Missão envolve telescópios em quatro continentes e imagens capturadas até por sondas em Marte.

Imagine uma sala de controle, telas projetando o mapa do Sistema Solar e equipes internacionais acompanhando, em tempo real, a aproximação de um objeto vindo de outra estrela.
Não é ficção científica. É o protocolo real de defesa planetária sendo acionado para acompanhar o cometa 3I/ATLAS, um visitante interestelar que foi descoberto em Julho deste ano.
A partir de 27 de novembro, a Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN), ligada às Nações Unidas, iniciou dois meses de observação contínua do cometa.
O objetivo não é conter uma ameaça, mas testar, de forma coordenada, como o planeta reage quando algo desconhecido aparece cruzando o Sistema Solar.
A campanha reúne cientistas de vários países para acompanhar, durante dois meses, a passagem do objeto pelo Sistema Solar.
O cometa foi detectado em 1º de julho por telescópios do sistema ATLAS no Chile, Havaí e África do Sul. Com trajetória aberta e velocidade típica de objetos vindos do espaço interestelar, o 3I/ATLAS se tornou o terceiro objeto desse tipo já registrado, depois de ʻOumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019).
A ONU afirma que não há risco de impacto com a Terra. O objetivo é científico: usar o cometa para testar, em tempo real, protocolos globais de vigilância espacial.
Como sua visibilidade será longa, ele permite um treinamento completo dos sistemas de rastreio.
Esta é a oitava simulação internacional da IAWN desde 2017. Esses exercícios aperfeiçoam a capacidade de localizar e medir objetos difusos, como cometas, que exigem técnicas distintas das aplicadas a asteroides.
A operação ganhou visibilidade depois que a NASA precisou encerrar rumores de internet que afirmavam que o 3I/ATLAS seria uma nave alienígena.
A agência divulgou imagens de três missões em Marte mostrando que o objeto possui coma, núcleo e cauda típicos de um cometa.
“Queremos muito encontrar sinais de vida no universo… mas o 3I/ATLAS é um cometa”, afirmou Amit Kshatriya, diretor da NASA.
Mesmo com a confirmação oficial, parte da comunidade acadêmica segue analisando detalhes da estrutura do cometa.
O professor Avi Loeb, de Harvard, divulgou novas imagens feitas por astrônomos amadores entre 22 e 24 de novembro. Elas mostram uma coma verde brilhante e uma anti-cauda, feixe de poeira apontado em direção ao Sol.

A ONU destaca que objetos interestelares são oportunidades raras para ajustar modelos de órbita, testar alertas globais e entender como corpos de outras estrelas interagem com a gravidade do Sol.
A campanha seguirá até o início de 2026, reunindo dados de observatórios profissionais e telescópios amadores.
Enquanto isso, o 3I/ATLAS segue sua travessia lembrando de que o Universo é mais movimentado do que parece.
Gosta de astronomia e ciência? O geólogo Sérgio Sacani, editor do Space Today e um dos principais divulgadores do 3I/ATLAS, esteve no podcast Conversa Paralela. Assista ao episódio completo:
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