Porta-voz do dono da Microsoft diz que Epstein não conseguiu uma relação com Gates e armou uma cilada.
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Jeffrey Epstein construiu uma rede de exploração sexual e tráfico humano que envolveu algumas das pessoas mais ricas e poderosas do mundo.
Na última sexta-feira (31), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou mais de 3 milhões de arquivos relacionados às investigações sobre o caso.
Entre os documentos, o nome de Bill Gates, fundador da Microsoft, aparece mais de 2.600 vezes.
Um dos documentos mais sensíveis foi um e-mail escrito por Epstein enviado para ele mesmo.
Ele escreve como se estivesse pedindo para deixar um cargo na Fundação Bill e Melinda Gates, apesar de nunca ter ocupado um cargo na instituição de caridade.
No documento, ele fala que está deixando o cargo após ter ajudado Bill Gates a fazer coisas imorais e até mesmo ilegais:
“No meu papel como seu braço direito… acabei aceitando participar de coisas que variaram do moralmente inadequado ao eticamente questionável, além de ter sido repetidamente solicitado a fazer outras coisas que se aproximavam e potencialmente ultrapassaram a linha da ilegalidade.”
O e-mail continua falando que ele havia ajudado Bill Gates a conseguir remédios para tratar de "consequências de sexo com garotas russas":
“Desde ajudar Bill a conseguir drogas, a fim de lidar com as consequências de sexo com garotas russas, até facilitar seus encontros ilícitos com mulheres casadas e ser solicitado a fornecer Adderall para torneios de bridge.”
Adderall é um medicamento usado para controlar o TDAH, mas pode ser utilizado por pessoas que não tem o transtorno para aumentar o foco e estimular o cérebro.

Os e-mails não são assinados. Há especulações de que seria um rascunho para uma carta que Epstein pretendia atribuir a Boris Nikolic, médico e então conselheiro sênior da fundação.
Nikolic renunciou a sua posição na fundação pouco tempo depois da data em que o e-mail foi enviado.
Em outro documento liberado na semana passada, é possível ver um contrato entre Epstein e gates para que Jeffrey represente Nikolic nas negociações sobre sua renúncia:
"O Sr. Epstein possui um relacionamento colegial existente com o Sr. Gates, no qual o Sr. Epstein recebeu informações confidenciais e/ou proprietárias do Sr. Gates."
Em 2021, o New York Times mostrou que os encontros entre os dois começaram por volta de 2011.
Na ocasião, ele comentou em um e-mail para colegas que “o estilo de vida [de Epstein] é muito diferente e meio intrigante, embora não funcionasse para mim”.
Ainda assim, os dois se encontraram diversas vezes ao longo de anos em locais como a casa de Epstein em Manhattan, hotéis e outros locais.
A porta-voz Bridgitt Arnold chegou a dizer que Gates foi apresentado por pessoas poderosas e que os dois trataram apenas de filantropia:
"Bill Gates se arrepende de ter se encontrado com Epstein e reconhece que foi um erro de julgamento fazê-lo… Gates reconhece que dar atenção às ideias de Epstein relacionadas à filantropia deu a ele uma plataforma imerecida que estava em desacordo com os valores pessoais de Gates e com os valores de sua fundação."
Os encontros entre os dois chegaram a ser mencionados por Melinda Gates como um dos motivos para seu divorcio:
“[Tiveram] muitas coisas, mas eu não gostei que ele tivesse tido reuniões com Jeffrey Epstein. Deixei isso claro para ele.”
Durante a entrevista, ela descreveu ter encontrado Epstein uma vez e afirmou que “se arrependeu no segundo em que passou pela porta”.
“Ele era abominável, ele era o mal personificado. Tive pesadelos com isso depois, então meu coração se parte por essas jovens mulheres, porque foi assim que eu me senti, e olhe que sou uma mulher mais velha. Meu Deus, sinto-me péssima por aquelas jovens, ele era horrível”, disse ela.
Um porta-voz do fundador da Microsoft negou as acusações e disse que os e-mails não provam nenhuma relação com Epstein:
"Essas alegações são absolutamente absurdas e completamente falsas. A única coisa que estes documentos demonstram é a frustração de Epstein por não ter um relacionamento contínuo com Gates e os extremos a que ele chegaria para armar ciladas e difamar."
A fala foi feita a um jornalista da Business Insider, que não deu o nome do porta-voz.
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