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Escritora brasileira foge da onda woke e chega na final de prêmio internacional

Ana Paula Maia disse que tem dificuldade de se “encaixar” e procura lugares “onde você só precisa ser bom”.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
Ana Paula Maia, autora que foge das pautas woke e faz sucesso na Europa
Fonte da imagem: Divulgação

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Em um mercado literário que leva pautas identitárias cada vez mais a sério, Ana Paula Maia chegou à semifinal do International Booker Prize apesar de não explorar essa temática

O prêmio é considerado uma das maiores distinções da literatura mundial para obras traduzidas para o inglês e costuma projetar autores para leitores de diversos países

A autora de 48 anos nasceu em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e construiu uma carreira pouco convencional

Enquanto muitos escritores brasileiros concentram suas histórias em temas regionais, Ana Paula Maia escreve romances de terror e suspense ambientados em cenários universais.

Seu livro Assim na Terra como Embaixo da Terra, foi responsável por levá-la ao International Booker Prize

A obra chegou à fase final da premiação na tradução para o inglês feita por Padma Viswanathan. 

O prêmio acabou sendo vencido pelo romance Taiwan Travelogue, da escritora taiwanesa Yang Shuang-zi.

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Autora disse que não se identifica com identitarismo

Em entrevista para o portal Uol, a autora disse que nunca se identificou com a questão identitária:

Desde que comecei a escrever, percebi os meus pares trazendo muito a questão identitária para dentro da obra, mas nunca me identifiquei com ela. Eu brincava: 'Acho que todo mundo se encontra na recepção do mesmo terapeuta, estão todos bêbados e em crise'.”

Mesmo tendo características que costumam ser abordadas por movimentos de esquerda, ela faz questão de não cair nas narrativas.

Isso acaba causando problemas e dificuldades para ela se encaixar nas rodas literárias brasileiras:

Não tem nada disso, 'ah, nasci em Nova Iguaçu, sou mulher, preta'. Não existe isso. Aqui não tem questão identitária. Então fica mais difícil, às vezes, me encaixarem. Eu vou me encaixar em outros lugares, onde você só precisa ser bom.”

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Um reconhecimento que veio primeiro no exterior

Embora ainda tenha um público relativamente pequeno no Brasil, Ana Paula Maia conquistou reconhecimento internacional há alguns anos.

Na Alemanha, por exemplo, o romance A Guerra dos Bastardos foi apontado pela crítica como um dos melhores livros noir do ano

O sucesso fez com que a autora alcançasse um nível de popularidade incomum para brasileiros, participando de sessões de autógrafos e lançamentos com grande público.

Ela também consolidou uma carreira em língua espanhola, publicando regularmente na Argentina desde seu quinto livro, De Gados e Homens.

Segundo a escritora, parte dessa recepção internacional pode estar relacionada ao caráter universal de suas histórias.

Ela afirma que seus livros não são regionalistas e que seus personagens enfrentam conflitos ligados ao funcionamento do poder, da violência e das instituições, temas que podem ser compreendidos por leitores de diferentes países.

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