Trump fala em operações por terra no país para combater os narcotraficantes.

A tensão entre EUA e México aumentou após Trump falar na possibilidade de operações militares terrestres contra cartéis de drogas em território mexicano.
Em entrevista à Fox News, o presidente disse que os EUA reduziram o tráfico de drogas por vias marítimas e que o próximo passo seria agir por terra:
“Eliminamos 97% das drogas que entram por via marítima e agora vamos começar a atacar por terra”, declarou o presidente americano.
Pouco depois, ele falou que o México é controlado pelo crime organizado e disse que os carteis matam milhares de americanos:
"Os cartéis estão controlando o México, é muito triste ver o que aconteceu com aquele país… Eles estão matando 250, 300 mil pessoas em nosso país todos os anos."
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, reagiu afirmando que pretende fortalecer a coordenação bilateral em segurança.
No entanto, deixou claro que qualquer presença militar estrangeira no país está fora de cogitação.
O chanceler Juan Ramón de la Fuente foi orientado a entrar em contato direto com o Departamento de Estado americano e, se necessário, com o próprio Trump para manter o diálogo entre os governos:
“Pedi ao chanceler que entrasse em contato direto com o secretário do Departamento de Estado e, se necessário, conversasse com o presidente Trump para fortalecer a coordenação”, disse Sheinbaum em sua coletiva matinal.
A presidente mexicana confirmou que chegou a conversar por telefone com Trump após as ameaças. O tema central da discussão foi o limite da atuação americana.
O atrito entre os dois países tem aumentado após os EUA classificarem os cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras em fevereiro de 2025.
Sheinbaum voltou a rejeitar essa classificação, afirmando que ela não encontra respaldo na Constituição nem nas leis mexicanas.
“Não estamos de acordo. Nossa Constituição e nossas leis falam de terrorismo em outro sentido. O crime organizado não pode ser catalogada como terrorismo”, declarou.
Segundo a presidente, o conceito de terrorismo no México está ligado a ações contra o Estado ou com motivações políticas, e não com fins financeiros, ainda que seja extremamente violento.
Ela também alertou que essa classificação não pode servir de justificativa para intervenções militares.
“Não estamos de acordo com que o que os Estados Unidos chamam de terrorismo implique uma intervenção em nosso país”, afirmou.
Sheinbaum lembrou que o México chegou a alterar sua Constituição para deixar explícita a rejeição a qualquer tipo de intervenção estrangeira.
“Adicionamos um parágrafo à Constituição deixando claro que o povo do México é contra qualquer intervencionismo”, disse.
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