Universitários afirmam que faltam motivos para continuar na profissão.

Em uma conversa na Universidade de São Paulo, uma estudante resumiu o dilema de uma geração de engenheiros: "Eu gosto do curso, mas todo mundo diz que o melhor é atuar no mercado financeiro".
Essa frase expõe um problema estrutural. O Brasil é capaz de formar profissionais qualificados, mas falha em oferecer as condições para que a engenharia se sustente como escolha de carreira e projeto de desenvolvimento nacional.
De acordo com a Universidade de São Paulo, o Brasil vive um "apagão de engenheiros" ou que os jovens têm desinteresse por cursos difíceis.
No entanto, os dados da própria universidade mostram uma realidade diferente. Entre 2014 e 2022, houve uma queda em relação ao número de candidatos e de vagas em diversos cursos de engenharia.
A procura pelo diploma de engenheiro depende da saúde da economia: se as indústrias param de crescer e os investimentos diminuem, as vagas para estes profissionais somem.
De acordo com a USP, o termo "apagão" costuma levar a soluções apressadas, como simplesmente abrir mais vagas. O problema, contudo, é o que a área oferece.
Segundo o Minicenso 2024 do Confea, 82% dos respondentes consideram as condições de trabalho e os salários na engenharia pouco atrativos.
Como resultado, talentos formados em universidades públicas de grande nome migram para o comércio e, principalmente, para o setor financeiro.
Isso acaba empurrando o profissional para longe da sua área de formação original em busca de reconhecimento e melhores salários.
O Consórcio das Engenharias da USP, por exemplo, implementou planos de permanência e sucesso acadêmico.
O foco agora é apoio pedagógico, com reforços em disciplinas iniciais (como matemática) e o uso responsável de Inteligência Artificial para identificar alunos em risco.
A ideia é evitar que o aluno desista no final do curso. Isso acontece quando ele está quase se formando, mas desanima porque não vê chances reais de conseguir um bom emprego na área.
O caminho proposto pelos professores da USP é fortalecer a chamada "hélice quíntupla": uma união real entre sociedade, governo, universidades, indústrias e a preservação do meio ambiente.
Essa aliança serve para criar ações práticas, como o aprendizado que mistura teoria e trabalho real dentro das empresas.
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