Com química incomum e um sinal raro, o 3I/ATLAS virou alvo de um debate que a ciência precisou esclarecer.

Viagens pelo universo ganharam o imaginário popular com filmes como Interestelar e 2001: Uma Odisseia no Espaço. Mas o que parecia restrito ao cinema, ganhou contornos reais nos últimos anos.
Objetos que viajam entre as estrelas, vindos de fora do nosso Sistema Solar, já foram detectados por cientistas, e em julho deste ano um novo visitante foi detectado.
O objeto, inicialmente misterioso, está atravessando o Sistema Solar, vindo de fora dele.
O 3I/ATLAS é um cometa interestelar detectado por um telescópio do projeto ATLAS, no Chile. Ele é o terceiro objeto desse tipo já identificado, depois de ʻOumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019).
O 3I/ATLAS segue uma trajetória hiperbólica, típica de objetos que não estão presos ao Sol. Ele atravessa o Sistema Solar uma única vez e retorna ao espaço profundo.
Modelos apontam que ele pode ter se formado em um sistema estelar muito antigo, talvez com mais de 7 bilhões de anos, mais velho que o próprio Sistema Solar.
Os cálculos ainda variam, mas estimam um núcleo entre algumas centenas de metros e 5 a 6 km de diâmetro. A velocidade é alta: mais de 220 mil km/h em relação ao Sol.
O cometa passou pelo periélio, ponto mais próximo ao sol, em 29 de outubro de 2025, a cerca de 203 milhões de quilômetros do Sol, dentro da órbita de Marte. Após reaparecer no início de novembro, telescópios registraram:

A coma (a nuvem ao redor do núcleo) chamou atenção. Observações do Telescópio James Webb revelaram uma proporção de dióxido de carbono (CO₂) cerca de oito vezes maior que a média dos cometas já estudados, uma das maiores já vistas.
Além disso, foram detectados:
Uma hipótese é que esses metais estejam ligados a carbonilos, moléculas muito frágeis que podem liberá-los mesmo a grandes distâncias. A investigação continua.
Em novembro, o radiotelescópio MeerKAT detectou ondas de rádio vindas do 3I/ATLAS, algo inédito em objetos interestelares.
Nas redes, isso gerou teorias sobre uma possível “sinalização alienígena”. Mas as medições mostram um processo natural:
Esse tipo de sinal já foi observado em outros cometas e asteroides gelados. Instituições científicas afirmam que não há qualquer evidência de tecnologia associada ao 3I/ATLAS.
O astrofísico Avi Loeb, de Harvard, voltou a sugerir que objetos interestelares possam te origem artificial, como já havia dito sobre ʻOumuamua. A comunidade científica, porém, considera essa hipótese extremamente improvável, pois:
A Rede Internacional de Alerta de Asteroides (IAWN) usará o 3I/ATLAS em um treinamento mundial de defesa planetária. É a primeira vez que um objeto interestelar participa de um exercício desse tipo.
O objetivo é melhorar técnicas de astrometria, já que caudas e comas podem dificultar cálculos de trajetória.
As sondas Mars Express e Trace Gas Orbiter registraram o objeto quando passou perto da órbita de Marte. A sonda JUICE, que estuda Júpiter, também foi escalada para acompanhar o cometa nas próximas semanas.
Os próximos meses serão importantes. Astrônomos querem saber:
Esses dados podem revelar detalhes sobre regiões distantes da Via-Láctea e ajudar a entender como diferentes sistemas planetários se formam.
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