Lula afirmou que o filho será tratado como qualquer pessoa caso seja acusado pela Polícia Federal: “Não haverá nenhum privilégio”.

A investigação sobre o caso do INSS abriu uma nova frente contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula.
O ministro André Mendonça autorizou a Polícia Federal a abrir um inquérito para apurar se Lulinha cometeu crimes de tráfico de influência e corrupção em negociações envolvendo o Ministério da Saúde.
O caso não trata dos descontos ilegais em aposentadorias e pensões.
A suspeita, segundo a PF, é que Lulinha teria atuado para favorecer Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, em negócios ligados ao mercado de cannabis medicinal.
Camilo Antunes é apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema investigado na Operação Sem Desconto, que apura desvios em benefícios de aposentados e pensionistas.
A nova investigação nasceu a partir dessa apuração, mas mira um episódio diferente.
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Segundo a PF, o lobista tentou fechar, entre 2024 e 2025, um contrato com o Ministério da Saúde para fornecer medicamentos à base de canabidiol ao governo federal. O acordo, porém, nunca foi assinado.
A suspeita é que Lulinha tenha usado sua influência para facilitar reuniões de Camilo Antunes com integrantes da pasta.
Em janeiro de 2025, o Careca do INSS participou de uma reunião com Swedenberger Barbosa, então secretário-executivo do Ministério da Saúde.
Berger afirmou que o encontro aconteceu dentro das atribuições do cargo, sem interferência externa, e disse que a conversa não teve desdobramentos porque o ministério não demonstrou interesse na contratação.
A relação entre Lulinha e Camilo Antunes já havia aparecido no caso do INSS.
A defesa do filho do presidente confirmou que ele viajou para Portugal com o lobista em novembro de 2024.
Segundo o advogado Marco Aurélio de Carvalho, a viagem foi feita a convite de Camilo para conhecer uma fábrica de medicamentos à base de cannabis medicinal.
A defesa afirma que a viagem não resultou em parceria comercial, contrato ou repasse de valores a Lulinha. Também sustenta que ele não participou do esquema do INSS, não recebeu dinheiro desviado de aposentados e jamais praticou tráfico de influência.
O presidente Lula também comentou a situação do filho. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., afirmou que Lulinha será tratado como qualquer pessoa caso seja acusado pela Polícia Federal.
“Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. É o certo. Não haverá nenhum privilégio”.
Lula também afirmou que não pediria a delegados ou juízes para deixarem de cumprir suas funções.
A decisão de Mendonça acontece em meio a um atrito entre o ministro e a própria Polícia Federal.
A corporação acionou a AGU para tentar contestar medidas impostas por Mendonça na condução da Operação Sem Desconto.
O ministro determinou que todos os atos da apuração sejam juntados imediatamente ao processo em seu gabinete e que mudanças na equipe de investigação sejam comunicadas previamente ao STF.
Agora, o relator autorizou a PF a avançar sobre uma suspeita envolvendo o filho do presidente.
A investigação ainda está no início.
O ponto central será saber se Lulinha apenas manteve relação pessoal com o lobista ou se atuou para abrir portas no governo federal em favor dos interesses de Camilo Antunes.
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