Alessandra Mussolini teve uma trajetória inusitada, passando pela música e política.

Cerca de 81 anos após a morte de Mussolini nas mãos dos partigiani italianos, o nome do ditador volta aos noticiários por causa de um reality show.
A neta dele, Alessandra Mussolini, venceu o Grande Fratello VIP 2026, programa homólogo ao BBB com um elenco formado apenas por celebridades.
Ela ganhou a disputa final com 55,95% dos votos do público, deixando para trás a atriz Antonella Elia.
Com o resultado, Alessandra ganha 550 mil euros, o equivalente a aproximadamente R$3,3 milhões.
Em entrevista, ela comentou que entrou para o programa após ver pessoas dizendo que ela não teria chance de participar:
“Me diverti e conheci pessoas maravilhosas. Talvez eu precisasse ser conhecida por quem realmente sou”, disse ao Fanpage it.
Aos 63, esse é mais um capítulo inusitado na história da neta do ditador, que tem uma longa trajetória como política e subcelebridade.
Apesar de serem conhecidos por causa do fundador do fascismo, a família Mussolini tem uma trajetória na música.
O filho do ditador, Romano Mussolini, seguiu carreira como um notável pianista de jazz e um pianista famoso.
A filha dele também seguiu pelo caminho da arte, mas sua carreira começou de uma maneira inesperada.
Ela conta que viajou para o Japão com sua mãe em 1982 e recebeu um convite para cantar em um anúncio, mesmo que nunca tivesse feito nenhuma apresentação na época.
A partir disso, ela conseguiu gravar o disco Amore, que foi um sucesso no Japão. No álbum ela canta faixas em japonês, inglês e italiano.
Depois foram feitos dois singles, um chamado Love is Love, apenas com canções em inglês, e outro chamado Tokyo Fantasy, apenas em japonês.
Alessandra também teve um breve papel como atriz, chegando a participar em pouco mais de 10 filmes.
Ela também participou em outros programas da televisão italiana e posou nua para a Playboy em 1983.
Na década de 1990, Alessandra buscou lançar uma carreira na política. Ela foi eleita deputada pelo Movimento Sociale Italiano (MSI).
A sigla foi fundada por veteranos do regime fascista e ex-funcionários da República Social Italiana, que resistiu ao avanço dos aliados na Segunda Guerra Mundial.
Foi no MSI que a atual primeira-ministra Giorgia Meloni começou sua carreira política na mesma época.
Alessandra deixou o partido em 2003, após o então presidente da organização chamar a ideologia fascista de "mal supremo".
Em 2004, fundou o próprio partido, a Azione Sociale, que liderou até a incorporação ao Popolo della Libertà, de Silvio Berlusconi.
Apesar de ter trilhado uma carreira ligada à ideologia de seu avô e apoiado setores da direita italiana por boa parte de sua vida, Alessandra mudou seu posicionamento recentemente.
Em uma entrevista para a revista Vanity fair, Alessandra disse que é uma garota de esquerda, mas não podia assumir por causa da política:
"Antes me preocupava em não decepcionar meu eleitorado, mas agora: tchau, tchau. Sempre pensei em algumas coisas, mas como estava sempre em um ambiente político, não podia dar espaço a elas".
Ela também se disse uma defensora de pautas LGBT e falou que “a orientação sexual não é sequer um tema".
Atualmente, ela defende a criminalização da homofobia e critica as políticas sobre o tema do governo de Meloni.
O fascismo é uma das correntes políticas mais instrumentalizadas na história. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, o termo se tornou uma espécie de xingamento.
Ambos os espectros políticos chamam seus opositores de fascistas e os comparam a ditadores como Mussolini e Hitler.
A Brasil Paralelo investigou essa ideologia com os maiores especialistas sobre o tema na série História do Fascismo. Assista ao primeiro episódio completo abaixo:
Clique aqui e garanta seu acesso a essa e todas as produções originais da Brasil Paralelo por apenas R$10,90 por mês.