Primeira-ministra respondeu dizendo que ela e nem a Itália imploram.

Trump disse que a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, implorou para tirar uma foto com ele durante a cúpula do G7 realizada na França.
O presidente americano ainda acrescentou que só aceitou o pedido porque sentiu pena da líder italiana.
A declaração foi dada durante uma entrevista à emissora italiana La7 e provocou uma nova crise entre dois políticos que, até pouco tempo atrás, eram aliados próximos.
“Ela me implorou para tirar uma foto com ela. Ela queria muito uma foto comigo. Eu não teria tirado, mas fiquei com pena dela”, afirmou Trump.
A resposta de Meloni veio poucas horas depois. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a premiê afirmou estar surpresa com as declarações e negou a versão do presidente americano:
“As declarações de Donald Trump são completamente inventadas. Estou francamente surpresa. Não sei por que o presidente dos Estados Unidos se comporta dessa maneira com seus aliados”.
Meloni também disse que Trump costuma demonstrar mais tolerância com adversários do Ocidente do que com países aliados:
“Só posso dizer que é decepcionante que ele não demonstre a mesma determinação com os inimigos do Ocidente e dos Estados Unidos, cujos líderes ele trata com muito mais indulgência.”
A primeira-ministra encerrou a resposta dizendo que “há uma coisa que ele deve lembrar: nem eu nem a Itália jamais imploramos.”
O episódio gerou reações imediatas dentro do governo italiano. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, cancelou uma viagem que faria aos EUA e classificou as declarações como “graves e ofensivas”.
A troca de acusações chama atenção porque Meloni foi durante anos considerada uma das líderes europeias mais próximas de Trump.
Os dois compartilhavam posições semelhantes em temas como imigração ilegal e críticas às agendas progressistas.
A aproximação começou antes mesmo de Meloni chegar ao governo italiano. Em 2018, ela recebeu Stephen Bannon, ex-conselheiro de Trump, em uma conferência conservadora na Itália.
Quando Trump retornou à Casa Branca, em 2025, Meloni foi a única líder europeia presente na cerimônia de posse em Washington.
Em abril, após Trump anunciar tarifas comerciais contra diversos países europeus, Meloni criticou a medida, mas ainda viajou a Washington para um encontro cordial na Casa Branca.
O desgaste começou no início deste ano. Em janeiro, Trump voltou a defender a anexação da Groenlândia, proposta que foi rejeitada por governos europeus.
Meloni evitou um confronto direto, mas afirmou que não apoiaria qualquer ação militar americana no território.
A crise se aprofundou em fevereiro, quando os EUA realizaram uma operação militar contra o Irã em conjunto com Israel.
Com o aumento da oposição interna à guerra e a alta dos preços de energia, a primeira-ministra passou a adotar uma postura mais crítica em relação à estratégia americana.
Ela afirmou que os Estados Unidos haviam agido sem consultar aliados europeus e declarou que a Itália não participaria do conflito.
Pouco depois, o governo italiano também recusou o uso de uma base aérea na Sicília para operações americanas relacionadas ao conflito.
O estopim mais recente ocorreu quando Trump chamou o papa Leão XIV de “fraco” por condenar a guerra contra o Irã.
“Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre”, reagiu Meloni.
A resposta do presidente americano veio no dia seguinte. Em entrevista ao jornal Corriere della Sera, Trump afirmou estar “chocado” com a postura da líder italiana.
“Ela não é mais a mesma pessoa, e a Itália nunca mais será o mesmo país.”
Apesar do tom duro da troca de farpas, autoridades italianas afirmam que a crise é mais pessoal do que institucional.
A ex-embaixadora italiana em Washington, Mariangela Zappia, avaliou que as relações entre os dois países devem continuar preservadas, mesmo diante do conflito entre os dois líderes.