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Vermelho, verde e amarelo? Partido Comunista cria nova identidade inspirada na bandeira

Sigla está tentando aderir à narrativa mais nacionalista do governo Lula em meio à crise com o governo Trump.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
nova identidade do PCdoB, será que é possível ser patriota e comunista ao mesmo tempo?
Fonte da imagem: Reprodução

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Uma das siglas mais tradicionais e radicais na história da política se aproximou das cores da bandeira.

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) apresentou uma nova identidade visual para as eleições deste ano.

As cores verde, amarelo e azul agora passam a integrar as cores do partido. Além disso, os comunicados agora aparecem com uma foice e martelo ao lado da bandeira nacional.

A mudança vem em um momento no qual o governo Lula, apoiado pela sigla, aposta em uma retórica patriótica em meio à crise diplomática com os EUA.

Em uma postagem oficial do partido, há menção a um projeto “orientado pela soberania, pela democracia e pelo desenvolvimento, com um compromisso fundamental: garantir uma vida melhor para o povo”.

O que o marxismo pensa sobre o patriotismo?

A ideologia comunista desenvolvida por Karl Marx e Friedrich Engels é internacionalista por natureza.

No Manifesto do Partido Comunista, uma de suas obras mais famosas, os filósofos defendiam que a burguesia liberal deixava a ideia de nação cada vez mais frágil.

Esse processo aceleraria conforme os trabalhadores tomassem o poder em seus próprios países:

A supremacia do proletariado fará com que tais demarcações e antagonismos desapareçam ainda mais depressa. A ação comum do proletariado, pelo menos nos países civilizados, é uma das primeiras condições para sua emancipação.”

Apesar disso, o filósofo também defendia que os operários procurassem ocupar espaços de poder em seus países, assumindo o comando de nações:

Os operários não têm pátria. Não se lhes pode tirar aquilo que não possuem. Como, porém, o proletariado tem por objetivo conquistar o poder político e erigir-se em classe dirigente da nação, tomar-se ele mesmo a nação, ele é, nessa medida, nacional, embora de nenhum modo no sentido burguês da palavra.”

Historicamente, grupos e regimes alinhados com o marxismo também trouxeram um forte discurso nacionalista.

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Socialismo em um país só?

A origem disso está, em parte, nos debates dentro do movimento comunista que antecederam a Revolução Russa.

Alguns setores acreditavam que o socialismo precisava vir através de uma revolução internacional, o nome mais associado a essa vertente é Leon Trotsky.

Enquanto isso, outra vertente defendia a tese de “socialismo em um só país”, segundo a qual a revolução poderia se estabelecer em um único país antes de buscar se expandir.

A segunda visão ficou muito associada ao regime de Josef Stalin, que coordenou um brutal processo de industrialização para transformar a URSS em uma potência.

O PCdoB surgiu com uma forte influência do socialismo stalinista em sua origem, ainda em 1962.

A sigla surgiu de um racha no Partido Comunista Brasileiro (PCB), que aderiu às propostas de reforma de Nikita Kruchev.

Após a morte de Stalin, Kruschev assumiu o poder na URSS, reconhecendo as atrocidades de seu antecessor em um processo chamado de desestalinização

Alas mais radicais da esquerda romperam com a liderança russa, afirmando que ela passava por revisionismo e queria levar o marxismo para o jogo político da burguesia.

Com uma visão mais radical, o PCdoB se aproximou do regime chinês, pregando uma revolução maoísta no Brasil.

O grupo chegou a pegar em armas em uma das maiores tentativas de golpe socialista na história do país, a guerrilha do Araguaia.

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