Instituto nega manipulação e afirma que o áudio citado pelo PL só foi exibido após o fim do questionário eleitoral, sem possibilidade de alterar respostas.

Uma pesquisa eleitoral que já havia sido divulgada saiu do ar por decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
O ministro Kassio Nunes Marques suspendeu a divulgação de um levantamento da AtlasIntel que apontava queda nas intenções de voto de Flávio Bolsonaro.
A decisão atendeu a um pedido do próprio PL. O partido alegou que o questionário da pesquisa poderia ter induzido os entrevistados contra Flávio, especialmente por causa de perguntas ligadas ao Banco Master.
Também citou o áudio em que o senador pede R$134 milhões a Daniel Vorcaro, dono do banco, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.
O caso ainda será analisado pelo plenário do TSE.
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Na decisão, Nunes Marques afirmou haver indícios de contaminação das respostas e disse que a pesquisa poderia ter extrapolado os limites da “regular aferição estatística”.
Para o ministro, o problema não era apenas uma diferença de interpretação sobre a metodologia. Havia indícios de que o questionário poderia ter induzido as respostas dos entrevistados.
Ele também apontou que outras 27 pesquisas do mesmo instituto não incluíram áudio de investigação nem perguntas semelhantes.
A AtlasIntel deverá apresentar documentação técnica complementar para explicar a metodologia usada no levantamento. O Ministério Público Eleitoral também deverá se manifestar.
A AtlasIntel afirmou que respeitará a decisão, mas disse confiar que o caso será esclarecido a partir da análise técnica dos fatos e da metodologia.
O instituto negou viés político e afirmou que o áudio não foi reproduzido durante o questionário principal.
De acordo com a empresa, os participantes só eram redirecionados para uma página separada depois do encerramento definitivo das perguntas, sem possibilidade de voltar às respostas anteriores.
Nessa segunda etapa, ouviam o áudio por meio de uma ferramenta própria para medir reações a conteúdos audiovisuais.
A AtlasIntel também afirmou que pesquisas posteriores de outros institutos identificaram padrão semelhante de impacto do episódio sobre a intenção de voto de Flávio.
A decisão provocou críticas de especialistas da área de pesquisas de opinião.
Ao Estadão, João Francisco Meira, presidente do Conselho de Opinião Pública da Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, classificou a suspensão como um ato de censura e disse que a medida é inconstitucional.
Para ele, a decisão se apoia em um argumento frágil porque as perguntas de intenção de voto foram feitas antes da parte relacionada ao áudio.
O advogado André Marsiglia discordou da tese de censura. Para ele, a decisão apenas reconhece a possibilidade de que a pesquisa tenha deixado de medir a opinião dos eleitores e passado a induzi-la.
Segundo Marsiglia, o problema estaria em um possível “viés publicitário” no questionário, com perguntas direcionadas contra Flávio Bolsonaro.
A decisão foi comemorada por aliados aliados de Flávio. Para o PL, a suspensão corrige um levantamento que teria sido construído para prejudicar o senador.
O ponto que o TSE terá de analisar agora é se o questionário da AtlasIntel ultrapassou limites técnicos ou se a suspensão abriu um precedente perigoso para a circulação de dados em ano eleitoral.
O plenário do TSE analisará o caso nesta terça-feira. Até lá, a pesquisa segue suspensa e a AtlasIntel terá de explicar se o questionário mediu a opinião dos eleitores ou se interferiu nela.
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