Ataque contra fiéis durante missa de Pentecostes deixou mais de 40 mortos em 2022. Quinto réu foi absolvido por falta de provas.

Fiéis participavam de uma missa quando homens armados invadiram uma igreja católica no sudoeste da Nigéria e abriram fogo contra a congregação.
Quatro anos depois, a Justiça nigeriana condenou à morte quatro suspeitos de participação no massacre ocorrido na Igreja de São Francisco Xavier.
A decisão foi tomada pelo juiz Emeka Nwite, do Tribunal Federal de Abuja. Na decisão, ele afirma que a acusação conseguiu provar, além de qualquer dúvida razoável, as nove acusações apresentadas contra os quatro réus.
O ataque aconteceu em 5 de junho de 2022. Os fiéis celebravam o domingo de Pentecostes quando os criminosos entraram no templo, dispararam contra as pessoas e detonaram explosivos.
Mais de 40 pessoas morreram, incluindo crianças. O caso se tornou um dos ataques mais letais contra cristãos na história recente da Nigéria.
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Os condenados são Idris Abdulmalik Omeiza, Al Qasim Idris, Jamiu Abdulmalik e Abdulhaleem Idris.
Eles haviam sido acusados pelo governo nigeriano de terrorismo, assassinato, sequestro, tomada de reféns e ligação com grupos jihadistas.
O Departamento de Serviços de Segurança do Estado, responsável pela acusação, havia pedido a pena máxima caso os suspeitos fossem considerados culpados.
Durante o julgamento, uma das vítimas identificou dois dos acusados e afirmou que eles entraram na igreja no dia do ataque.
Momoh Otuho Abubakar era acusado de financiar o massacre após movimentações de 800 mil nairas em uma máquina de pagamento. A defesa afirmou que o dinheiro vinha de uma cooperativa e de atividades agrícolas.
O juiz entendeu que a acusação não conseguiu provar o envolvimento dele além de qualquer dúvida razoável.
O massacre de Owo chocou a Nigéria porque ocorreu em uma região de maioria cristã e relativamente distante dos principais focos de violência jihadista no norte do país.
A Nigéria enfrenta ataques de grupos extremistas há mais de uma década. O Boko Haram iniciou uma onda de violência em 2009.
Anos depois, o Estado Islâmico da Província da África Ocidental, conhecido pela sigla ISWAP, passou a atuar como uma dissidência do grupo.
Essas organizações tentam impor um regime islâmico em um país dividido entre um norte de maioria muçulmana e um sul predominantemente cristão.
Após o massacre, autoridades nigerianas anunciaram a prisão de cinco suspeitos. Eles só foram apresentados formalmente à Justiça em 2025, três anos depois do ataque.
Mais de 4.400 pessoas foram mortas pela fé apenas em 2024, segundo a ONG Portas Abertas. A organização classifica o país como o sétimo mais perigoso para os cristãos.
Os métodos utilizados pelos terroristas são variados. Ataques a vilarejos, muitas vezes noturnos, envolvem o assassinato indiscriminado de homens, mulheres e crianças.
Homens e meninos cristãos são alvos frequentes, em uma tentativa de eliminar lideranças e impedir o crescimento futuro das famílias associadas à religião.
Mulheres e meninas são vítimas de sequestros, estupros, casamentos forçados e escravidão sexual, afirma a Anistia Internacional.
Centenas de igrejas foram destruídas, assim como casas, escolas, clínicas e plantações, aniquilando os meios de subsistência e forçando um êxodo em massa.
A devastação tem feito com que milhões se desloquem dentro do próprio país, vivendo condições precárias em acampamentos superlotados ameaçados pela violência.
Na Páscoa de 2025, uma série de ataques coordenados contra comunidades cristãs na região de Plateau terminaram com pelo menos 126 pessoas mortas.
O governador do estado, Caleb Mutfwang, chegou a usar o termo "genocídio" para descrever a situação.
Entenda como a Nigéria se tornou o país mais letal do mundo para cristãos no canal da Brasil Paralelo.
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