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Leão XIV toma posse da Catedral do papa

A Basílica de São João de Latrão é conhecida como a Mãe de todas as Igrejas e é, oficialmente, a catedral do bispo de Roma. Conheça sua história.

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Redação Brasil Paralelo
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Leão XIV sentado na Catedra da Basílica de São João de Latrão
Fonte da imagem: Site Impala

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Papa Leão XIV realizou um dos ritos mais significativos do início de um pontificado: a tomada de posse da Cátedra do bispo de Roma.

A cerimônia aconteceu na Basílica de São João de Latrão, considerada a catedral da Diocese de Roma e sede oficial do Pontífice como bispo da cidade.

Diferentemente da missa inaugural realizada na Praça de São Pedro, este ato marca a entrada formal do papa como o líder da Diocese de Roma. Durante a celebração, Leão XIV presidiu a liturgia e recebeu as homenagens das autoridades eclesiásticas e civis da cidade.

A catedral do papa não é a Basílica de São Pedro?

Apesar de São Pedro ser o templo mais conhecido do Vaticano, a catedral oficial do papa é a Basílica de São João de Latrão.

Essa distinção remonta ao século IV, quando o imperador Constantino doou ao papa Melquíades um terreno onde foi erguida a primeira basílica cristã de Roma, consagrada por São Silvestre.

  • A cátedra, termo que significa literalmente "cadeira", simboliza a autoridade episcopal. Na Igreja, cada bispo possui uma catedral como sede principal de sua missão pastoral.

No caso do papa, essa cátedra está localizada em Latrão, e não no Vaticano, pois é ali que se encontra a sede da Diocese de Roma.

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Mãe e cabeça de todas as igrejas

A inscrição presente na Basílica de São João de Latrão, “Mater et Caput omnium Ecclesiarum” (“Mãe e Cabeça de todas as Igrejas”) resume sua importância simbólica.

Ela não é apenas a catedral do papa, mas o templo que historicamente representa a unidade da Igreja Católica sob a autoridade do sucessor de Pedro.

Inscrição presente na basílica de São João de Latrão. Imagem: Wikipédia.
Inscrição presente na basílica de São João de Latrão. Imagem: Wikipédia.

A história da Basílica remonta ao século IV, quando o imperador Constantino promulgou o Édito de Milão, encerrando as perseguições contra os cristãos no Império Romano.

Como sinal de apoio à fé cristã, Constantino doou ao papa Melquíades um terreno pertencente à família Laterani, onde foi construída a primeira basílica oficial da cristandade.

  • O Édito de Milão foi uma norma promulgada no ano 313 pelos imperadores Constantino e Licínio, que garantiu a liberdade religiosa em todo o Império Romano. Com isso, os cristãos deixaram de ser perseguidos e puderam praticar sua fé publicamente.

O templo foi consagrado pouco tempo depois por São Silvestre I e recebeu o nome de Basílica do Santíssimo Salvador.

Segundo o Padre Paulo Ricardo de Azevedo, posteriormente a basílica passou por diversas reformas, por conta das invasões bárbaras e de diversos terremotos que atingiram a Itália ao longo da história.

“Ali era o templo principal de Roma. A Basílica de São João de Latrão, hoje, é um edifício completamente diferente do originário. O próprio papa São Leão Magno, de quem Leão XIV herdou o nome, teve que restaurar a basílica depois do saque dos vândalos”.

No século IX, aconteceu na basílica um episódio que ficou conhecido como o Sínodo do Cadáver, no qual um papa, chamado Formoso, foi desenterrado, julgado e condenado por seu sucessor.

De acordo com o professor Rafael Tonon, “Formoso foi julgado e condenado, sendo declarado um papa indigno e ilegítimo. E todos os seus atos foram anulados, totalmente apagados. Inclusive as ordenações sacerdotais foram declaradas inválidas”.

Após esse episódio, houve um novo terremoto e um incêndio na basílica, o que, segundo o Padre Paulo Ricardo, foi considerado pelo povo como “um grande castigo de Deus”. Após a reconstrução, a basílica foi dedicada a São João Batista.

No entanto, com o passar dos séculos, a basílica precisou passar por uma nova reforma, devido a novos terremotos que atingiram o local.

“Em determinado período, chegou a ficar em completo estado de abandono. Relatos indicam que vacas pastavam em seu interior e o mato crescia dentro da igreja. Isso ocorreu enquanto os papas residiam em Avinhão, deixando a catedral do papa sem cuidados”.
  • O exílio de Avinhão foi um período da história da Igreja em que os papas deixaram Roma e passaram a viver na cidade de Avinhão, no sul da França, entre 1309 e 1377. A mudança ocorreu após pressões políticas do rei da França, e o papa Clemente V, eleito em 1305, optou por não retornar a Roma.

Após o retorno do papa para Roma, a basílica foi novamente reformada e dedicada também ao apóstolo João. Desde então, é conhecida como Basílica do Santíssimo Salvador, em honra aos Santos João Batista e João Evangelista.

  • Você pode conhecer melhor sobre o “sínodo do cadáver” e sobre o exílio de Avinhão, no segundo episódio do especial papado - a história dos papas, produzido pela Brasil Paralelo e disponível no canal do youtube.
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A posse como bispo de Roma

O papa Leão XIV chegou à Basílica acompanhado por clérigos da Diocese de Roma e por representantes de outras dioceses italianas.

Durante a celebração, foi feita a leitura do decreto de posse, seguida por um gesto simbólico de entrada na cátedra episcopal, ato que representa sua responsabilidade pastoral sobre a cidade de Roma.

Em sua homilia, o Pontífice destacou a missão da Igreja de Roma como herdeira do testemunho dos apóstolos Pedro e Paulo.

“A Igreja de Roma é herdeira de uma grande história, enraizada no testemunho de Pedro, de Paulo e de inúmeros mártires, e tem uma única missão, muito bem expressa pelo que está escrito na fachada desta Catedral: ser Mater omnium Ecclesiarum, Mãe de todas as Igrejas”, disse.

Homenagem do prefeito de Roma

Antes da cerimônia em Latrão, Leão XIV se encontrou com o prefeito da cidade, Roberto Gualtieri, aos pés do Capitólio, sede simbólica da administração civil romana.

O prefeito afirmou que a visita do Pontífice confirma “o afeto profundo que ele nutre por Roma” e indicou que a primeira missão conjunta entre Igreja e prefeitura será a continuidade do Jubileu da Esperança.

Gualtieri destacou ainda o papel do papa na promoção de valores comuns, como a dignidade humana, a justiça e a paz, especialmente em tempos de desafios sociais e morais enfrentados pela cidade e pelo mundo.

A influência dos papas vai além dos muros de Roma

São João Paulo II foi um exemplo disso, sua atuação firme e espiritual foi essencial na queda do regime comunista em diversos países do Leste Europeu.

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