Rodrigo Bacellar é acusado de vazar informações da Polícia Federal ao alertar o deputado TH Joias e orientar a destruição de provas.

Ainda era cedo quando agentes da Polícia Federal chegaram ao prédio onde mora Rodrigo Bacellar, presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ).
Minutos depois, a operação que vinha sendo articulada em sigilo se confirmou: por ordem do ministro Alexandre de Moraes, Bacellar seria preso por suspeita de vazar informações sigilosas e orientar a destruição de provas.
As mensagens que motivaram a prisão estavam no celular do deputado estadual TH Joias, apreendido meses antes.
De acordo com a Polícia Federal, Bacellar teria telefonado para ele no dia anterior à prisão e recomendado que eliminasse evidências. As mensagens não foram apagadas e revelaram trocas diretas entre os dois.
Em um dos trechos destacados por Moraes, às 6h03 do dia da operação, TH envia a Bacellar uma foto do sistema de segurança do imóvel. A imagem mostra os policiais da PF dentro da residência enquanto cumpriam o mandado.
Ele também compartilha o telefone de sua advogada. A PF ainda não sabe quem avisou Bacellar sobre a ação.
Apesar da prisão, a Alerj funcionou normalmente. A Comissão de Constituição e Justiça se reuniu às 11h40. O deputado Rodrigo Amorim, aliado de Bacellar, mencionou brevemente o caso, afirmando que soube da prisão pela imprensa.
O assunto não voltou a ser discutido. A ordem do dia da tarde foi mantida, e o governo Cláudio Castro não se manifestou.
A prisão integra a Operação Zargun, que apura o vazamento de informações sigilosas e ligações entre agentes públicos e facções criminosas.
A ação cumpre um mandado de prisão preventiva contra Bacellar, oito mandados de busca e apreensão e medidas cautelares autorizadas pelo STF.
O inquérito está ligado à ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, em que o Supremo determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre grupos criminosos violentos no Rio e possíveis conexões com autoridades.
Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH joias, é um deputado estadual e foi preso em setembro.
Ele é investigado por tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e venda de armas ao Comando Vermelho. A operação envolveu PF, Ministério Público Federal e Polícia Civil.
O MDB expulsou o parlamentar após a prisão. Além dele, foram presos:
As investigações apontam um esquema que unia TH, chefes da facção e agentes públicos, incluindo um delegado da PF, policiais militares e o ex-secretário Alessandro Pitombeira Carracena, preso na manhã desta quarta-feira.
Carracena já ocupou cargos na Prefeitura do Rio e no governo estadual.
Segundo o Ministério Público, o grupo operava nos Complexos da Maré e do Alemão e em Parada de Lucas, negociando drogas, fuzis do Paraguai e equipamentos antidrones da China, usados para dificultar operações policiais.
Parte do material seria revendida a facções rivais. Investigadores identificaram ainda movimentações financeiras suspeitas em empresas ligadas a TH, indicando lavagem de dinheiro.
Para o MP, TH usou o mandato para favorecer o Comando Vermelho, inclusive com nomeações na Alerj.
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