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Segurança pública•5 min de leitura

“CVnet”: operação contra o Comando Vermelho prende mãe e irmão de Oruam

Investigação aponta que moradores eram obrigados a contratar provedores ligados à facção. Em alguns lugares, a internet representava mais de 40% da arrecadação do grupo.

Por
Gabriel Costa
•Publicado em
Imagem de capa da matéria sobre a prisão da mãe e do irmão de Oruam
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A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira (19) a mãe e o irmão do rapper Oruam, suspeitos de envolvimento em um esquema de fornecimento de internet controlado pelo Comando Vermelho.

Márcia Gama e Lucas Santos Nepomuceno foram presos preventivamente durante a Operação Backbone, que investiga como a facção passou a lucrar com um serviço essencial para os moradores.

Segundo a PF, criminosos cortavam cabos, destruíam equipamentos e ameaçavam empresas concorrentes. Assim, moradores dos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão eram obrigados a contratar provedores autorizados pelo CV.

Essas empresas pagavam uma taxa mensal à facção para continuar funcionando.

No Complexo da Penha, a internet chegou a representar mais de 40% da arrecadação mensal do grupo, segundo registros da PF.

A operação teve 20 presos até o último balanço divulgado. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão.

A Justiça também determinou o bloqueio de até R$558 milhões em bens e valores.

Entre os presos está o vereador Fábio Silva Costa (Podemos), localizado em Londrina, no Paraná. Ele nega envolvimento no esquema.

A Anatel será acionada para cassar as autorizações dos provedores investigados.

Moradora já havia denunciado esquema à Brasil Paralelo

Em março de 2025, a Brasil Paralelo mostrou como o controle da internet pelo tráfico afetava moradores de São Gonçalo, no Rio de Janeiro.

Uma entrevistada, identificada pelo nome fictício Vitória da Silva, contou que não podia escolher sua operadora e chegou a ficar mais de um mês sem conexão.

“A gente fica assim, impotente, na mão deles, não tem o que fazer”, relatou.

O problema também atingiu outros estados. No Ceará, ataques contra empresas de telecomunicações deixaram cerca de 90% dos moradores de Caridade sem internet em março de 2025.

Os casos mostram como o crime organizado passou a lucrar também com serviços usados diariamente pela população.

Além do tráfico de drogas, o controle de atividades como a internet se tornou uma fonte de receita para as facções.

Márcia e Lucas são investigados e ainda não foram condenados pelos fatos apurados na operação. Suas defesas não haviam se manifestado até a última atualização.

Oruam não está entre os alvos divulgados pela PF.

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O tráfico já não é a única fonte de receita das facções

O controle da internet mostra como esses grupos passaram a interferir até nos serviços básicos da população.

Mas como o Rio de Janeiro chegou a essa situação?

O documentário Rio de Janeiro: Paraíso em Chamas, da Brasil Paralelo, investiga as origens da criminalidade no estado e mostra como o crime organizado ganhou espaço ao longo das décadas.

Assista gratuitamente no vídeo abaixo:

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