Sigla está tentando aderir à narrativa mais nacionalista do governo Lula em meio à crise com o governo Trump.

Uma das siglas mais tradicionais e radicais na história da política se aproximou das cores da bandeira.
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) apresentou uma nova identidade visual para as eleições deste ano.
As cores verde, amarelo e azul agora passam a integrar as cores do partido. Além disso, os comunicados agora aparecem com uma foice e martelo ao lado da bandeira nacional.
A mudança vem em um momento no qual o governo Lula, apoiado pela sigla, aposta em uma retórica patriótica em meio à crise diplomática com os EUA.
Em uma postagem oficial do partido, há menção a um projeto “orientado pela soberania, pela democracia e pelo desenvolvimento, com um compromisso fundamental: garantir uma vida melhor para o povo”.
A ideologia comunista desenvolvida por Karl Marx e Friedrich Engels é internacionalista por natureza.
No Manifesto do Partido Comunista, uma de suas obras mais famosas, os filósofos defendiam que a burguesia liberal deixava a ideia de nação cada vez mais frágil.
Esse processo aceleraria conforme os trabalhadores tomassem o poder em seus próprios países:
“A supremacia do proletariado fará com que tais demarcações e antagonismos desapareçam ainda mais depressa. A ação comum do proletariado, pelo menos nos países civilizados, é uma das primeiras condições para sua emancipação.”
Apesar disso, o filósofo também defendia que os operários procurassem ocupar espaços de poder em seus países, assumindo o comando de nações:
“Os operários não têm pátria. Não se lhes pode tirar aquilo que não possuem. Como, porém, o proletariado tem por objetivo conquistar o poder político e erigir-se em classe dirigente da nação, tomar-se ele mesmo a nação, ele é, nessa medida, nacional, embora de nenhum modo no sentido burguês da palavra.”
Historicamente, grupos e regimes alinhados com o marxismo também trouxeram um forte discurso nacionalista.
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A origem disso está, em parte, nos debates dentro do movimento comunista que antecederam a Revolução Russa.
Alguns setores acreditavam que o socialismo precisava vir através de uma revolução internacional, o nome mais associado a essa vertente é Leon Trotsky.
Enquanto isso, outra vertente defendia a tese de “socialismo em um só país”, segundo a qual a revolução poderia se estabelecer em um único país antes de buscar se expandir.
A segunda visão ficou muito associada ao regime de Josef Stalin, que coordenou um brutal processo de industrialização para transformar a URSS em uma potência.
O PCdoB surgiu com uma forte influência do socialismo stalinista em sua origem, ainda em 1962.
A sigla surgiu de um racha no Partido Comunista Brasileiro (PCB), que aderiu às propostas de reforma de Nikita Kruchev.
Após a morte de Stalin, Kruschev assumiu o poder na URSS, reconhecendo as atrocidades de seu antecessor em um processo chamado de desestalinização.
Alas mais radicais da esquerda romperam com a liderança russa, afirmando que ela passava por revisionismo e queria levar o marxismo para o jogo político da burguesia.
Com uma visão mais radical, o PCdoB se aproximou do regime chinês, pregando uma revolução maoísta no Brasil.
O grupo chegou a pegar em armas em uma das maiores tentativas de golpe socialista na história do país, a guerrilha do Araguaia.
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