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Caso Americanas chega a nomes poderosos do varejo com bloqueio de R$ 54 bilhões

Empresa afirma que não foi alvo de buscas e diz ser a maior interessada no esclarecimento dos fatos.

Por
Gabriel Costa
Publicado em
Lojas Americanas
Fonte da imagem: Divulgação

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O caso que colocou a Americanas no centro de uma das maiores crises corporativas do país voltou a avançar sobre nomes de peso do mercado brasileiro.

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 25, a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga supostas fraudes contábeis nas Lojas Americanas. A Justiça Federal determinou o bloqueio e o sequestro de bens e valores de até R$54 bilhões.

O valor corresponde à estimativa das irregularidades apontadas por laudos técnicos produzidos durante a investigação. A medida busca preservar recursos para uma eventual reparação dos prejuízos.

Ao todo, policiais federais cumprem nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Entre os alvos estão o empresário Carlos Alberto Sicupira, conhecido como Beto Sicupira, e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann.

Os mandados foram expedidos pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

A empresa disse que a operação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023 e que seguirá colaborando com as investigações.

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Operação investiga líderes da empresa participaram das irregularidades

A nova fase é um desdobramento da operação iniciada em junho de 2024. Desde então, a PF aprofundou a análise de documentos, equipamentos eletrônicos e informações financeiras obtidas na primeira etapa.

A investigação tenta esclarecer se acionistas de referência da companhia, representantes e funcionários de grandes bancos privados, ex-executivos e outros ex-funcionários da Americanas tiveram participação nas irregularidades.

Segundo os investigadores, as irregularidades teriam ocorrido ao longo de vários anos para esconder a real situação econômico-financeira da empresa.

O foco está em duas frentes principais

A primeira envolve operações de risco sacado, que teriam sido registradas de forma inadequada.

Esse tipo de operação ocorre quando uma empresa antecipa pagamentos a fornecedores por meio de bancos, criando dívidas que precisam aparecer corretamente nos balanços.

A segunda envolve verbas de propaganda cooperada, conhecidas como VPC. Segundo a PF, parte desses registros não teria lastro econômico efetivo, ou seja, não corresponderia a operações reais capazes de justificar os valores lançados.

As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.

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Americanas afirmou que seguirá colaborando com as investigações

A Americanas afirmou, em nota, que não foi alvo de mandados de busca nesta quinta-feira e que a operação da PF e do Ministério Público Federal se refere à fraude revelada em 2023 e que seguirá colaborando com as investigações.

“A Companhia seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos”, informou a empresa.

A LTS, holding de Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, também se manifestou.

O grupo afirmou ter sido surpreendido pela operação e disse que os acionistas de referência “foram enganados e induzidos a erro pela antiga diretoria da Americanas”.

A holding declarou ainda que vê a operação como parte regular das apurações e que segue disposta a colaborar com as autoridades. Segundo a nota, as defesas ainda não tiveram acesso à íntegra da decisão judicial.

A Americanas entrou em recuperação judicial depois de revelar um rombo bilionário em 2023. Desde então, o caso passou por investigação independente, CPI no Congresso e apurações criminais.

Agora, com o bloqueio de até R$54 bilhões, a PF tenta avançar sobre a pergunta central do caso: quem sabia, quem participou e quem deve responder por uma das maiores fraudes contábeis já investigadas no Brasil.

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