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Qual o impacto do bloqueio europeu às carnes brasileiras?

Caso o bloco realmente deixe de consumir a carne brasileira, o país pode perder R$9,3 bilhões.

Por
Rafael Lorenzo M. Barretti
Publicado em
União Europeia ameaça parar de comprar carne do Brasil, o que isso pode causar
Fonte da imagem: Lula e presidente da Comissão Europeia

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A União Europeia anunciou que deixará de autorizar a entrada de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil em seu mercado caso o país não consiga atender às exigências sanitárias do bloco até setembro

O problema não está na qualidade ou na contaminação da carne brasileira, mas na falta de garantias sobre o controle do uso de antimicrobianos em toda a cadeia produtiva.

A decisão surpreendeu o governo brasileiro, que informou estar trabalhando para reverter a medida antes de sua entrada em vigor, prevista para o dia 3 de setembro

Caso a decisão entre em vigor, os exportadores brasileiros poderão enfrentar perdas estimadas em cerca de US$1,8 bilhão por ano, equivalente a R$9,3 bilhões.

O impacto, porém, tende a ser mais concentrado sobre as empresas que atendem especificamente o mercado europeu.

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Europa não é o maior mercado do Brasil

Isso ocorre porque a União Europeia não é o principal destino das exportações brasileiras de carne.

Em 2025, quase metade da carne bovina exportada pelo Brasil teve como destino a China

Os Estados Unidos aparecem logo atrás, enquanto os países europeus ocupam uma posição menos relevante em volume total.

Diante desse cenário, parte da produção destinada à Europa poderá ser redirecionada para outros mercados internacionais

Por esse motivo, a expectativa é de que não haja uma queda significativa nos preços da carne para os consumidores brasileiros apenas em razão da medida europeia.

Para os produtores, entretanto, o desafio pode ser maior. Caso o Brasil opte por atender às exigências europeias, será necessário ampliar os sistemas de monitoramento e rastreabilidade dos animais

Isso significa acompanhar com mais detalhes todas as etapas da produção, gerando novas exigências administrativas e custos adicionais.

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Rebanho de bois deverá demorar mais para se adaptar

A adaptação tende a ser mais simples em algumas cadeias produtivas, como aves e suínos

Na bovinocultura, porém, o processo é considerado mais complexo devido ao tamanho dos rebanhos e às características da produção brasileira.

Apesar das dificuldades, o mercado europeu continua sendo visto como estratégico. Isso porque suas exigências sanitárias frequentemente servem de referência para outros grandes compradores internacionais

Se padrões semelhantes forem adotados por países importadores importantes, a pressão por maior rastreabilidade poderá se expandir para toda a cadeia global de carnes.

Do outro lado do Atlântico, a própria Europa registra redução de rebanhos bovinos há vários anos, além de custos elevados de produção

Brasil tenta reverter a decisão

Os ministérios das Relações Exteriores, da Agricultura e Pecuária e do Desenvolvimento afirmaram que tomarão as medidas necessárias para restabelecer as exportações.

O ponto central da discussão envolve medicamentos antimicrobianos utilizados na criação de animais

Essas substâncias são empregadas para combater microrganismos como bactérias, vírus, fungos e parasitas

Na pecuária, também podem ser usadas para estimular o crescimento e aumentar a produtividade dos rebanhos.

A União Europeia mantém regras rígidas sobre o tema. O bloco busca reduzir o risco da resistência antimicrobiana, fenômeno em que bactérias se tornam resistentes aos medicamentos utilizados na medicina humana

Por isso, exige comprovações detalhadas de que determinadas substâncias restritas não são utilizadas nos animais destinados à exportação.

Segundo os europeus, o Brasil ainda não apresentou documentação suficiente para comprovar o cumprimento dessas exigências em toda a cadeia produtiva. 

Representantes da indústria brasileira afirmam que o país possui um dos sistemas de inspeção agropecuária mais robustos do mundo

Tanto a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) quanto a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) defendem que a produção nacional já atende aos padrões internacionais de qualidade, segurança e rastreabilidade.

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