Ministro das Relações Exteriores de Lula diz que EUA “tomaram um lado” nas eleições
Chanceler falou em interferência através de redes sociais, apesar de hipótese ter sido descartada pelo presidente do TSE.

Às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, falou sobre a postura dos EUA.
Ele afirmou que o governo de Trump escolheu apoiar Flávio Bolsonaro ao longo da disputa.
Vieira destacou que o candidato chegou a aparecer em fotos com autoridades do país. O senador tirou uma foto com Donald Trump no Salão Oval em maio, antes do período eleitoral.
No entanto, as palavras do chanceler não pararam por aí, Vieira também levantou suspeitas de uma interferência direta no pleito.
Isso teria acontecido através de influência nos algoritmos das redes sociais sediadas nos EUA.
Apesar de fazer referência a matérias que trazem esse tipo de acusação, o chanceler disse que não poderia confirmar o caso por não ser especialista no assunto:
“Olha, tomaram parte, tomaram um lado, fizeram fotografias. Hoje a imprensa está cheia de artigos dizendo que foram manipulados algoritmos em mensagens. Não sou especialista, não posso responder.”
A fala vai na contramão do que disse o ministro Kássio Nunes, atual presidente do TSE, durante coletiva de imprensa no dia do primeiro turno:
"O único que se falava, meses atrás, inclusive no ano passado, que essas interferências poderiam vir através das plataformas. Eu creio que o trabalho conjunto que o TSE fez com as plataformas, não só o plano de conformidade, mas uma parceria e a dedicação que elas tiveram em se conformar à legislação brasileira, afastou muitos dos problemas que eventualmente poderíamos ter. Mas até agora não temos nenhum indicativo de nenhuma das nossas salas e equipes dentro do tribunal de nenhum tipo de interferência estrangeira."
Que tal receber notícias todos os dias em seu E-mail? Clique aqui e receba de graça o Resumo BP.
Governo Lula acusa EUA de interferência
Essa não é a primeira vez que membros do governo Lula acusam os EUA de tentar alterar o resultado das eleições.
O próprio presidente já alegou diversas vezes que Trump estaria tentando interferir para alterar os resultados em favor de Flávio Bolsonaro.
Em meio à polêmica envolvendo a influência dos EUA na política brasileira, Trump também fez questão de não esconder seu interesse no país.
Questionado por jornalistas, ele disse que as eleições brasileiras são “muito importantes” e destacou a importância do país:
"O Brasil é um país muito importante. É um ótimo país. As pessoas do Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante".
Essa visão chegou a ganhar repercussão internacional ao longo das últimas semanas, chegando à boca do governador da Califórnia, Gavin Newsom:
“Tivemos uma ‘tarifa Bolsonaro’ de 50%, o que foi cômico. Então eu ficaria muito preocupado com isso. Eu ficaria muito preocupado com a relação entre a família de Trump e membros daquela família (Bolsonaro), isso é completamente obsceno.”
A mídia internacional também tem repercutido isso, como foi o caso do jornal britânico The Guardian.
Segundo documentos citados pelo veículo, o Departamento de Estado destinou cerca de R$5,22 milhões a um programa chamado “Combate à Litigância Instrumentalizada e à Censura no Brasil”.
A iniciativa prevê apoio a organizações que criticam decisões do STF sob o argumento de combater a censura e abusos judiciais.
O caso deu origem a um pedido do governo para que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República investigassem.
![[LEAD] Cobertura eleições](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fmkt.brasilparalelo.com.br%2Fcampanhas%2F50ffaf6a-b30c-42c0-873e-df7f2ac4c80c.webp&w=3840&q=75)
![[LEAD] Cobertura eleições](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fmkt.brasilparalelo.com.br%2Fcampanhas%2F75a4fb27-2710-45bf-9546-19ec8ce6fb51.webp&w=3840&q=75)


















