A fala foi feita em um vídeo-resposta à Ana Campagnolo. A deputada critica a decisão de lançar Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina.

Em vídeo publicado para responder às críticas públicas da deputada estadual Ana Campagnolo (SC), Eduardo Bolsonaro defendeu a indicação de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina e afirmou que Tarcísio de Freitas “é o candidato do sistema” e “o nome que Alexandre de Moraes gostaria que fosse eleito”.
A gravação foi motivada por declarações de Campagnolo no programa Pânico e nos seus stories, em que ela reprovou a estratégia de lançar Carlos por Santa Catarina.
Eduardo sustenta que Jair Bolsonaro já determinou apoio a Carlos para o Senado em SC. Ele exibe um vídeo de julho de 2025 com o pai dizendo que colocaria “um indicado seu” na vaga e que “o nome” seria Carlos Bolsonaro.
Para Eduardo, o caso não é “privilégio de família”, mas “projeto político do líder da direita”. Ele afirma que, dentro do movimento, deve prevalecer a orientação do ex-presidente: “Não tem como falar em lealdade e gratidão quando a conduta não expressa isso.”
Sobre o apoio de Ana a Tarcísio, apontado por Eduardo, ele disse:
“O Tarcísio é o candidato do sistema, é o cara que o Moraes quer que seja eleito, porque ainda viria com apoio de Jair Bolsonaro.”, disse Eduardo no vídeo.
Eduardo fez uma menção a um elogio de Jair Bolsonaro a Carlos e disse que ele “trabalha ‘como burro de carga’ desde 2000”. O deputado também afirmou que Carlos Bolsonaro recusou cargos no governo e não concorreu a deputado em 2018 para dedicar-se à campanha nacional.
Ele credita a Carlos a estrutura orgânica que levou Bolsonaro ao Planalto e afirma que o vereador do Rio “elegeu senadores e deputados pelo Brasil”. Segundo ele, isso mostra o mérito político de Carlos Bolsonaro.
Eduardo rebateu o argumento de que a candidatura de Carlos seria “estratégia pessoal” e “prejudicaria o trabalho de base” em Santa Catarina. Ele diz que não se trata de bairrismo, recorda que Campagnolo também enfrentou resistência ao migrar do Oeste para Joinville em 2018 e afirma ter garantido a legenda a ela na época.
Antes do vídeo publicado por Eduardo Bolsonaro, em entrevista à Brasil Paralelo, a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC) afirmou que o impasse com a família Bolsonaro começou após ter dado uma entrevista em que teria analisado, de forma “estratégica”, a possível candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina.
Ela afirma que não é contra o nome de Carlos, mas critica a forma como a decisão foi conduzida e o impacto que a medida pode ter sobre as lideranças locais.
Segundo Campagnolo, seu comentário inicial foi mal interpretado por páginas de redes sociais, que divulgaram que ela “era contra Carlos Bolsonaro”.
“Eu apenas disse que a candidatura do Carlos atrapalha o jogo político em Santa Catarina, porque tomaria a vaga da Caroline de Toni, nossa deputada federal e uma excelente liderança. Nunca ataquei o Carlos nem fui desrespeitosa”, declarou.
A deputada afirma compreender o contexto de “proteção familiar”, afirmação da qual Eduardo Bolsonaro discorda, que motivaria Jair Bolsonaro a lançar o filho por Santa Catarina, mas sustenta que as lideranças regionais precisam ser ouvidas:
“Eu entendo o presidente. Se eu estivesse no lugar dele, também faria tudo pelas minhas filhas. Mas também entendo os prefeitos e deputados catarinenses, que construíram uma base sólida e esperam respeito às decisões locais.”
Campagnolo detalhou que, segundo acordos internos do PL, as duas vagas ao Senado já estariam negociadas, uma para o senador Esperidião Amin (PP) e outra para Carlos Bolsonaro, o que deixaria Caroline de Toni fora da disputa.
“O governador Jorginho Mello já avisou há mais de um ano que não haverá chapa pura. O PL terá uma vaga, e a outra ficará com a coligação. Com a entrada do Carlos, a Carol precisará sair. Esse é o problema real.”
Ela também comentou que o episódio expõe uma crise de comunicação e de reciprocidade dentro da direita:
“A lealdade é uma via de mão dupla. Santa Catarina já entregou muito ao presidente Bolsonaro. As lideranças que o ajudaram precisam ser respeitadas, não tratadas como descartáveis.”
Campagnolo encerrou dizendo que, mesmo diante dos ataques de Carlos e Eduardo Bolsonaro, permanece leal ao ex-presidente e ao movimento conservador:
“Posso estar sendo ofendida agora, mas continuo fiel ao projeto do Bolsonaro. Só defendo que decisões nacionais não atropelarem o trabalho de base que faz a direita funcionar em Santa Catarina.”. Veja a entrevista completa:
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