Policiais corruptos usaram telefone no nome de mortos para ajudar criminosos em operação contra refinaria fantasma
Governador do Rio de janeiro, Cláudio Castro, está entre os alvos da operação

A Polícia Federal identificou que dois agentes estavam usando telefones registrados no nome de pessoas mortas para se comunicar com investigados da Operação Sem Refino.
A estratégia de usar o nome de mortos foi utilizada para tentar dificultar o trabalho de identificação.
No entanto, um dos oficiais era um escrivão que foi descoberto através do rastreamento do IP da rede interna da PF.
Ele acessou a conversa de dentro da delegacia, o que fez com que seu login fosse identificado no registro.
Outro escrivão aparece no mesmo núcleo de contatos, o que reforça a hipótese de tentáculos da organização na segurança pública.
Policial civil também foi detido por vazamento
Além desses agentes, a investigação também encontrou um policial civil que teria dado informações privilegiadas a investigados.
Os agentes acreditam que ele comprometeu a coleta de provas e comprometido a investigação.
Ele teve contato com um lobista que representava a organização. Em sua casa foram apreendidos R$500 mil.
Governador está entre os investigados
Na manhã desta sexta-feira (15), a polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.
Ele foi um dos alvos de uma operação que investiga um escândalo na refinaria de Manguinhos, a Refit.
Segundo os agentes, o local estaria sendo utilizado para fraude fiscal e importação irregular de combustíveis.
As investigações apuram que o local pode ser uma espécie de “refinaria fantasma”, simulando o refino e comprando combustíveis prontos para evitar impostos.
A Operação Sem Refino investiga um grupo financeiro que seria responsável por crimes como:
ocultação patrimonial;
dissimulação de bens;
evasão de recursos para o exterior
Empresário com nome na lista vermelha da Interpol também é investigado
Cláudio Castro não foi o único alvo, ao todo,17 mandatos foram cumpridos pelas autoridades apenas nesta manhã.
Os agentes ainda procuram o empresário Ricardo Magro, dono da empresa Refit que é considerado um dos maiores sonegadores do país.
Seu nome agora está na lista vermelha da Interpol, o que significa que autoridades estrangeiras serão alertadas caso ele fuja do país.
A investigação contra Cláudio Castro é mais um capítulo na história de corrupção acerca do governo do Rio de Janeiro.
Cinco ex-governadores do estado já foram presos e os escândalos não se limitam ao executivo.
Nas últimas semanas, diversos deputados estaduais e vereadores têm sido detidos pela polícia, muitos deles por relação com o crime organizado.
As facções se espalham para além da infiltração no poder público e controlam regiões inteiras, colocando o estado em uma verdadeira guerra.
A Brasil Paralelo investigou essa situação com o documentário Rio de janeiro: Paraíso em Chamas. Assista ao trailer completo abaixo:
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