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Esportes•5 min de leitura

Ele se tornou campeão mundial de jiu-jitsu após perder o movimento das pernas em um acidente

Yves Carbinatti conta sua trajetória de superação e disciplina em entrevista exclusiva para a Brasil Paralelo.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
•Publicado em
Yves Carbinatti comemora título com cinturão de campeão
Fonte da imagem: Reprodução

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A vida de Yves Carbinatti mudou completamente quando passou por um acidente aos 21 anos de idade.

Ele estava no banco do passageiro enquanto pegava a estrada com um amigo. O carro capotou e ele foi arremessado para fora, sofrendo uma lesão medular que tirou o movimento de suas pernas.

Na época, só queria poder voltar para a faculdade de engenharia de produção e praticar esportes, como contou em entrevista exclusiva para a Brasil Paralelo:

“Meu sonho depois do acidente sempre foi voltar ao esporte e à faculdade. Eu estava no terceiro ano da faculdade e era faixa roxa de jiu-jitsu. Desde criança eu sonhava em ser como Ayrton Senna… fazer o meu melhor, honrar a pátria e honrar minha família”.

Sem patrocínio público e através da disciplina, ele conseguiu superar as dificuldades causadas por sua situação e se tornar campeão mundial de jiu-jitsu.

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Uma vida dedicada aos esportes

A paixão dele pelo mundo dos esportes começou muito antes do acidente, quando era apenas uma criança.

Yves conta que seu irmão começou a fazer natação e ele queria acompanhá-lo nas aulas.

Dos três anos até a adolescência, Yves praticou mais de 10 modalidades esportivas, como judô, capoeira e atletismo, entre outras.

Quando chegou aos 14 anos, conheceu o jiu-jitsu e já começou a competir na modalidade, como conta:

“Com três semanas de treino eu fui para a primeira competição e fiquei em terceiro lugar, com um mês fui para a segunda competição e conquistei o terceiro lugar. Eu falava ‘quero ser o primeiro, quero ser o Ayrton Senna, não quero ser mais um’”.

Sua determinação o levou a treinar mais até realizar o sonho de se tornar campeão paulista e disputar o campeonato mundial.

Além disso, ele começou a trabalhar em competições como árbitro, mesário e chamador.

O primeiro cadeirante faixa-preta do mundo

Após o acidente aos 21 anos, Yves ficou paraplégico, sem conseguir se movimentar abaixo da linha da cintura.

Conforme se recuperava, ele decidiu que não aceitaria abrir mão de seus sonhos por causa do destino.

Yves voltou aos tatames e se tornou um dos criadores da categoria de deficiência no jiu-jitsu, alcançando a posição de primeiro faixa-preta cadeirante no mundo.

Além disso, ele também conseguiu ser o primeiro juiz cadeirante a arbitrar em lutas de MMA.

Aventura pelo automobilismo

Como um grande fã de Ayrton Senna, Yves não esconde seu amor pelas corridas de carro e pelo automobilismo.

Dois anos após o acidente, ele começou a correr com um kart adaptado. No ano seguinte, entrou para a Stock Car Jr.

“Eu era o único piloto com deficiência, tive que adaptar acelerador, freio, embreagem, volante e tudo para o comando com as mãos”, relata.

Depois disso, participou de uma série de corridas e competições, chegando a correr em Interlagos e realizando o sonho de fazer o “S do Senna”, famoso trecho da pista.

“Minha carreira no automobilismo e kartismo foi curta, por falta de patrocínio, incentivo e recursos”.

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A conquista de um sonho: campeão mundial

Mesmo com todas essas vitórias, Yves não desistiu de seu sonho de virar campeão mundial em jiu-jitsu.

Em 2014, a categoria de pessoas com deficiência se tornou oficial no esporte. No ano seguinte, ele foi para o campeonato mundial ADCC.

A disputa foca principalmente na modalidade sem quimono, conhecida popularmente como “submission”.

Foi lá que Yves conseguiu realizar seu sonho e se consagrou como o primeiro campeão mundial do ADCC para pessoas com deficiência.

Nos anos que se seguiram, ele viajou pelo Brasil, EUA e Argentina para difundir as modalidades adaptadas de jiu-jitsu e boxe.

Foi nesse período que ele entrou na carreira de palestrante, com mais de 500 palestras e 15 mil pessoas atendidas até 2026.

Em 2016, Yves foi eleito vereador em Rio Claro e depois ocupou por cinco anos o cargo de secretário do esporte.

Ele conta que viu em seu trabalho na secretaria uma forma de formar cidadãos e dar esperança, principalmente para as crianças:

“Eu via que tinha que fazer isso pelas crianças e pelo futuro do nosso país, acreditando que o esporte é a maior ferramenta que temos para a inclusão. O esporte é a melhor forma de formarmos cidadãos, aliado à educação e à cultura de qualidade”.

Para Yves, o esporte “continua sendo motivo de vida” e é uma forma de mostrar que a meritocracia e o esforço podem transformar crianças em líderes e grandes profissionais.

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