Desde sua fundação, o MST foi se desenvolvendo e passou a atuar em diferentes áreas. Além da luta no campo em prol da reforma agrária, os membros do grupo trabalham com setores de núcleos de ação, especialmente nas áreas:
- educação de jovens, especialmente para o ativismo socialista;
- formação política, realizando lobby com membros do governo e formando futuros candidatos;
- produção agrícola, vendendo os produtos produzidos em ocupações;
- ativismo social e político em prol de pautas identitárias, especialmente LGBTQ, ideologia de gênero e cultura socialista/comunista.
Outras polêmicas cercam o movimento, como:
A controvérsia parte do pensamento dos críticos de que o projeto de ocupar terras seria autoritário e prejudicaria o equilíbrio natural gerado pelo livre mercado.
Segundo o economista Roberto Campos, o governo brasileiro foi ineficiente na aplicação do Estatuto da Terra, acabando por não utilizar os impostos progressivos para a reforma agrária, meio primário segundo a lei, mas sim, a desapropriação de terras, meio que deveria ser utilizado apenas em casos excepcionais segundo a legislação.
Mesmo com o governo autorizando a reforma agrária, muitas famílias continuam sem terra devido a ineficiência do governo. Roberto afirmou no Roda Viva que o Estatuto da Terra foi tomado por gestores com mentalidade anticapitalista, desfavorecendo empresários e produtores do ramo da agricultura e tornando as ações do governo ineficientes.
O educador financeiro Bruno Perini aponta o exemplo do governo da Venezuela. Para realizar uma extensa reforma agrária no país, Hugo Chávez estatizou as terras de seu país e as distribuiu para aliados políticos, sendo grande parte deles militares, não agricultores.
Atualmente, o país não possui comida suficiente, o país não produz mais os itens necessários para a sobrevivência dos venezuelanos.
Em 2017, a Pesquisa sobre Condições de Vida (Encovi), realizada a partir da união das principais universidades da Venezuela, afirmou que a média de peso dos venezuelanos diminuiu 11 quilos. Uma das principais causas apontadas foi a falta de comida.
Autoritarismo socialista
A advogada Maria Diniz Lion ressalta que a reforma agrária poderia começar com o governo doando primeiramente as terras públicas para famílias carentes ao invés de doar terras que já possuem proprietários, como é a reforma agrária brasileira na prática.
A pesquisa "A Quem Pertencem as Terras Brasileiras?", publicada na revista Land Use Policy mostra que 36,1% de todas as terras brasileiras são públicas e 16,6% não são registradas ou têm propriedade desconhecida. Dessa forma, a advogada Maria defende que o governo comece doando suas terras ou terras sem dono, não desapropriando.
No livro O Caminho da Servidão, o economista Hayek discorre sobre a possibilidade da intervenção do Estado na economia, como em uma reforma agrícola.
Para ele, autorizar ações arbitrárias do governo contra o mercado e contra direitos humanos básicos conduziriam o país ao autoritarismo.
Para os economistas liberais clássicos como John Locke e outras escolas, como a Escola Austríaca de Economia, permitir que o Estado ataque um direito natural como o direito à propriedade é um caminho para o autoritarismo.
Para eles, o Estado deve proteger os direitos básicos e naturais, não interferir na economia. Os economistas dão exemplos da União Soviética e até mesmo exemplos recentes como Venezuela e Cuba.
Nesses países, não existe democracia e respeito aos direitos humanos. Quando um dos direitos fundamentais é ferido, todos os outros direitos são relativizados e podem ser feridos.
Em relatório divulgado em agosto de 2022, a ONU apontou que os serviços de inteligência da Venezuela cometeram crimes contra a humanidade sob ordens das esferas mais elevadas do governo para reprimir a oposição.
O MST ensina aos Sem Terrinhas marxismo, socialismo e teorias que, para os autores citados, são autoritárias e anti-naturais.
Descubra os fatos mais controversos do MST
MST: Terra Prometida, o novo documentário da Brasil Paralelo, é fruto de uma investigação profunda que percorreu o Brasil rural em busca de respostas.
Visitamos assentamentos, ouvimos quem vive essa realidade por dentro e expomos os bastidores de um sistema que, em vez de emancipar, aprisiona.
No dia 22 de maio, MST: Terra Prometida, estreia gratuitamente para todo o Brasil, e com ele, a chance de entender por que o movimento que é um dos maiores donos de terra do país mantém seus próprios integrantes sem futuro e sem o direito de parar de marchar.
Prepare-se para conhecer a realidade dos desapropriados e dos assentados, a dependência instalada, a insegurança jurídica e o ciclo de violência que se perpetua longe dos grandes centros urbanos.
Cadastre-se agora mesmo neste link para assistir ao documentário junto com milhares de brasileiros que buscam conhecer os fatos.