Documentário reúne entrevistas feitas nos meses seguintes ao processo e mostra como o cenário político se reorganizou na década seguinte.

Por 61 votos a 20, Dilma Rousseff foi considerada culpada por crime de responsabilidade em 31 de agosto de 2016. Como consequência, perdeu o cargo de Presidente da República. Naquela quarta-feira, o Brasil assistiu ao fim de um governo.
Hoje faz dez anos deste dia, e muitos dos nomes que protagonizaram aquele momento ainda estão presentes no dia a dia político e até concorrendo a novos cargos.
Essa história nunca teve uma única versão.
Para uns, foi a resposta necessária a irregularidades fiscais em meio à pior crise econômica em 25 anos e a um dos maiores escândalos de corrupção já visto no país.
Para outros, foi um golpe institucional, versão que ganhou força internacional e chegou a virar filme indicado ao Oscar.
Duas leituras que nunca se encontraram e que, dez anos depois, continuam divergindo.
Em março daquele ano, uma conversa entre o senador Romero Jucá e o então presidente da Transpetro, Sérgio Machado, foi gravada secretamente.
Nela, Jucá dizia que era preciso "mudar o governo para poder estancar a sangria" da Lava Jato, um indício, segundo críticos do processo, de que a saída de Dilma serviria para conter os avanços da operação contra outros políticos.
Em abril, Eduardo Cunha, o mesmo deputado que concorre a mais um mandato em 2026, era o presidente da Câmara e o responsável por conduzir a votação que autorizou o impeachment.
Dezoito dias depois, ele foi afastado do cargo pelo STF, acusado de usar a função para obstruir investigações contra ele.
Em seu lugar assumiu um substituto interino, que chegou a anular a votação que havia autorizado o processo a seguir para o Senado. A decisão só não prosperou porque o presidente do Senado se recusou a reconhecer a anulação.
Desde então, quase tudo mudou de lugar. Lula foi preso, solto, teve condenações anuladas e venceu as eleições de 2022 e Dilma se tornou presidente do banco dos BRICS.
E agora, em 2026, alguns desses mesmos nomes aparecem novamente na disputa pelo poder, uma década depois de terem estado no centro daquele processo.
Para resgatar essa história longe das narrativas prontas, a Brasil Paralelo lança hoje, exatamente no aniversário de 10 anos do impeachment, um documentário sobre o tema.
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