Setor registrou 474 solicitações no primeiro trimestre, em meio a crédito mais restrito, custos altos e aumento das dívidas.

A crise no campo está ganhando cada vez mais espaço nos tribunais. Produtores rurais e empresas ligadas ao agronegócio fizeram 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026.
Esses números vieram do levantamento da Serasa Experian divulgado nesta quarta-feira (12) e representam uma alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025.
A recuperação judicial é uma medida usada por empresas ou produtores endividados para tentar renegociar dívidas e evitar a falência. Na prática, é um pedido de socorro à Justiça para tentar manter a atividade funcionando.
No caso do agronegócio, o aumento dos pedidos mostra que parte do setor chegou a um ponto em que vender a safra ou renegociar diretamente com bancos e fornecedores já não foi suficiente.
Segundo o levantamento, o cenário combina três problemas:
crédito mais restrito;
custos de produção ainda elevados;
maior endividamento dos produtores.
Ou seja: ficou mais caro produzir, mais difícil pegar dinheiro emprestado e mais pesado carregar dívidas antigas.
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O avanço foi mais forte entre produtores que atuam como pessoa jurídica, ou seja, com CNPJ.
Esse grupo registrou 196 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre, alta de 73,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Já os produtores rurais classificados como pessoas físicas fizeram 182 pedidos. Nesse caso, houve queda de 6,7% na comparação anual.
Também houve 96 pedidos de empresas da cadeia do agronegócio, como agroindústrias, indústrias de processamento e serviços de apoio à produção rural.
Entre as atividades, a soja concentrou o maior número de pedidos: 137. Em seguida apareceu a criação de gado, com 42 solicitações. A soja lidera os pedidos porque é uma das atividades mais fortes do agronegócio brasileiro.
Mato Grosso foi o Estado com mais pedidos de recuperação judicial no agronegócio no primeiro trimestre, com 135 registros.
Na sequência aparecem Goiás, com 73; Paraná, com 50; e Mato Grosso do Sul, com 38.
O ranking mostra que a pressão financeira atinge justamente regiões importantes para a produção de grãos e pecuária no país.
Para a Serasa Experian, o comportamento do setor nos próximos meses dependerá da capacidade de geração de receita, das margens dos produtores e das condições de renegociação das dívidas.
Em outras palavras, a recuperação do campo não depende apenas de produzir mais.
Depende também de conseguir vender bem, pagar contas atrasadas e obter crédito em condições que não estrangulem ainda mais o caixa dos produtores.
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