“CVnet”: operação contra o Comando Vermelho prende mãe e irmão de Oruam
Investigação aponta que moradores eram obrigados a contratar provedores ligados à facção. Em alguns lugares, a internet representava mais de 40% da arrecadação do grupo.

A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira (19) a mãe e o irmão do rapper Oruam, suspeitos de envolvimento em um esquema de fornecimento de internet controlado pelo Comando Vermelho.
Márcia Gama e Lucas Santos Nepomuceno foram presos preventivamente durante a Operação Backbone, que investiga como a facção passou a lucrar com um serviço essencial para os moradores.
Segundo a PF, criminosos cortavam cabos, destruíam equipamentos e ameaçavam empresas concorrentes. Assim, moradores dos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão eram obrigados a contratar provedores autorizados pelo CV.
Essas empresas pagavam uma taxa mensal à facção para continuar funcionando.
No Complexo da Penha, a internet chegou a representar mais de 40% da arrecadação mensal do grupo, segundo registros da PF.
A operação teve 20 presos até o último balanço divulgado. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão.
A Justiça também determinou o bloqueio de até R$558 milhões em bens e valores.
Entre os presos está o vereador Fábio Silva Costa (Podemos), localizado em Londrina, no Paraná. Ele nega envolvimento no esquema.
A Anatel será acionada para cassar as autorizações dos provedores investigados.
Moradora já havia denunciado esquema à Brasil Paralelo
Em março de 2025, a Brasil Paralelo mostrou como o controle da internet pelo tráfico afetava moradores de São Gonçalo, no Rio de Janeiro.
Uma entrevistada, identificada pelo nome fictício Vitória da Silva, contou que não podia escolher sua operadora e chegou a ficar mais de um mês sem conexão.
“A gente fica assim, impotente, na mão deles, não tem o que fazer”, relatou.
O problema também atingiu outros estados. No Ceará, ataques contra empresas de telecomunicações deixaram cerca de 90% dos moradores de Caridade sem internet em março de 2025.
Os casos mostram como o crime organizado passou a lucrar também com serviços usados diariamente pela população.
Além do tráfico de drogas, o controle de atividades como a internet se tornou uma fonte de receita para as facções.
Márcia e Lucas são investigados e ainda não foram condenados pelos fatos apurados na operação. Suas defesas não haviam se manifestado até a última atualização.
Oruam não está entre os alvos divulgados pela PF.
O tráfico já não é a única fonte de receita das facções
O controle da internet mostra como esses grupos passaram a interferir até nos serviços básicos da população.
Mas como o Rio de Janeiro chegou a essa situação?
O documentário Rio de Janeiro: Paraíso em Chamas, da Brasil Paralelo, investiga as origens da criminalidade no estado e mostra como o crime organizado ganhou espaço ao longo das décadas.
Assista gratuitamente no vídeo abaixo:
O jornalismo da Brasil Paralelo existe graças aos nossos membros
Como um veículo independente, não aceitamos dinheiro público. O que financia nossa estrutura são as assinaturas de cada pessoa que acredita em nossa causa.
Quanto mais pessoas tivermos conosco nesta missão, mais longe iremos. Por isso, agradecemos o apoio de todos.
Seja também um membro da Brasil Paralelo e nos ajude a expandir nosso jornalismo.
![[LEAD] Cobertura eleições](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fmkt.brasilparalelo.com.br%2Fcampanhas%2F50ffaf6a-b30c-42c0-873e-df7f2ac4c80c.webp&w=3840&q=75)
![[LEAD] Cobertura eleições](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fmkt.brasilparalelo.com.br%2Fcampanhas%2F75a4fb27-2710-45bf-9546-19ec8ce6fb51.webp&w=3840&q=75)

















.jpg&w=3840&q=75)

