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Política•5 min de leitura

Ouvidoria pede afastamento de policiais acusados de colocar camisetas de Lula em presos

A mãe de um dos traficantes chegou a dizer que seu filho não tinha roupas do tipo.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Três presos em Piracicaba usando camisetas de apoio a Lula
Fonte da imagem: Reprodução

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Nesta semana viralizaram imagens de três homens sendo conduzidos pela polícia usando camisetas estampadas com mensagens de apoio a Lula.

Eles haviam sido presos por tráfico de drogas na cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo.

Agora, a ouvidoria da Polícia Militar recebeu denúncias de que os agentes responsáveis pela detenção teriam obrigado os três a colocarem as roupas.

O órgão solicitou o afastamento dos policiais envolvidos no caso até a conclusão das apurações.

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O que diz a Ouvidoria?

A Ouvidoria enviou um ofício à Corregedoria da Polícia Militar pedindo informações sobre os procedimentos adotados na abordagem.

Em nota, o órgão disse ter recebido as denúncias com “extrema preocupação” e afirmou que elas podem envolver crimes graves:

“As denúncias envolvem possíveis violações de direitos fundamentais, incluindo violência policial, abuso de autoridade, constrangimento ilegal e eventuais práticas que podem configurar tortura ou tratamento cruel, desumano ou degradante”.

A Ouvidoria também reforçou que a polícia deve ser neutra na disputa pela presidência do país:

“A Ouvidoria reafirma que a polícia não pertence a partidos, governos ou correntes ideológicas… Nenhum agente público pode valer-se de sua função para promover convicções pessoais, perseguir cidadãos por suas opiniões políticas ou instrumentalizar o poder estatal para fins de disputa eleitoral ou ideológica”.

O órgão cobra uma investigação com “máxima celeridade, independência e profundidade”, com a coleta de depoimentos, imagens e registros da operação.

A Polícia Militar, porém, explicou ao UOL que o pedido da Ouvidoria não significa que os policiais serão afastados imediatamente.

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Quais são as acusações contra os agentes?

A denúncia partiu de Edna Souza, mãe de um dos traficantes, que disse à TV Todo Dia que o filho não tinha roupas ligadas ao PT:

“Ele não estava com a camiseta, ele e os três meninos. E colocaram as três blusas iguais, eu perguntei por que eles colocaram essa blusa, eles disseram que ele já estava, mas ele não estava, porque eu não tenho esse tipo de blusa em casa”.

Todas as camisetas tinham estampa vermelha e a frase “Professoras e professores da Apeoesp com Lula”.

A Apeoesp é o sindicato dos professores da rede estadual paulista, presidido pela deputada estadual Professora Bebel (PT).

Segundo a deputada, no mesmo dia, PMs teriam intimidado mulheres que distribuíam material do PT e as obrigaram a entregar as camisetas.

Uma suposta testemunha anônima disse ao O Globo que teria visto os policiais retirarem os três jovens de uma casa e nenhum usava roupas de partido:

“Estavam com a camiseta normal deles mesmo. Não lembro a cor, mas não era camiseta de partido”.

Ela relata que também teria sido abordada pelos agentes e ofendida por causa da camiseta do PT:

“Eles me cataram na viela. Perguntaram pra mim onde que eu tava indo. Eu falei que eu trabalho pelo PT. Aí, esse (policial) branquinho falou: ‘Ah, não é pra esse lixo’. Aí, eu peguei e fiquei quieta, só deixei ele falar”.

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