Zelensky recusa plano de paz de Trump e recebe apoio de líderes europeus
Moscou pressiona a Ucrânia a aceitar o rumo das negociações o mais rápido possível.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que não trairá seu país ao rejeitar o plano de paz proposto pelo governo Trump para encerrar a guerra com a Rússia.
Ele afirmou que vai negociar com o governo americano para buscar uma proposta mais favorável:
“Apresentarei argumentos, tentarei persuadir e vou propor alternativas… Não traímos a Ucrânia naquela época e não a trairemos agora."
Apesar da fala, Zelensky manteve um tom apaziguador em suas redes sociais, agradecendo Trump e dizendo que está trabalhando na proposta:
"Valorizamos os esforços dos Estados Unidos, do presidente Trump e de sua equipe, voltados para pôr fim a esta guerra. Estamos trabalhando no documento preparado pelo lado americano. Este deve ser um plano que garanta uma paz real e digna."
A Brasil Paralelo investigou o lado pouco comentado pela mídia do presidente ucraniano em especial de Face Oculta. Clique aqui e assista completo.
O que prevê o plano de paz americano?
A proposta apoiada por Donald Trump estabelece um cessar-fogo imediato, mas exige profundas concessões da Ucrânia. Entre os pontos mais controversos, estão:
- Cessão de territórios: as regiões de Donetsk, Lugansk, parte do sul ucraniano e a Crimeia seriam reconhecidas de fato como russas pelos EUA.
- Renúncia à OTAN: Kiev abandonaria a intenção de aderir à aliança militar ocidental, embora pudesse manter aspirações à União Europeia.
- Limitação militar: o Exército ucraniano seria reduzido a 600 mil soldados.
- Eleições antecipadas: a Ucrânia deveria organizar eleições nacionais em até 100 dias.
- Proteção externa limitada: tropas da OTAN seriam proibidas no país, com apenas caças europeus estacionados na Polônia para defesa aérea.
- Levantamento gradual das sanções à Rússia, com reintegração ao G8.
- Investimento de ativos russos congelados na reconstrução da Ucrânia, estimado em US$ 100 bilhões.
Um dia após o governo americano apresentar uma proposta de paz para a guerra, líderes dos principais aliados ucranianos na Europa fizeram uma reunião com Zelensky.
Europa apoiará a Ucrânia
Os representantes da França, Alemanha e Reino Unido se reuniram para conversar com Zelensky um dia após os americanos entregarem o plano.
Um porta-voz de Berlim comentou que as potências europeias disseram que apoiarão a Ucrânia de maneira “inabalável e total” para construir “uma paz justa e duradoura”.
O chanceler da Alemanha resumiu a posição do bloco, defendendo que os europeus precisam participar das negociações:
“[Qualquer acordo de paz que] afete os Estados europeus, a União Europeia ou a Otan requer a aprovação dos parceiros europeus ou um consenso entre os aliados”.
O secretário do Conselho de Segurança Nacional da Ucrânia, Rustem Umerov, declarou que Kiev não aceitará nenhum plano que desrespeite sua soberania:
"[Não podem ser tomadas] decisões fora do limite da nossa soberania, da segurança do nosso povo ou outras de nossas linhas vermelhas".
Já o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, alertou que a Ucrânia deveria negociar enquanto ainda tem capacidade de defender seu ponto:
“O trabalho eficaz das Forças Armadas russas deve convencer Zelensky: é melhor negociar agora do que depois. O espaço para a liberdade de decisão está diminuindo para ele à medida que territórios são perdidos durante as ofensivas do Exército russo.”
A guerra entre Rússia e Ucrânia começou em fevereiro de 2022 e já custou a vida de 250 mil russos e 400 mil ucranianos.
Pôr um fim ao conflito foi uma das principais promessas de Trump durante a corrida presidencial do ano passado.
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