil é capaz de formar profissionais qualificados, mas falha em oferecer as condições para que a engenharia se sustente como escolha de carreira e projeto de desenvolvimento nacional.

De acordo com a Universidade de São Paulo, o Brasil vive um "apagão de engenheiros" ou que os jovens têm desinteresse por cursos difíceis.

No entanto, os dados da própria universidade mostram uma realidade diferente. Entre 2014 e 2022, houve uma queda em relação ao número de candidatos e de vagas em diversos cursos de engenharia.

A procura pelo diploma de engenheiro depende da saúde da economia: se as indústrias param de crescer e os investimentos diminuem, as vagas para estes profissionais somem.

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Condições de trabalho e salários pouco atrativos.

De acordo com a USP, o termo "apagão" costuma levar a soluções apressadas, como simplesmente abrir mais vagas. O problema, contudo, é o que a área oferece.

Segundo o Minicenso 2024 do Confea, 82% dos respondentes consideram as condições de trabalho e os salários na engenharia pouco atrativos.

Como resultado, talentos formados em universidades públicas de grande nome migram para o comércio e, principalmente, para o setor financeiro.

Isso acaba empurrando o profissional para longe da sua área de formação original em busca de reconhecimento e melhores salários.

O Consórcio das Engenharias da USP, por exemplo, implementou planos de permanência e sucesso acadêmico.

O foco agora é apoio pedagógico, com reforços em disciplinas iniciais (como matemática) e o uso responsável de Inteligência Artificial para identificar alunos em risco.

A ideia é evitar que o aluno desista no final do curso. Isso acontece quando ele está quase se formando, mas desanima porque não vê chances reais de conseguir um bom emprego na área.

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O trabalho em equipe

O caminho proposto pelos professores da USP é fortalecer a chamada "hélice quíntupla": uma união real entre sociedade, governo, universidades, indústrias e a preservação do meio ambiente.

Essa aliança serve para criar ações práticas, como o aprendizado que mistura teoria e trabalho real dentro das empresas.

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